sábado, 29 de agosto de 2009

APA Tamoios: má notícia



Enquanto celebramos avanços no Parque dos Três Picos, na Baía da Ilha Grande, paraíso dos navegantes e ainda conhecida de "Costa Verde", os ambientalistas alertam para problemas da edição do Decreto Estadual n° 41.921, de 22/06/09, que alterou a Zona de Conservação da Viva Silvestre (ZCVS) da Área de Proteção Ambiental de Tamoios (APA), que abrange, de uma forma geral, a franja litorânea do continente, da Ilha Grande e das demais ilhas da região. A medida flexibiliza a construção de residências unifamiliares e empreendimentos turísticos nas áreas “comprovadamente impactadas por uso anterior”. Recebemos inúmeras mensagens de ambientalistas denunciando que a medida teria sido implantada sem consulta ou informação prévia ao Conselho Gestor da APA, criticando que os critérios do Decreto beneficiariam os desmatadores e que liberaria empreendimentos que, hoje, conflitam com a legislação. Os membros do Conselho Gestor se mostram indignados, uma vez que a medida atropela todo o esforço de planejamento que desenvolviam.

Publicado na Coluna Rumo Náutico, Jornal O Fluminense, 29/08/09.

Parque Estadual dos Três Picos: ótima notícia


Foto Axel Grael

Ontem, 28/08/09, com a presença do ministro Carlos Minc, foi anunciada a ampliação do Parque Estadual dos Três Picos, com a incorporação de 12.440 hectares de terras aos municípios de Cachoeiras de Macacu, Silva Jardim e Nova Friburgo, Teresópolis e Guapimirim. A nova área se soma aos 46.350 hectares originais desse, que já era o maior parque do Estado. A área é valiosíssima para a conservação da biodiversidade, pois lá , podem ser encontradas 65% das espécies de aves da Mata Atlântica. Outra grande notícia foi que o INEA “recebeu as chaves”, dadas pela Justiça, do primeiro imóvel desapropriado, fruto do trabalho do Núcleo de Regularização Fundiária, equipe que tem a atribuição de resolver os conflitos fundiários que estão entre os maiores desafios da gestão de unidades de conservação no Estado. Além disso, o estado já certificou mais de 20 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), sendo que 15 em caráter definitivo.
Publicado na Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael, Jornal O Fluminense, 29/08/09.

Aventura ou irresponsabilidade?

A mídia náutica internacional tem sido tomada por notícias de velejadores cada vez mais jovens, que se lançam ao mar em busca de aventura e, principalmente, de recorde, prestígio e fama. Nessa semana, o inglês Mike Perham bateu o recorde como o velejador mais jovem a dar a volta ao mundo solo. Agora, as notícias são de uma menina de 13 anos, Laura Dekker, que está provocando uma grande polêmica na Holanda, pois também decidiu dar a volta ao mundo em solitário, em um barco de 8,3 metros. A determinação da velejadora impressiona a alguns, mas não a todos. Em maio, Laura Dekker velejou da Holanda para a Inglaterra, onde foi detida ao chegar. Como seus pais se recusaram a buscá-la, as autoridades britânicas a enviaram para um orfanato. Agora, autoridades holandesas recorreram à Justiça para impedir a sua viagem, reivindicando assumir a tutela da jovem, já que os pais da menina apóiam a sua aventura. O argumento das autoridades é que a viagem de dois anos seria de alto risco e que o longo tempo de isolamento a bordo prejudicaria a capacidade de socialização da menina. Mas, juristas divergem sobre o caso, com dúvidas se, diante das leis do país, a Justiça poderia impedir a intenção de Laura Dekker , uma vez que ela tem o apoio dos pais. A decisão da Justiça holandesa sobre a jovem estava prevista para ontem. Se permitida, a partida de Dekker para a volta ao mundo é prevista para o dia 1 de setembro.

