sábado, 30 de janeiro de 2010

Justiça absolve acusados de responsabilidade pelo acidente da REDUC de 2000


A Justiça tarda mas...

O Globo deste domingo (31/01/10) publica matéria sobre a decisão judicial da 5a Vara Federal de São João de Meriti sobre o acidente ambiental na REDUC - Refinaria Duque de Caxias, da Petrobras, que exatamente uma década antes, em 18 de janeiro de 2000, causou o vazamento de 1,3 milhões de litros de óleo para a Baía de Guanabara. Em sua decisão, o juiz absolveu todos os acusados de qualquer responsabilidade e mandou arquivar o processo. Segundo a matéria de O Globo, o Ministério Público Federal teria desistido de recorrer da decisão do juiz pois os crimes ambientais já prescreveram.
O acidente é considerado um dos maiores da história ambiental do país. Na Baía de Guanabara, foi superado apenas pelo vazamento colossal do navio iraquiano Tarik Ibn Zyiad, que em 1975, ano da criação da FEEMA, lançou à Baía 5,978 milhões de litros de óleo, uma quantidade cinco vezes maior que do acidente da REDUC.
Na época do acidente da REDUC, eu exercia a minha primeira gestão como presidente da Feema. No exercício do meu cargo, participei dos esforços de limpeza da Baía de Guanabara, da decisão junto ao IBAMA para aplicar na Petrobras a multa máxima prevista na Lei de Crimes Ambientais (no total, a multa chegou a R$ 51 milhões) e fui arrolado como testemunha pelo MPF no referido processo.
A prioridade daquela gestão era a solução dos principais passivos ambientais do RJ, que incluía o enquadramento na legislação ambiental dos maiores poluidores, no caso a CSN (responsável dentre outros danos ambientais, pelo lançamento de benzo-a-pireno no Rio Paraíba do Sul) e a REDUC, maior responsável pela poluição da Baía de Guanabara. Na ocasião, a CSN já havia se enquadrado e assinava com a FEEMA um TAC - Termo de Ajuste de Conduta, em que se comprometia a investir R$ 180 milhões para a sua regularização ambiental, com o controle da sua poluição. Na ocasião, aquele foi considerado o maior compromisso de correção de passivos ambientais já assinados com um órgão ambiental.
Antes do acidente, a atitude da REDUC ainda pouco diferia dos tempos da ditadura, quando essas grandes atividades industriais eram consideradas "de Segurança Nacional" e os órgãos ambientais sequer tinham acesso às suas instalações. A REDUC, diferente da CSN, admitiu apenas assinar um mero protocolo de intenções.
Depois do acidente, a realidade mudou completamente. Assolados por críticas e na mira da imprensa e de toda a sociedade, a REDUC "bateu no tatame" e, por fim, admitiu assinar um Termo de Ajuste de Conduta com a Feema. Antes disso, como condição do órgão ambiental, uma rigorosa Auditoria Ambiental independente foi feita com a participação de equipes de praticamente todas as Universidades no Rio de Janeiro. Foi identificado o passivo ambiental que a REDUC deveria corrigir e foram analisadas as propostas da REDUC para o seu equacionamento. Ao todo, a FEEMA impôs à REDUC, um investimento orçado à época na ordem de R$ 240 milhões.
Após todo esse processo, a REDUC é hoje uma empresa muito mais confiável quanto à segurança ambiental de seu processo industrial.

Veja no link abaixo as alegações finais do Ministério Público Federal e a sentença do Juiz: http://oglobo.globo.com/blogs/blogverde/posts/2010/01/30/o-duelo-juridico-do-crime-da-baia-de-guanabara-261959.asp

-----------------

Minha Opinião:

Independente da Justiça, foi um ponto de inflexão

Independente do mérito da questão, ou seja, se cada uma das pessoas arroladas como réus mereciam ou não ser condenados, o fato é que a Justiça não tem sido mesmo uma aliada do meio ambiente e da cidadania. Crimes ambientais raramente são punidos na Justiça, principalmente se os réus são poderosos. É o que se vê também nos grandes escândalos políticos e na administração pública. Quantos desses casos chegam ao fim e deixam uma sensação de que realmente foi feita Justiça? O que houve com os Anões do Orçamento? Com os autores do Mensalão e tantos outros escândalos? E os prefeitos e outros políticos que são eleitos em desacordo com a legislação e depois beneficiam-se da lentidão da Justiça e empurram seus processos com a barriga até que seus mandatos sejam cumpridos? Cresce na sociedade a reação contra a presença dos "fichas-sujas" na cena eleitoral, mas qual a resposta que o Judiciário - a quem cabe coibir essa presença deletéria nos parlamentos brasileiros - tem feito à respeito?

Baseados em meras tecnicidades, ou seja lá o que ocorreu à cabeça dos senhores juízes, acontecem decisões das mais surpreendentes e questionáveis. Cacciola foi libertado e aconteceu o óbvio: o réu fugiu do Brasil e levou anos para ser repatriado. PC Farias também fugiu, foi capturado em um país do sudeste asiático. Ficou poucos meses na cadeia e ganhou a liberdade "por bom comportamento". Bom comportamento? O "cara" havia fugido da Justiça. Quanto custou a sua captura e repatriação? Deu no que deu: acabou assassinado enquanto usufruia a sua bela casa na praia.

No caso dos outros poderes públicos, quando a autoridade comete erros, existem formas de apuração e punição. No Executivo, são fiscalizados pelo povo (através do voto), pelos Tribunais de Contas, pelo Ministério Público, etc. No Legislativo, também existem mecanismos de controle e o voto dos eleitores também deveria punir os maus parlamentares. E no Judiciário? Qual o mecanismo de controle cidadão?