Regata de saveiros na Bahia


Foto: Regata João das Botas 2009. Divulgação Blog ABVC
Na semana passada, falamos aqui na coluna sobre a incrível Regata de Canoas de São Fidélis. Hoje é dia de mais um evento de barcos tradicionais, com a disputa da Regata Aratu-Maragogipe, na Baía de Todos os Santos, na Bahia. A competição, que já existe há 40 anos, reúne mais de 200 barcos e tem como grande atrativo a presença dos históricos saveiros, que transportavam cargas e passageiros pela Baía de Todos os Santos. Na época colonial, mais de 2 mil saveiros velejavam na região, restando hoje apenas cerca de 20 embarcações, segundo o presidente da Fundação Viva Saveiro, Pedro Bocca. Vale ressaltar que aqui na região Sudeste, é comum chamar-se de saveiros os barcos que na verdade são escunas. Nesse ano, os organizadores da regata convidaram Torben Grael para prestigiar o evento. Torben estará presente, junto com sua esposa Andrea e os filhos Marco e Martine, a bordo do saveiro Sombra da Lua, um modelo vela de içar, que foi um dos cartões-postais da Bahia, nos anos 1960. Que a iniciativa dos baianos nos inspire a resgatar os barcos tradicionais que ainda existem no Rio de Janeiro. Já perdemos as faluas da Baía de Guanabara, que foram extintas no início do século XX. Estamos unidos ao sonho de Lulu Assumpção, líder comunitária de São Fidélis, no Rio de Janeiro. Ainda há tempo de salvar as últimas pranchas do Rio Paraíba do Sul.
Publicado na Coluna Rumo Náutico, Jornal O Fluminense, 29 de agosto de 2009.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Saindo do vermelho

É com renovado ânimo que vemos que a questão ambiental cada vez mais permeia a sociedade. Seja pela crescente consciência da importância dos temas ambientais ou até por mecanismos de mercado, que influenciam cada vez mais o mundo corporativo. Como exemplo disto, divulgou-se nessa semana que das 30 maiores empresas brasileiras, nove (Petrobras, Vale, Neoenergia, CSN, Eletropaulo, Sabesp, Ultrapar, Cemig e CPFL) mencionam contingências ambientais em seus balanços financeiros. Para quem não é do ramo, ajudamos a entender. Tradicionalmente, as empresas preocupavam-se em ter uma dotação orçamentária para situações de contingência em três áreas: tributária, cível e trabalhista. Com isso, podem cobrir despesas inesperadas com ações na justiça, multas por acidentes, etc. Agora, estas empresas passam a incluir também uma rubrica para “Contingências Ambientais”. Estas contingências são mencionadas em balanço quando são avaliadas como perdas “prováveis” ou “possíveis”, de acordo com o tipo de atividade da empresa. O fato é relevante, pois demonstra o crescimento da preocupação dos investidores com a responsabilidade e os passivos ambientais das empresas, repercutindo no planejamento e na gestão das mesmas.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Força do vento



O setor elétrico brasileiro tem estado no centro das críticas dos ambientalistas, devido aos impactos ambientais de projetos na Amazônia e a opção pelo aumento da geração de energias sujas na nossa matriz energética, como a do carvão, nuclear, etc. O Ministério das Minas e Energia fará um leilão no final de novembro para a compra de energia eólica, podendo chegar a entre 3 e 4 mil megawatts (MW). A medida é um grande passo para que se alcance um modelo de atriz energética mais verde para o país, mas ainda é um avanço tímido. Segundo o próprio MME, o setor elétrico já recebeu 441 projetos de geração eólica, que caso fosse totalmente implantado poderia resultar num potencial de 13.341 MW, o que corresponderia a quase a capacidade da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Até o final de 2009, a capacidade de geração eólica do Brasil estará em 427 MW e em fins de 2010 estará em 684 MW, independente do leilão ora em curso. Segundo o ministro Edson Lobão, o potencial do Brasil poderia chegar a 140 mil MW, mais do que é gerado atualmente no mundo todo: 120 mil MW. Que bons ventos ventilem o setor elétrico nacional.


Publicado na Coluna Rumo Náutico, Jornal O Fluminense, 18/07/09

Mariza Formaggini: fotógrafa parceira do Projeto Grael é premiada


Observando tudo a sotavento. Tatui, o marujo-mascote que não perdia uma chance de velejar com os meninos do Projeto Grael. Foto de Mariza Formaggini.

A fotógrafa niteroiense Mariza Formaggini acaba de ganhar o 1º Lugar - Categoria Livre no 2º Concurso Nacional da Consigo - a Melhor Imagem, realizado em São Paulo. A foto vencedora mostra o Museu de Arte Contemporânea sob um céu carregado de nuvens e com um impressionante efeito natural de luzes.

Em um trabalho voluntário, Mariza acompanhou a rotina do Projeto Grael e sua lente inspirada registrou lindas cenas da nossa garotada velejando e participado de outras atividades educativas, da nossa equipe em atividade e até o nosso "marujo" Tatuí, que infelizmente não veleja mais entre nós.
Parabens, Mariza!!

Amazônica: interação floresta, água e clima.

"Nuvens-pipoca" formadas no período da tarde, pela transpiração da floresta. Imagem divulgada pelo Earth Observatory, NASA. 26/08/09. Fonte: http://earthobservatory.nasa.gov


A bela imagem (MODIS/Aqua) aqui apresentada, divulgada ao público pela NASA (vide referência acima), é uma verdadeira aula sobre a Amazônia. A cena foi obtida há poucos dias (19/08/09) e comprova de forma didática a importância da Floresta Amazônica para o clima e para o regime hídrico. Na época das chuvas, a região recebe muita umidade que chega do Oceano e é transportado pelos ventos pela Amazônia. No período de estiagem, perído em que a imagem foi regisrada, as fartas nuvens carregadas de chuva desaparecem de toda a região e ficam evidentes os processos de pequena escala que influenciam o clima local, pricipalmente no período mais quente do dia, ou seja nas tardes(como no horário da imagem). A cena revela a interação da floresta e da atmosfera para formar um padrão uniforme, com as chamadas "nuvens-pipoca" (popcorn clouds) regularmente espalhadas pela região.


As pequenas nuvens têm origem no vapor emitido pelo processo de transpiração das plantas. O sol forte, mais intenso nessa época do ano, incide sobre o solo e sobre a floresta, que se aquecem e, por sua vez aquecem o ar que se movimenta verticalmente, levando o vapor para cima. Um pouco mais acima, a atmosfera mais fria condensa a água, formando essas pequenas nuvens. É interessante observar que as nuvens se concentram exatamente sobre as áreas florestadas e, surpreendentemente, não sobre os rios, várzeas e igapós (florestas inundadas)!


É fácil entender, então, a consequência que o desmatamento causaria à região retratada nessa imagem. Esse processo, fundamental para o clima, cessaria.


Há algum tempo atrás, era comum ouvir-se que a Amazônia seria o "pulmão do mundo". Hoje, sabe-se que não é bem assim. Se formos fazer uma analogia semelhante, seria melhor descrever o papel mais fundamental da Floresta Amazônica, como:

  • A "caixa d'água": por lançar na atmosfera milhões de litros de água por ano, em forma de vapor, que, somando-se à umidade que chega do Oceano, formam as chuvas.
  • O "ar condicionado": por regular a temperatura

Ambas as qualidades interferem decisivamente na maior parte do Continente e o seu papel para todo o planeta ainda está por ser melhor conhecida.