Infelizmente, a Justiça no Brasil tarda e tem sido muito falha. E isso é muito grave. A Justiça é a forma de se fazer valer direitos individuais e coletivos. Se paira sobre a sociedade a sensação de que o Judiciário é falho, como fazer valer direitos individuais e coletivos? Como manter-se então o estado de direito e a democracia?

Enfim, nos casos de crimes ambientais, a situação não poderia ser diferente do que acontece nos outros segmentos do direito. Precisamos de uma Justiça renovada, com controle social e com instâncias especializadas, capazes de agir com mais eficiência em situações complexas como são as causas ambientais. Precisamos de Juizados Ambientais, instância com juízes especializados.

No mais, no que se refere especificamente ao caso do acidente da REDUC de 2000, se o caso termina "sem culpados", pelo menos a sociedade viu nascer ali uma nova Petrobras, mais responsável e mais preparada para a gestão ambiental preventiva e corretiva. A notória arrogância pré-acidente deu lugar a uma Petrobras ambientalmente competente e engajada, com uma das melhores equipes ambientais do país. De certo, a maior punição aplicada à empresa naquele episódio foi o prejuízo à sua imagem. Basta verificar-se o quanto a empresa investe em imagem, e quanto ela perdeu apenas com aquela comovente imagem registrada por Domingos Peixoto (publicado em O Globo, em 19/01/00) do agonizante biguá lambuzado de óleo? Aquela imagem correu o mundo e estará associada à imagem da Petrobras talvez para sempre. Quanto custa isso? Se a nossa Justiça não é capaz de fazer justiça, a opinião pública fez a sua parte.

Axel Grael

SLAM entra em vigor no dia 1 de fevereiro

NOVO SISTEMA DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL ENTRA EM VIGOR NA SEGUNDA-FEIRA
29/ 01/ 2010

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea), órgão executivo da Secretaria do Ambiente, implanta a partir da próxima segunda-feira (01/02) o novo Sistema de Licenciamento Ambiental (SLAM) do Estado do Rio de Janeiro, cujo decreto (42.159/09) foi sancionado pelo governador Sérgio Cabral em novembro do ano passado. A nova dinâmica visa a tornar mais ágil e eficaz a regularização das mais diferentes atividades que o antigo Sistema de Licenciamento de Atividades Poluidoras (SLAP), instituído em 1977, ainda não previa.
Antes totalmente vinculado à atividade industrial, o sistema de licenciamento foi reformulado para atender à modernização das atividades. O conceito atual incorporou a necessidade de se licenciar qualquer empreendimento que interfira no meio ambiente.
Dentro do novo modelo foram criadas classes distintas para enquadramento das atividades instaladas no Estado de acordo com o porte e o potencial poluidor. Empreendimentos com potenciais poluidores insignificantes serão classificadas no nível 1, e precisarão preencher apenas um cadastro para receber uma certidão de inexigibilidade de licenciamento. Para atividades de baixo impacto foi o criado o licenciamento ambiental simplificado, com uma única autorização para as etapas de localização, de implantação e de operação. Em relação aos empreendimentos de maior impacto, uma das principais novidades é o estabelecimento do responsável técnico que é quem garantirá o cumprimento de todas as condicionantes correspondentes à atividade da empresa.
O sistema atual prevê ainda a prorrogação dos prazos de licenciamento; novos procedimentos de renovação e tipos de licenças como a Licença de Instalação e Operação (LIO), a Licença Ambiental de Recuperação (LAR) e a de Regularização, para atividades instaladas há muitos anos.
Com as reformulações promovidas pelo novo SLAM, a expectativa é de que licenças mais simples sejam emitidas num prazo de três a seis meses e as que exigem estudo de impacto ambiental levem no máximo um ano para serem expedidas. Outra diferença é que empresas que promovem programas voluntários no setor poderão ter reduzidos os custos do licenciamento. Tipos de licenças ambientais estabelecidas pelo SLAM:

Licença Prévia – LP
Concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento, aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo as condicionantes a serem atendidas nas próximas fases de sua implantação.Em função da magnitude das alterações ambientais efetivas ou potenciais decorrentes da implantação de determinados tipos de empreendimentos, esses têm seu licenciamento condicionado à realização de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e seu respectivo Relatório de Impacto Ambiental (Rima), conforme disposto na Resolução Conama nº 001, de 23/01/1986, na Lei Estadual n° 1.356/88 e suas alterações, e na DZ-0041.R-13 – Diretriz para Realização de Estudo de Impacto Ambiental – EIA e do respectivo Relatório de Impacto Ambiental – Rima

Licença de Instalação – LI
Autoriza a instalação do empreendimento de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes.
A LI pode autorizar a pré-operação, por prazo especificado na licença, visando à obtenção de dados e elementos de desempenho necessários para subsidiar a concessão da Licença de Operação.

Licença de Operação – LO
Expedida após a verificação do efetivo cumprimento do que consta nas licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e demais condicionantes determinadas para a operação.

Licença Ambiental Simplificada – LAS
Concedida em uma única fase, atesta a viabilidade ambiental, aprova a localização e autoriza a implantação e/ou a operação de empreendimentos ou atividades enquadrados na Classe 2, definida na Tabela 1 do Decreto 42.159/09, estabelecendo as condições e medidas de controle ambiental que deverão ser observadas.

Licença Prévia e de Instalação – LPI
Atesta a viabilidade ambiental de empreendimentos e, concomitantemente, aprova sua implantação, quando a análise de viabilidade ambiental da atividade ou empreendimento não depender elaboração de EIA/Rima nem RAS, estabelecendo as condições e medidas de controle ambiental que deverão ser observadas.

Licença de Instalação e de Operação – LIO
Aprova, concomitantemente, a instalação e a operação de empreendimentos cuja operação represente um potencial poluidor insignificante, estabelecendo as condições e medidas de controle ambiental que devem ser observadas na sua implantação e funcionamento.

Licença Ambiental de Recuperação – LAR
Aprova a remediação, recuperação, descontaminação ou eliminação de passivo ambiental existente, na medida do possível e de acordo com os padrões técnicos exigíveis, em especial aqueles em empreendimentos fechados, desativados ou abandonados.

Licença de Operação e Recuperação – LOR
Autoriza a operação do empreendimento concomitante à recuperação ambiental de passivo existente em sua área, caso não haja risco à saúde da população e dos trabalhadores.

Da Assessoria de Comunicação do INEA

______________________

Comentário de Axel Grael:

O SLAM - Sistema de Licenciamento Ambiental, instituído pelo Decreto 42159, substitui o SLAP - Sistema de Licenciamento de Atividades Poluidoras criado por iniciativa da FEEMA, em 1977. O SLAP foi uma medida pioneira no país e serviu de base para os procedimentos adotados nos demais estados e mesmo no nível federal, pela Lei 6938/81. O problema foi que os demais estados aprenderam com a FEEMA e aperfeiçoaram os seus sistemas. Passaram-se as décadas e o Estado do Rio de Janeiro ficou defasado das melhorias dos procedimentos que já vigoravam em outras unidades da Federação. Muitos daqueles procedimentos são agora introduzidos no RJ pelo SLAM. Portanto, a chegada do SLAM deve ser comemorada. Juntamente com a criação do INEA, é um importante passo para a melhoria do sistema de licenciamento ambiental.

CECA: Para que melhorássemos ainda mais, falta a extinção da CECA ou a mudança das suas atribuições atuais. A CECA - Comissão Estadual de Controle Ambiental também foi um importante avanço e uma iniciativa pioneira quando foi criada. A CECA foi instituída durante o período ditatorial, quando o poder público não cogitava dividir as suas decisões com a Sociedade. Por isso a CECA foi um avanço. Ela era uma instância colegiada que tomava decisões sobre licenças e normas ambientais, um fato ainda raro, ou quem sabe inédito na administração pública do país até então. O problema, é que a CECA representou o avanço possível para aquela época. Era um colegiado que tinha como representantes apenas conselheiros indicados por órgãos públicos. Ou seja, era um colegiado "chapa branca". Os tempos mudaram, os outros estados que copiaram o sistema ambiental do estado mais uma vez foram a frente e criaram Conselhos Estaduais de Meio Ambiente com representantes da sociedade civil, universidades, municípios e do setor produtivo. Muitos estados chegaram até mesmo a contar com conselhos com a sua composição paritária, ou até tripartite, como no caso da Bahia: governo, sociedade civil e setor empresarial.

O Rio só alterou a composição da CECA no início da gestão de Sérgio Cabral, quando o secretário do Ambiente era o atual ministro Carlos Minc. Foram aceitos na CECA representantes convidados (não eleitos) da sociedade civil, das universidades e da Firjan. Foi um avanço.

O problema é que ainda temos um sistema imperfeito. Temos uma CECA que se coflita com o CONEMA. E a primeira, pelas atribuições que tem, conflitantes com o segundo, acaba diminindo muito a importância do CONEMA. or isso, somos pela extinção da CECA. As decisões que hoje cabem à CECA seriam repasados para o Conma, que é uma instâcia muito mais democrática e proporcional quanto à sua composição. Com isso, teríamos um sistema de licenciamento ambiental e de lastreamento de políticas públicas constituido coo um instrumento de estado e não um instrumento de governo.

Nos livraríamos, assim, de uma vez por todas, das gestões personalistas e excessivamente "fulanizadas" que foram tão deletérias às políticas públicas ambientais ao longo da história recente do Estado do Rio de Janeiro.

30/01/10.
Axel Grael

ESCLARECIMENTO SOBRE O TEXTO: "Túnel Charitas-Cafubá: um equívoco que aumentará os problemas de trânsito em Niterói", publicado em 2010, antes de existir a concepção da TransOceânica


 
Setembro de 2014.
 
ESCLARECIMENTO #2


O melhor antídoto para os boatos é a informação.
 

Considerando que certas pessoas estão agindo de má-fé e mais uma vez divulgam de forma distorcida uma postagem que publiquei há mais de quatro anos (em janeiro de 2010!), venho prestar esclarecimentos para afastar as tentativas de produzir boatos, restabelecendo a verdade dos fatos.
 
Na ocasião em que redigi o texto (2010), me coloquei contrário ao então projeto de um túnel entre Charitas e Cafubá, conforme anunciado e publicado pela administração municipal daquela época.

REITERO: Não retiro qualquer palavra das críticas que fiz na ocasião contra o velho projeto do túnel Charitas-Cafubá e não há qualquer contradição entre a minha posição de então e o meu empenho atual em ajudar a planejar e implantar a TransOceânica!

Por pura mediocridade, procura-se gerar confusão entre aquela iniciativa - já descartada - com o atual projeto.

"... não há comparação entre a moderna TransOceânica e o velho e equivocado projeto do túnel".

 
Veja no esclarecimento abaixo que os dois projetos são tecnicamente distintos e diametralmente opostos quanto à sua concepção:
 
- VELHO PROJETO DO TÚNEL CHARITAS-CAFUBÁ (projeto que nunca saiu do papel)
 
Era apenas uma obra viária: um túnel para o automóvel! Reafirmo a crítica que fiz então: "o projeto era atrasado, de concepção rodoviarista, com um foco restrito e pontual e que, de fato, agravaria os problemas de trânsito na cidade". Aquele projeto não prosperou, tinha vícios de legalidade, jamais teve a sua engenharia detalhada, nunca contou com uma fonte de financiamento para executa-lo e sequer obteve uma licença ambiental. No apagar das luzes da gestão passada, foi feita uma concessão para a iniciativa privada que permitiria a cobrança de um pedágio com custo estabelecido na época de R$ 4,50 em cada sentido (seriam R$ 9 para a ida e volta, a serem pagos para utilizar-se um túnel de pouco mais de 1 km). O projeto foi rejeitado pela população, considerado contra os interesses do Município e foi devidamente arquivado. Niterói salvou-se de um grande equívoco.
 