Axel Grael
Engenheiro florestal

domingo, 23 de agosto de 2009

Lagoa Rodrigo de Freitas despoluída


Mais uma emblemática bandeira ambientalista do Rio de Janeiro caminha para a solução. Um dos mais espetaculares cenários cariocas, a Lagoa Rodrigo de Freitas, sofreu um processo histórico de degradação, com um drástico aterro das suas margens, a poluição e o assoreamento. As mortandades de peixes, que já eram manchetes de jornais na década de 1930, foram se tornando cada vez mais freqüentes. Em 1986, a indignação com a crescente poluição reuniu mais de 30 mil pessoas ambientalistas num inesquecível “Abraço à Lagoa”. Nessa semana, o Governo do Estado inaugurou mais uma Elevatória de Esgoto do sistema sanitário que protege a Lagoa Rodrigo de Freitas, ocasião em que o governador Sergio Cabral e autoridades sanitárias e ambientais anunciaram os ótimos índices ambientais da Lagoa, o que é de fato uma excelente notícia. Quantas vezes, como presidente da Feema, enfrentamos essas emergências, a pressão da imprensa, o conflito político e a ira da população diante das recorrentes mortandades de peixes que lá se verificavam. O problema era a poluição acarretada pelo esgoto, que roubava o oxigênio que faltava aos peixes, causando a morte das espécies mais sensíveis. Além da desoladora cena dos cardumes agonizantes, está vivo na lembrança do carioca o constrangedor “bate-boca” público entre o Estado e o Município do Rio de Janeiro, sobre de quem era a culpa do problema. Na verdade, o problema era de todos. A Cedae era a grande vilã. Gerenciava um sistema sanitário em colapso e omitia sistematicamente informações, inclusive dos órgãos ambientais. A prefeitura, por sua vez, também tinha muita culpa, pois não conseguia evitar as ligações clandestinas de esgoto nas redes pluviais e por ter permitido o adensamento populacional da região, sem que houvesse um sistema de esgotos que o suportasse. O auge do problema foi em 1999, quando houve o rompimento do Emissário Submarino de Ipanema, expondo o caos sanitário que a Zona Sul do Rio vivia. Em pleno verão, as praias da Zona Sul tiveram que ser interditadas. Os problemas só começaram a ser superados a partir do ano 2000, quando gradativamente adotou-se uma agenda positiva para o salvamento da lagoa e os tão esperados investimentos na recuperação da rede sanitária local começaram a ser implementados pelo Estado e os resultados têm sido muito bons. Motivados pelo sucesso carioca, não custa para nós, niteroienses, sonharmos com a Lagoa de Piratininga também despoluída. Mas, aí, ainda falta muito.


Publicado na Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael, Jornal O Fluminense, 22/08/09

História do Projeto Grael em livro

O Projeto Grael publicará o livro Um mar de oportunidade, em que será apresentada a história e a metodologia pioneira, desenvolvida para utilizar os esportes náuticos para proporcionar um programa sócio-educacional. O livro mostrará a trajetória de uma ideia nascida na década de 80 e viabilizada em 1998, que no início era vista com desconfiança por alguns críticos, que não acreditavam que um esporte elitista poderia ser um instrumento de inclusão social. Hoje, prestigiado por prêmios importantes e reconhecido inclusive por trabalhos e teses acadêmicas, o Projeto Grael tem sido um modelo para iniciativas no Brasil e no exterior. A iniciativa da publicação foi aprovada na Lei Estadual de Incentivo à Cultura e o Projeto Grael negocia o apoio de patrocinadores para viabilizar a obra.

Publicado na Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael, no Jornal O Fluminense, 22/08/09.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Regata Aniversário do Projeto Grael

Foto Fred Hoffmann - MV 25 do Projeto Grael

No dia 16 de agosto, realizou-se a regata de comemoração dos 11 anos de criação do Projeto Grael. A competição é oficial do calendário da Federação de Vela do Estado do Rio de Janeiro e é realizada anualmente.

Os alunos do Projeto Grael paticipam da organização de todas as atividades relacionadas à regata e a mesma serve como treinamento para que estes possam prestar serviços aos iate clubes que organizam regatas.

Neste ano, o Projeto Grael não contou com um patrocinador para o evento e, portanto, fomos obrigados a ser bem cautelosos com os gastos. Recebemos algumas mensagens de protesto por não termos organizado um evento de entrega de prêmios. Pedimos desculpas a todos. A frustração também é nossa. Além da falta de recursos, a nossa sede está em obras. Os prêmios para cada classe serão encaminhados aos Iate Clubes dos competidores. No próximo ano, vamos à forra.

Apesar disso, e do barco do Projeto Grael que eu estava a bordo ter sido abalroado numa "barbeiragem" de um outro participante, a regata foi um sucesso.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Um século de plástico

Foto de Axel Grael: Equipe do PEBG-Plano de Emergência da Baía de Guanabara retira lixo flutuante da Enseada de São Francisco, Niterói. Preparação para os Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro, 2007.