 
- TRANSOCEÂNICA (projeto atual, concebido na gestão do atual prefeito Rodrigo Neves, com a minha participação e que se encontra em fase de implantação):
 
Trata-se de uma avançada solução de mobilidade, com prioridade para um sistema de transporte coletivo concebido na modalidade BHLS (saiba o que é o BHLS). A TransOceânica será o primeiro BHLS da América do Latina. Quando em operação (2016), transportará 78 mil passageiros/dia, numa pista exclusiva de 9,3 km, entre o Engenho do Mato e a futura Estação Multi-Modal de Charitas, contando ainda com 13 estações para embarque/desembarque de passageiros.

Em Charitas, o passageiro terá a opção de dirigir-se por via hidroviária ao Rio de Janeiro (catamarã) e, num futuro próximo, de VLT até o Centro de Niterói.
 
O túnel, conforme previsto agora, é um dos diversos equipamentos que compõem a TransOceânica. Terá duas galerias, contando com pistas exclusivas para o transporte coletivo (prioridade do sistema), duas pistas para veículos convencionais e uma ciclovia.
 
 
 
 
Com a TransOceânica, que contará com ciclovias ao longo do seu traçado, o governo municipal implantará uma malha cicloviária na Região Oceânica com mais de 50 km de ciclovias. Este projeto será implantado através do PRO-Sustentável (Programa Região Oceânica Sustentável), que investirá 100 milhões de dólares em infraestrutura e projetos de sustentabilidade para a mesma região.
 
Logo, verifica-se que a TransOceânica traz consigo uma concepção de desenvolvimento, com um conjunto de investimentos em infraestrutura e meio ambiente que elevarão a região a um novo patamar de qualidade de vida e sustentabilidade. 
 
Portanto, não há comparação entre a moderna TransOceânica e o velho e equivocado projeto do túnel. Distorcer fatos para levantar esse tipo de dúvida só atende a desejos mesquinhos e a certos interesses partidários menores, que pretendem confundir o cidadão niteroiense que há décadas espera por soluções para os problemas da mobilidade e que só agora se tornam realidade.
 
Vamos Niterói!
 
Axel Grael
Vice-prefeito
 
-----

SAIBA MAIS SOBRE A TRANSOCEÂNICA:

Para saber mais sobre a TransOceânica e suas vantagens. Nesse link, você poderá fazer o download do EIA / Rima aprovado pelo INEA, com todos os detalhes sobre a TransOceânica e seus cuidados ambientais.

Para acessar uma esclarecedora apresentação sobre a TransOceânica, clique aqui.

 
--------------------------------------------
 


ESCLARECIMENTO #1:

publicado em 24 de junho de 2013.



ERROS DO PROJETO DO TÚNEL CHARITAS-CAFUBÁ SÃO CORRIGIDOS COM A TRANSOCEÂNICA



Saiba como a TransOceânica substituirá com muitas vantagens o antigo projeto do túnel

O texto abaixo foi postado originalmente em 2010 e eu reafirmo todas as minhas opiniões de então sobre a proposta equivocada então apresentada pela Prefeitura, na gestão anterior, para a implantação do túnel Charitas-Cafubá. Você verá, a seguir, as diferenças entre aquela proposta do túnel e o que estamos providenciando agora.

Na gestão de Rodrigo Neves, os problemas da concepção rodoviarista do túnel, conforme foi apresentado na gestão passada, foram corrigidos com a concepção do projeto do BRT da TransOceânica, iniciativa da qual eu sou o coordenador, por designação do prefeito.

A TransOceânica ligará Charitas ao Engenho do Mato, contando com um túnel entre Charitas e o Cafubá.

A diferença é que o projeto anterior era um projeto rodoviarista, com prioridade para o trânsito de automóveis, mediante a concessão do túnel para a iniciativa privada por um prazo de 30 anos, com a cobrança de um pedágio de R$ 9,00, sendo R$ 4,50 em cada sentido. Provavelmente, este seria a maior tarifa/km do país. Vale lembrar que o túnel então concebido teria 1,3 km. Compare o preço do pedágio previsto com o atualmente cobrado pela Ponte, que é de R$ 4,90 (cobrado apenas no sentido Niterói) para uma ponte de 13 km.

O túnel anterior previa apenas duas pistas em cada sentido. O túnel da TransOceânica não terá pedágio, terá três pistas em cada sentido, sendo uma exclusiva para o BRT. Há ainda a previsão de uma ciclovia pelo túnel. Para que o ciclista possa atravessá-lo de forma saudável e segura, estuda-se a melhor solução de ventilação da ciclovia. E a TransOceânica não é apenas um túnel, mas um equipamento que permitirá que o passageiro desloque-se com conforto e na metade do tempo entre o Engenho do Mato e Charitas, podendo embarcar em estações e terminais intermediários.


O túnel da TransOceânica não terá pedágio, terá três pistas em cada sentido, sendo uma exclusiva para o BRT. Há ainda a previsão de uma ciclovia pelo túnel. Para que o ciclista possa atravessá-lo de forma saudável e segura, estuda-se a melhor solução de ventilação da ciclovia.


A TransOceânica contará ainda com linhas troncais que facilitarão o deslocamento dos bairros da Região Oceânica aos seus equipamentos. Estão previstos também ciclovias e bicicletários nas estações.

Portanto, a TransOceânica, por dar prioridade para o transporte coletivo, é uma solução de mobilidade para a população da Região Oceância, com consequências positivas para toda a cidade.

Apesar do governo passado ter oficializado a concessão do túnel Charitas-Cafubá, a obra não tinha verba destinada pelo governo ou captada pela concessionária. A obra não tinha nem mesmo licenca ambiental para ser executada. A TransOceânica já possui uma verba de R$ 292 milhões aprovada, o detalhamento do projeto já está sendo contratado, o licenciamento ambiental já está sendo providenciado pela Prefeitura junto ao INEA e uma série de outros estudos estão sendo realizados.

A TransOceânica não é a única solução de mobilidade a ser implantada pelo atual governo municipal. Também estão sendo planejados um VLT entre Charitas e o Centro de Niterói, a TransNiterói, que ligará o Largo da Batalha à Ponte e ao Centro da cidade e várias outras soluções locais. A Prefeitura também faz gestões junto ao governo do estado para que a ligação hidroviária entre Charitas e a Praça XV ocorra com tarifas mais adequadas.

Portanto, a TransOceânica é parte de um planejamento para dotar Niterói de uma alternativa multimodal para o transporte coletivo, melhorando significativamente os problemas atuais de engarrafamentos diários que atormentam os niteroienses.

 
Axel Grael
 
 

---------------------------------------------------------
 
 
Texto original publicado no Blog do Axel Grael em janeiro de 2010. Referia-se ao velho projeto do túnel, substituído pela TransOceânica.
 

 
Túnel Charitas-Cafubá: um equívoco que aumentará os problemas de trânsito em Niterói



Ilustração do RIMA. Observe que se refere a apenas um túnel, sem ter um plano de mobilidade como na TransOceânica.


MINHA OPINIÃO:

Para os niteroienses, em particular, vale conferir com um olhar bem crítico o Relatório de Impacto Ambiental e o Estudo de Impacto de Vizinhança do Túnel Charitas-Cafubá. Os relatórios estão disponíveis para download no site do INEA: http://www.inea.rj.gov.br/fma/download_rima.asp

O objetivo da obra, segundo os seus defensores, é fazer a ligação viária entre a Região Oceânica de Niterói e Charitas, sob o argumento de escoar o trânsito entre aquela região e o Centro de Niterói e o acesso à Ponte Rio-Niterói.

É a nossa opinião que, para esse objetivo, a iniciativa será inócua. O grande gargalo na hora do "rush", entre a Região Oceânica e Icaraí (que dará acesso por sua vez à Ponte e o Centro de Niterói), é o Túnel São Francisco-Icaraí. Ali está o "funil" para onde se dirige praticamente todo o fluxo de veículos. Quem mora em São Francisco ou costuma fazer o trajeto pela Avenida Franklin Roosevelt, sabe do trânsito intenso e dos engarrafamentos constantes nas manhãs e no horário de "volta das praias".

O Túnel Charitas-Cafubá levará os motoristas para o mesmo ponto de estrangulamento que é o Túnel e a Avenida Roberto Silveira. Portanto, consideramos que o Túnel Charitas-Cafubá apenas fará com que o cidadão chegue mais rápido ao engarrafamento.

Além disso, ao aumentar a expectativa de comodidade a obra estimula mais o transporte individual, o que agravará os problemas de trânsito. Niterói, de certo, tem outras prioridades para a melhoria da infraestrutura de transporte.

Dizem também que o Túnel facilitaria o acesso e estimularia o uso do sistema de catamarãs da linha Charitas-Praça XV. Ora, o sistema está saturado. Colocar mais embarcações poderia ajudar? É verdade. Mas, onde as pessoas colocariam seus automóveis? Na época do licenciamento da Estação de Charitas, a Prefeitura prometeu que resolveria o problema do estacionamento com um sistema eficiente de conexões por ônibus que evitariam que as pessoas precisassem ir de carro para a Estação. E o que vimos? Não é o que aconteceu. O que vemos é uma vergonhosa apropriação indevida dos ônibus da via pública. As proximidades da estação de Charitas virou uma garagem de ônibus ao ar livre. E nem assim as pessoas vão de ônibus para a Estação. A longa fila de carros ao longo das calçadas comprovam isso.

AS SOLUÇÕES RODOVIARISTAS, BASEADAS NO TRANSPORTE INDIVIDUAL, NÃO SÃO MAIS COMPATÍVEIS COM A SATURAÇÃO DA MALHA VIÁRIA DA CIDADE.

A insistência na solução rodoviarista é extemporânea e equivocada. A cidade não comporta mais a aposta no transporte individual. O mundo inteiro está mudando, como já nos referimos aqui no Blog no artigo "Carros saindo de cena?" (http://axelgrael.blogspot.com/2010/01/carros-saindo-de-cena.html). No artigo, citamos um recente relatório que mostra que, em 2009, a frota de veículo nos EUA (o país do automóvel) diminuiu pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial. Isso aconteceu por vários motivos, mas o novo planejamento das cidades que privilegia o transporte alternativo, coletivo e intermodal livra as cidades da ditadura dos automóveis, que rouba espaço dos moradores, das áreas verdes e do lazer. Além disso, as emissões dos veículos são a principal causa da poluição do ar nas regiões metropolitanas.

Que a construção do Túnel Charitas-Cafubá seja repensada!!!

Axel Grael
 


Grandes veleiros 2010

Bandeira do Brasil hasteada no Cisne Branco.