Segundo os velejadores da Volvo Ocean Race 2008-2009 (Regata Volta ao Mundo), de todos os portos por onde passaram, o Rio de Janeiro e Coxim, na Índia, foram as cidades com o mar mais poluído. Realmente, durante a parada da VOR, a Baía de Guanabara estava em situação constrangedora: águas turvas e uma grande quantidade de lixo flutuante. Havia muito plástico. Lamentavelmente, essa já é uma marca infeliz da nossa Baía e quem veleja pelos nossos mares, sabe que é possível perceber que estamos chegando ao Rio de Janeiro pela quantidade de plástico que pode se avistar no mar. A invenção do plástico ocorreu em 1909, há exatamente um século. Hoje, está por toda parte do planeta, em benefício do homem, mas também poluindo o meio ambiente. O Brasil é um dos maiores consumidores de embalagens plásticas do mundo, mas como temos péssima gestão do lixo, o problema aqui é ainda maior. São geradas cerca de 150 mil toneladas de lixo/dia no Brasil, e desse total apenas 12,6% são destinados a aterros sanitários. Apenas 1,5% do lixo são reciclados. O restante vai parar nos lixões, nos rios e em estuários, como a Baía de Guanabara. Caso não seja resolvido, o lixo poderá ser um dos grandes obstáculos à candidatura do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016.

Publicado na Coluna Rumo Náutico, Jornal O Fluminense, 18/04/09

Barcos mais verdes

Barcos também têm os seus pecados ambientais. Um dos maiores e mais graves problemas que as embarcações causam ao meio ambiente é a poluição pelas pinturas anti-incrustrates que são aplicadas no fundo dos barcos, para evitar a fixação de cracas, mariscos, etc. Durante muitos anos, essas tintas eram a base de metais pesados e as conseqüências sobre a vida marinha eram muito graves. Na Baía de Guanabara o problema de incrustração força os donos de embarcações que ficam permanentemente no mar a pintar seus barcos pelo menos uma vez por ano. Aos poucos, a indústria de tintas foi melhorando a qualidade ambiental desses produtos, mas consequências ainda são muito preocupantes. Uma nova tecnologia de tintas anti-incrustrante acaba de ser anunciada por cientistas suecos da Universidade de Gotemburgo e da Agência de Química da Suécia. O princípio da nova tinta é chamada de PSI (Post Settlement Inhibition) e possui uma substância dissolvente que atua sobre os organismos que se fixam. Os pesquisadores admitem que a tecnologia ainda não é totalmente segura para o meio ambiente, mas que já é um grande avanço e reforça a esperança de uma solução para o problema em um futuro próximo.

Publicado na Coluna Rumo Náutico, jornal O Fluminense, em 09/05/09.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Regata de Canoas a Vela de São Fidélis

A REGATA


No último sábado, dia 15 de agosto, fomos a São Fidélis, norte do estado do Rio de Janeiro, para assistir uma imperdível manifestação de uma prática tradicional de canoas a vela, no Rio Paraíba do Sul. A competição, que esse ano ganhou o nome de "IV Corrida Lars Grael de Canoas a Vela", é disputada por pescadores de São Fidélis e de São João da Barra, e contou com 18 embarcações. As regras da competição tornam o evento ainda mais interessante. O percurso é contra a correnteza (para montante), os mastros devem ser feitos de bambu e as velas são feitas de saco de farinha. Por cerca de 50 minutos, as canoas percorreram um longo trecho do rio, desviando das ilhas e bancos de areia, mais presentes no período de seca, como agora. De vento em popa, as canoas seguem o seu trajeto dando jaibes para se desviar dos bancos de areia e para acompanhar os meandros do rio Paraíba. Aliás, jaibe é um termo náutico que nós, outros velejadores usamos. Para eles, velejadores do Rio Paraíba, a manobra chama-se "envelopar". Dentre os participantes, um chamava especial atenção. Era o Seu Menininho, de 74 anos, que velejou sozinho a bordo de sua velha canoa.