Começa no domingo, dia 31/01/10, um evento inesquecível para os amantes do mar. O Rio de Janeiro receberá uma flotilha de nove navios a vela, em um espetáculo que devolverá à Baía de Guanabara um cenário que ostentava há séculos atrás. O evento reúne os barcos-escola de países latino-americanos e da Espanha. Estarão no Rio de Janeiro as seguintes embarcações: Cisne Branco (Brasil), Libertad (Argentina), Esmeralda (Chile), Gloria (Colômbia), Guayas (Equador), Elcano (Espanha), Cauahtemoc (México), Capitán Miranda (Uruguai) e Simon Bolívar (Venezuela). Conforme a programação, os navios estarão na Barra da Tijuca (altura da Av. Ayrton Senna) às 10h, Ponta da Joatinga às12h, Leblon (altura da Av. Bartolomeu Mitre), às 13h, Forte de Copacabana, às 13h30, Pontal do Leme, às 14h30, Escola Naval, às 15h e, enfim, no Píer Mauá, às 15h30. De segunda a sábado, as embarcações estarão abertas à visitação pública e gratuita, no Píer Mauá. No domingo, dia 7 de fevereiro, os navios deixarão o cais às 9h e às 11h, quando será dada a largada, em frente à Escola Naval, da Regata Internacional Velas Sudamérica. A competição, que se inicia no Rio de Janeiro, levará os barcos a uma travessia de circunavegação da América do Sul e, após cruzar o Canal do Panamá, os barcos chegarão ao destino final, em Veracruz, no México, entre os dias 23 a 28 de junho. Vale à pena comparecer e prestigiar o evento. Esses barcos, além de belíssimos, simbolizam a tradição das marinhas de seus países. Apesar de muitos terem sido construídos recentemente e contarem com equipamentos modernos, ainda são velejados à moda antiga, com os seus mastros, vergas e velas múltiplas. Ainda hoje, é a bordo desses barcos, que os jovens aspirantes, recém saídos da Escola Naval, fazem a sua viagem inaugural pelos mares do mundo.

Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 30/01/10. A Coluna é publicada aos sábados. www.ofluminense.com.br

Marinha disponibiliza RIMA de Base de Submarinos na Baía de Sepetiba

A Marinha do Brasil disponibilizou em seu site (www.mar.mil.br) o Relatório de Impacto Ambiental do projeto de implantação do Estaleiro e Base Naval para a Construção de Submarinos Convencionais e de Propulsão Nuclear. O documento disponibilizado é a versão resumida e dedicada ao público do EIA - Estudo de Impacto Ambiental, apresentado ao IBAMA para análise, visando o licenciamento ambiental do empreendimento. A Marinha pretende implantar o Estaleiro e Base Naval na localidade conhecida como Praia do Inglês, na Ilha da Madeira, em Itaguaí, nas proximidades do Porto de Itaguaí, onde se concentram os maiores investimentos em fase de implantação ou em planejamento no Estado do Rio de Janeiro, como por exemplo a CSA - Companhia Siderúrgica do Atlântico - e vários empreendimentos portuários voltados para a exportação de minério. Juntos, esses empreendimentos de grande porte transformarão a paisagem, a economia e o meio ambiente daquele trecho do litoral e da Baía de Sepetiba. Para a implantação do Estaleiro e da Base Naval, a Marinha fará um aterro hidráulico de 640 mil m2 sobre o espelho d’água da Baía e fará uma dragagem de 340 mil m3, além de implantar dois grandes molhes para a proteção e docagens.

Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 30/01/10. A Coluna é publicada todos os sábados.

Acidificação dos oceanos: uma grande ameaça



Nas discussões sobre os problemas das mudanças climáticas, sempre se ressalta a importância dos oceanos como os maiores sorvedores dos excessos de carbono da atmosfera, absorvendo o correspondente a cerca de um terço de todo o carbono emitido pela queima de combustíveis fósseis em todo o mundo. O que os cientistas concluíram agora é que os oceanos pagam um elevado preço por salvar o mundo de consequências ainda mais graves com o efeito estufa. Um relatório publicado pela organização científica Oceana comprova que a acidez dos mares aumentou em mais de 30% desde o início da Revolução Industrial e que o principal motivo são as reações químicas causadas pela presença do CO2. Os recifes de corais são os ecossistemas que mais sofrem com a mudança, mas também são apresentados impactos que reduzem os estoques pesqueiros. Também são previstos prejuízos ao turismo. O relatório apresenta um mapa em que mostra a vulnerabilidade dos países do mundo à acidificação marinha. Praticamente toda a Ásia e a Oceania (ou seja, da Rússia à Austrália e Nova Zelândia), a Europa e toda a América do Norte são considerados muito vulneráveis. Na América do Sul, Peru, Equador e Venezuela são os países mais vulneráveis. O Brasil aparece como também vulnerável, mas um pouco menos do que os demais.

Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 30/01/10.

Canoagem: sob nova direção

A Federação de Canoagem do Estado do Rio de Janeiro elegeu uma nova diretoria. Os canoístas contam agora, na presidência da instituição, com a atleta Sueli Sabina Thurow, atual campeã brasileira de Canoagem de Descida e educadora com pós-graduação em psicopedagogia. Entre as prioridades da nova gestão está a recuperação administrativa e financeira da Federação, mas, sobretudo, desenvolver uma estratégia de massificação do esporte e descoberta de talentos, visando a Rio 2016. Segundo Sueli, a canoagem no Estado do Rio de Janeiro terá três pólos de desenvolvimento: Macaé, onde está hoje sediada a federação, com completa infraestrutura para o crescimento das mais diversas modalidades de canoagem; Angra dos Reis, município conhecido pela realização de eventos de Canoagem Oceânica; e a Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, tradicional local de grandes eventos de Canoagem Velocidade.

Da Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Publicado todo sábado, em O Fluminense, Niterói, 30/01/10.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Leitor do Blog traz um interessante debate sobre tema do texto postado em dezembro. Veja abaixo e participe do debate também.


Foto do Sambaqui da Duna Grande, na orla da Lagoa de Itaipu. Esse inestimável patrimônio histórico e cultural é protegido por legislação específica e que, conforme preconizado pelo Projeto de Lei 2430/09, será incluído na área protegida que será administrado pela equipe do Parque Estadual da Serra da Tiririca. O sambaqui de Camboinhas foi criminosamente destruído pela VEPLAN e não podemos permitir que o mesmo ocorra com o de Itaipu.


Ambientalistas e moradores de Niterói vão se reunir novamente na ALERJ na terça feira, às 16 horas, para defender a aprovação do Projeto de Lei que amplia o Parque Estadual da Serra da Tiririca, para englobar as áreas consideradas de Preservação Permanente e os sítios arqueológicos no entorno da Lagoa de Itaipu sejam administradas pela equipe do Parque. Os deputados Marcelo Freixo, Luiz Paulo Correa da Rocha, Rodrigo Neves, Comte Bittencourt, André Correa e Paulo Ramos já se posicionaram a favor do Projeto de Lei. Representante da comunidade estão certos que obterão mais apoios para a aprovação do Projeto de Lei. Há uma forte pressão das empresas imobiliárias para que a área possa ser liberada para o uso urbano, mas isso não é possível perante a legislação ambiental já em vigor. A nova lei apenas dará um melhor ordenamento administrativo para a área.


Da Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói-RJ. 12 de dezembro de 2009.
---------------------------
Texto postado por Maurício Nascimento.
Prezado Sr. Grael,
Meus cumprimentos. Admiro seu trabalho e dedicação a esta nobre causa, desde muito antes de a mesma tornar-se tão emergente e urgente. Tenho tentado ajudar a conscientizar algumas pessoas para a questão, mas confesso que, por ser leigo, não esperava encontrar argumentos tão polêmicos do outro lado. Estive com pessoas com quem introduzi o tema e as mesmas insistiram em me levar a Prefeitura para discutir o assunto, sob o argumento de que para ter opinião respeitada sobre alguma coisa na vida era necessário sempre ouvir os dois lados, ate para não cometer injustiças com potenciais pessoas de bem, pais de família, profissionais honrados e que se orgulham do que fazem. Fui. E fui muito bem recebido. Lá disseram que o PUR, quando ainda projeto de lei, havia sido conduzido por técnicos de diversas áreas, inclusive biólogos, que teriam levado em conta questões como assentamentos irregulares, mares, nascentes de rios, espécies a serem preservadas e outras das quais não me lembro agora. Enfim, mostraram-me as premissas ambientais que nortearam o PUR, disseram que o que chamaram de Parque Municipal do Bosque Lagunar de Itaipu, criaria o maior Parque Ambiental Urbano da América Latina e disseram algo que não me saiu da cabeça ate agora: "As populações das cidades vão crescer, queiramos ou não A diferença que podemos fazer é nos prepararmos para este crescimento. Se prédios de 05 pavimentos fossem liberados agora, daqui a 300 anos eles seriam prédios de 05 pavimentos. Basta olhar para prédios deste tamanho ate hoje em Copacabana, Ipanema, Av. Paulista, Miami, Nova Iorque, Chicago, Paris ou qualquer outra grande cidade. Os pequenos prédios resistem a pressão nos preços dos imóveis porque não têm um dono só. Seria impossível conseguir negociar com todos ao mesmo tempo. De outro lado não se pode garantir que as casas que queremos preservar por aqui, serão casas daqui há 20 anos. A pressão não é das construtoras, mas da demanda da classe media, que só faz crescer, junto com as populações das cidades, e que faria os preços das casas daqui atingirem preços inviáveis. Negar isto seria negar a historia da Evolução das Cidades a partir do declínio do sistema feudal. Esta pressão tornaria necessário um novo Plano Urbano, que permitisse equilibrar estes preços e esta demanda, este sim com gabaritos devastadores de 20 pavimentos."Confesso que este raciocínio me fez refletir...
Colocaram as seguintes questões as quais gostaria, caso fosse possível, o senhor me ajudasse a responder:
1- Por que não discutir o sistema viário da região oceânica para opções como ciclovias e VLT ?
2- Que as construtoras querem fazer os prédios do lado de Camboinhas, atrás do Apart-hotel Porto Itaipu, área que não tem nada a ver com o Sambaqui e que os ambientalistas estão misturando as informações para induzir a população a acreditar que esta tudo no mesmo bolo. É fato?
3- Me mostraram o projeto desta área dos prédios. Pelo que pude ver são aproximadamente 70 lotes para prédios com 50 apartamentos cada, o que resulta em 3.500 apartamentos, e não 300 prédios com 20 mil apartamentos, como mostra uma imagem na pagina do CCRON na Internet. É possível?
4- Disseram que seriam feitas ciclovia respeitando a Faixa de Proteção Marginal da Lagoa, passarelas em madeira e área para educação ambiental, para que as pessoas possam conhecer o que devem preservar. Que acha destas colocações?
Desde já agradeço sua paciência e atenção.
Mauricio Nascimento
----------------
Minha resposta ao Maurício:
Prezado Maurício.
Agradeço muito a sua mensagem, parabenizo a sua atitude de busca de informações e a boa argumentação que você traz ao debate. Elogio a sua atitude, pois também procuro entender essas questões sem o maniqueísmo que, infelizmente, é comum nesses enfrentamentos.
Quanto aos argumentos, gostaria inicialmente de dizer que chamar a área remanescente sem ocupação no entorno da Lagoa, caso adotássemos o critério da Prefeitura, jamais seria o maior parque urbano da América Latina. Nem se contássemos com o espelho d'água da lagoa. O município vizinho do Rio de Janeiro possui áreas infinitamente maiores (Parque da Pedra Branca, Tijuca). Brasília, também.
O argumento que prédios de 5 andares são mais "duradouros" nas cidades que as residências unifamiliares é um argumento melhor. Mas, não acho que estejam imunes a "essas forças de mercado". Também não acredito que sejam verdadeiros os argumentos que prédios de 5 andares estejam resistindo no Rio de Janeiro e em outras cidades. No Rio, vemos a toda hora as notícias de disputas judiciais contra as regras das APARU's que pretendem justamente manter essas construções que garantem a atmosfera e a ambiência característica dos bairros. Quantos prédios multifamiliares, pequenos, já foram postos no chão em Icaraí e Santa Rosa? Infelizmente, não acredito no pureza altruísta e nas boas intenções urbanísticas dos empreendedores imobiliários. São o que são. Jamais serão ambientalistas, como nós ambientalistas teríamos dificuldade para sermos empreendedores imobiliários, ou "developers", como são chamados em muitos países, da forma como essa atividade é praticada (predatória), principalmente em Niterói. Ambos os perfis, têm as suas motivações e são atores sociais importantes e necessários no debate democrático da cidade.
Lamentavelmente, o que nos falta são as adequadas instâncias de mediação, de concertação. Os conselhos e outras instâncias participativas, inclusive aquelas que aprovaram o PUR, ainda carecem de maior legitimidade. Você deve concordar comigo que, infelizmente, as decisões mais importantes não são tomadas nesses fóruns, mas nos bastidores, em gabinetes. Ou seja, longe dos espaços de negociação participativa.
Quanto ao que defendemos sobre a incorporação dessas áreas no entorno da Lagoa de Itaipu ao Parque Estadual da Serra da Tiririca, os motivos mais importantes são os seguintes:
- Essas áreas já são consideradas como APP - Área de Preservação Permanente pela legislação ambiental em vigor. Portanto a edificação na área, seja com prédios de um, cinco ou vinte andares, é ilegal.
- Se por força da lei, a área tem vocação exclusiva para a proteção de ecossistemas, a incorporação da mesma ao Parque Estadual da Serra da Tiririca é apenas a forma administrativa de gerir a sua proteção.
A luta continua e que o debate nunca deixe de existir.
Axel Grael