AS VELHAS PRANCHAS E A TRADIÇÃO


A navegação à vela nesse trecho do Baixo Paraíba é uma prática tradicional e faz todo o sentido. Os ventos intensos da região sopram predominantemente rio acima, trazendo de volta as embarcações que descem o Paraíba favorecidas pela correnteza. O evento é muito pitoresco e tem grande potencial turístico. A organizadora é a incansável Lulu Assumpção, uma ativa guia turística da região, que mantém o sonho de ver o turismo em sua cidade se desenvolver em torno da tradicional cultura náutica local. Outro sonho de Lulu, que deveria merecer toda a atenção das autoridades estaduais de turismo e cultura, é recuperar a última das velhas pranchas do Rio Paraíba, embarcações de carga, que movidas a vela, que tranportavam mantimentos e outros produtos pelo rio Paraíba, antes da construção da estrada que liga São Fidélis a Campos. Na ocasião da entrega de prêmios aos vencedores da "Corrida de Canoas", Lulu homenageou os antigos prancheiros, que ainda estão às margens do Paraíba, para contar as estórias daquele tempo, que o Brasil não pode esquecer.


BARRAGENS AMEAÇAM O RIO


Assistindo os pescadores enfrentar a correnteza, não pude deixar de me lembrar dos conflitos que tivemos, quando fui presidente da Feema, com empreendedores que pretendem construir duas barragens ou pouco a montante de São Fidelis: Cambuci e Barra do Pomba. Segundo os próprios estudos alertavam, dentre outros impactos ambientais, as obras poderão levar à extinção a "lagosta de São Fidélis". Naquela ocasião (em 2008), mesmo diante de toda a pressão dos empreendedores, cumprimos a nossa obrigação e indeferimos o pedido de licença ambiental. Mas, é preciso vigilância, pois essa ameaça ainda ronda o Rio Paraíba.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Truda, baleias e arpões

Truda, baleias e arpões
Nessa semana, os cariocas foram brindados pela comovente visita de uma família de baleias que passeou garbosamente pelas praias da Zona Sul do Rio. Acho que elas queriam nos avisar de algo. No dia seguinte, tomei conhecimento pelo próprio ambientalista José Truda Palazzo Júnior sobre a violência que ele e sua família sofreram recentemente. Sua casa foi invadida e ele foi agredido na frente da esposa e filhas. Truda, gaúcho, mas residente em Santa Catarina, é um ambientalista histórico, tendo iniciado a sua militância em 1978, ainda aos 15 anos, ao lado do gaúcho José Lutzemberger. No ano seguinte, conheceu o almirante Ibsen Gusmão Câmara, um dos maiores nomes do ambientalismo brasileiro, que o motivou a dedicar-se à vitoriosa campanha pela proibição da caça à baleia no Brasil. Em 1982, foi um dos fundadores do Projeto Baleia Franca, cujo sucesso tem tornado espetáculos como esse que os cariocas usufruíram, cada vez mais possíveis. Desde 1984, o ambientalista é delegado brasileiro na IWC, o comitê internacional sobre baleias. Truda é uma pessoa surpreendente. Apesar de não ter formação superior na área, é respeitado internacionalmente como uma das referências em conservação, com vários trabalhos publicados em importantes veículos acadêmicos. Possui temperamento forte, explosivo, o que contrasta com a sua profissão de jardineiro, atividade onde também possui livros publicados. Por mais justa que seja a sua causa, a luta intransigente e aguerrida do ambientalista fere muitos interesses. Preocupados com a sua segurança, amigos pedem a providências às autoridades locais. Em minha mensagem a ele digo: “que você nunca deixe de perseverar na luta, mas, além de proteger as baleias, preserve com a mesma competência a você e a sua família”. Brasileiros, sejam eles humanos ou cetáceos, precisam de Truda sempre ativo na sua luta.

Publicado na Coluna Rumo Náutico, Jornal O Fluminense (http://www.ofluminense.com.br/), 01/08/09

Esporte e esportividade

Em poucas semanas o Rio de Janeiro poderá ser escolhido a sede das Olimpíadas de 2016. Caso aconteça, será um privilégio almejado por centenas de cidades no mundo e alcançado apenas por um número seleto de candidatas.

Mas, a responsabilidade também é enorme. Seremos anfitriões de atletas do mundo todo, que aqui estarão para alcançar o grande sonho de suas vidas: a consagração olímpica. Portanto, atletas de outros países estarão aqui com o mesmo objetivo que os heróis esportivos do nosso país. E os Jogos Olímpicos terão que ser organizados para todos, não só para os atletas brasileiros.

Diante disso, preocupa-nos o comportamento da torcida brasileira nos estádios e ginásios brasileiros. A torcida sistematicamente vaia (quando não insulta) os adversários do Brasil, como aconteceu nos Jogos Pan Americanos de 2007 e repetiu-se na semana passada no Gran Prix de Vôlei Feminino, no Maracanãzinho.

Neste último evento, diante de uma constrangedora vaia, ainda ouvimos o locutor na televisão dizer que “a torcida faz a sua parte, pressionando o adversário”.

Incentivar os nossos atletas não significa desrespeitar e menosprezar os adversários, pois a vaia aqui tem o mesmo significado que em outros países: a reprovação. A torcida “fazer a sua parte” deveria significar estimular os seus atletas, reconhecer a qualidade e a beleza do lance, a destreza, a força, a perfeição, a conquista. E nossos atletas tem talento suficiente para vencer nas regras do esporte e nos princípios da esportividade. Diminuir o adversário é se render à mediocridade. É desmerecer a própria vitória.

É preciso entender o esporte como um ritual simbólico de superação, mas sob bases civilizadas e pacíficas. O adversário não é inimigo. Há que se reconhecer e respeitar a trajetória pessoal de cada atleta, o esforço que há por trás da preparação, tanto de vencedores como de vencidos.

Além disso, há muito mais por trás do esporte do que consagrar campeões. Para cada campeão, existe todo um contingente de atletas que dão sentido e grandeza ao esporte. Estes também são desrespeitados no ato da vaia.

Onde há esporte, tem que haver também educação, cultura e cidadania. E se almejamos ser uma cidade olímpica, essa cidadania precisa ter também uma dimensão olímpica, ou seja, com o olhar solidário para o mundo, para os outros povos e para os demais atletas.

Publicado na Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 08/08/09

Lars Grael é bronze no Mundial de Star, na Suécia

Com uma vitória na última regata, Lars Grael e seu proeiro Rony Seifert conquistaram a medalha de bronze no Campeonato Mundial da Classe Star, em Varberg, na Suécia. Um dia antes, Lars reconhecia o tamanho do desafio, mas animava-se com as possibilidades matemáticas de conquistar uma medalha. Para isso, precisava vencer a regata e dependia das posições dos adversários. Lars e Rony fizeram a sua parte: venceram a última competição com um verdadeiro show nas águas de Varberg: lideraram desde a largada e terminaram com grande vantagem à frente do segundo colocado. E a sorte deu conta do resto, já que os principais adversários foram mal. Lars e Seifert, que integram a Equipe Olímpica Permanente Brasileira, mostraram que são, hoje, uma das mais competitivas tripulações da Classe Star. Outros brasileiros na disputa eram Robert Scheidt e Bruno Prada, que terminaram em 11o lugar; Horácio Carabelli e Bira Mattos (24o); além de André Mirsky e Marcelo Jordão (37o). A competição contou com 86 barcos.

Campeonato Mundial de Optimist, em Niterói

Na última sexta feira, encerrou-se o Campeonato Mundial da Classe Optimist, realizado no Clube Naval-Charitas. Aconteceu de tudo na raia. Os velejadores enfrentaram uma grande variedade de condições: de calmaria a temporal, calor e frio, sol e chuva. A predominância de ventos fracos favoreceu velejadores mais leves, como os asiáticos. Ainda assim, foi uma boa surpresa constatar o crescimento técnico dos velejadores dos países asiáticos, como China, Tailândia, Malásia e Singapura. Na competição por equipes, a China foi a grande campeã, seguida pelo Peru e, em terceiro, Singapura. Mas, no resultado individual, o Campeão Mundial foi o peruano Sinclair Jones, o vice-campeão foi o malaio Mohamed Faizal Norizan, ficando em terceiro Ignacio Rogala (Argentina), em quarto Noppakao Poonpat (Tailândia) e em quinto lugar, o brasileiro Ricardo Paranhos, velejador de Brasília. Vale ressaltar que dos 14 primeiros colocados, oito foram asiáticos. Merece especial registro a performance da velejadora Noppakao Poonpat. Ela teve ótima performance durante todo o campeonato, terminando em quarto lugar Geral e Campeã Mundial Feminina. Mas, há nessa velejadora um aspecto que ainda causa mais admiração no Projeto Grael: ela foi revelada em um projeto social de seu país. Que bons ventos continuem premiando o seu talento.

Uma vitória da vela de Niterói

Não há duvidas que o Campeonato Mundial da Classe Optimist foi um grande sucesso e os créditos devem ir para todos os envolvidos, em particular para o Clube Naval, cuja equipe mostrou muita competência. Organizaram o maior evento esportivo da história de Niterói, tirando “leite de pedra”. Sem financiamento público e com algum apoio privado, o campeonato não deixou nada a desejar a outras edições. Comprovaram que Niterói tem capacidade técnica e logística para organizar eventos náuticos de grande porte. Como aprendizado, fica a certeza que a cidade ainda precisa melhorar muito a sua capacidade hoteleira e que falta o poder público perceber o potencial que oportunidades como essas trazem para a cidade e apoiá-las. Além da grande visibilidade internacional, a presença de 500 visitantes estrangeiros por mais de 11 dias trouxe divisas e movimentou a economia local. O Campeonato Mundial de Optimist mostrou, ainda, que é justa e legítima a pretensão de que Niterói seja reconhecida como a Capital da Vela no Brasil.

Me belisca!!!

Ultimamente, já perceberam como as coisas estão mudando de forma rápida e surpreendente? Quem diria, há dois ou três anos, que o esporte poderia se tornar uma das principais motivações para os investimentos nacionais e fluminenses em infraestrutura e reforma urbana na próxima década? É o que foi prometido nas candidaturas do Brasil para sediar a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Por outro lado, há alguns meses, o presidente da República, certos ministros e empresários “desenvolvimentistas” e a bancada ruralista no Congresso Nacional fazem um bem ensaiado coro retórico, atacando os órgãos ambientais e a legislação ambiental brasileira, pregando o seu desmonte sob o pretexto da agilidade das licenças ambientais. Quem poderia imaginar que, nesse cenário, o morno início de campanha eleitoral para presidente, que governistas já davam um certo ar de “já ganhou”, poderia ser chacoalhada por uma possível candidatura pelo PV, da senadora Marina Silva, que tem como bandeira um Brasil Sustentável? Novos tempos?

Uma vitória da vela de Niterói

Não há duvidas que o Campeonato Mundial da Classe Optimist foi um grande sucesso e os créditos devem ir para todos os envolvidos, em particular para o Clube Naval, cuja equipe mostrou muita competência. Organizaram o maior evento esportivo da história de Niterói, tirando “leite de pedra”. Sem financiamento público e com algum apoio privado, o campeonato não deixou nada a desejar a outras edições. Comprovaram que Niterói tem capacidade técnica e logística para organizar eventos náuticos de grande porte. Como aprendizado, fica a certeza que a cidade ainda precisa melhorar muito a sua capacidade hoteleira e que falta o poder público perceber o potencial que oportunidades como essas trazem para a cidade e apoiá-las. Além da grande visibilidade internacional, a presença de 500 visitantes estrangeiros por mais de 11 dias trouxe divisas e movimentou a economia local. O Campeonato Mundial de Optimist mostrou, ainda, que é justa e legítima a pretensão de que Niterói seja reconhecida como a Capital da Vela no Brasil.

Me belisca!

Ultimamente, já perceberam como as coisas estão mudando de forma rápida e surpreendente? Quem diria, há dois ou três anos, que o esporte poderia se tornar uma das principais motivações para os investimentos nacionais e fluminenses em infraestrutura e reforma urbana na próxima década? É o que foi prometido nas candidaturas do Brasil para sediar a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Por outro lado, há alguns meses, o presidente da República, certos ministros e empresários “desenvolvimentistas” e a bancada ruralista no Congresso Nacional fazem um bem ensaiado coro retórico, atacando os órgãos ambientais e a legislação ambiental brasileira, pregando o seu desmonte sob o pretexto da agilidade das licenças ambientais. Quem poderia imaginar que, nesse cenário, o morno início de campanha eleitoral para presidente, que governistas já davam um certo ar de “já ganhou”, poderia ser chacoalhada por uma possível candidatura pelo PV, da senadora Marina Silva, que tem como bandeira um Brasil Sustentável? Novos tempos?