Matriculas abertas no Projeto Grael

Aluno do Projeto Grael participa de atividade do Programa Terra a Vista, retirando lixo flutuante da Baía de Guanabara.


14 cursos gratuitos no Projeto Grael

A partir do dia 25 de janeiro, alunos matriculados no ensino público poderão se inscrever nos 14 cursos oferecidos pelo Projeto Grael, em Niterói.

Quem pode participar? O público-alvo são crianças a partir de nove anos e jovens de até 24 anos que estejam cursando ou tenham concluído o ensino médio em escola pública.

Quando? Onde? As matrículas deverão ser feitas de segunda a sexta-feira, das 8h as 17h, na sede do Projeto Grael, na Avenida Carlos Ermelindo Marins, 494 – Jurujuba, Niterói/RJ. Mais informações: (21) 2711-9875 ou secretaria@projetograel.org.br.

Curso oferecidos pelo Projeto Grael:

VELA – é aqui que os jovens aprendem a velejar pela primeira vez. Os cursos oferecidos neste programa são: natação para a vela, Optmist Básico I e II e Optimist Avançado I e II; Dingue Básico I e II e Dingue Avançado I e II

PROFISSIONALIZANTE NÁUTICO – Fibra de vidro, Eletroeletrônica e Refrigeração e Capotaria (costura náutica)

EDUCAÇÃO COMPLEMENTAR– Programa Terra à Vista (meio ambiente), Informática, Biblioteca e Meteorologia.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Meio Ambiente: prioridade do Projeto Grael para 2010

Programa Terra a Vista: ações ambientais com prioridade para a Baía de Guanabara

A prioridade do Projeto Grael para 2010 será o meio ambiente e, em particular, ações práticas que contribuam com a recuperação da Baía de Guanabara. As primeiras ações começarão a gerar resultados já a partir de março. Na concepção do Projeto Grael, as iniciativas fazem parte do Projeto Terra a Vista, que tem como objetivo incentivar o aprendizado e o envolvimento dos alunos do Projeto Grael em atividades práticas que resultem ou contribuam com a melhoria da qualidade ambiental da Baía de Guanabara.

Os principais componentes do projeto são apresentados, a seguir:

Projeto Niterói Água Limpa: parceria Águas de Niterói e o Projeto Grael

A convite da empresa Águas de Niterói, ex-alunos formados no Projeto Grael operarão um barco adquirido pela empresa para recolher o lixo flutuante da Baía de Guanabara. A prioridade de atuação do barco será na orla das praias de Icaraí, Flechas, Boa Viagem e o Gragoatá. O Projeto Grael assumirá a responsabilidade pela gestão e operação do barco, que foi importado da França, especialmente para o trabalho. O barco, modelo Cataglop Light, é construído em alumínio e possui uma tecnologia avançada, que permite uma eficiente retirada do lixo flutuante e, até mesmo, se preciso, hidrocarbonetos (derivados de petróleo, como óleo e outros combustíveis).

Projeto BG Derivadores: parceria da BG Brasil (British Gas), Prooceano, INEA e Projeto Grael.

Alunos do Projeto Grael terão uma rotina de cumprimento de tarefas que incluem o acompanhamento do deslocamento de derivadores, equipamentos que se deslocam pela superfície da água, levados pelas correntes superficiais. Os derivadores emitem sinais (GPS) que são captados por uma central da empresa Prooceano. Além disso, os alunos do Projeto Grael coletarão dados sobre a qualidade da água do mar, assim como dados meteorológicos, que subsidiarão o monitoramento da Baía de Guanabara desenvolvido pelo INEA, órgão ambiental do estado do Rio de Janeiro.

Outras parcerias envolverão o IBG - Instituto Baía de Guanabara, a UFF e o grupo de pesquisa MAQUA, da UERJ, cujos cientistas estudam os botos da Baía.

Velejadores do Rio Yacht Club em três das cinco melhores tripulações do Mundial de Star 2010

Os campeões mundiais de 2010, Percy e Simpson

Torben e Marcelo Ferreira, com Peter Siemsen, recebem o prêmio de terceiro colocado no Mundial.

Lars e Ronnie Seifert em ação.

Lars e Ronnie recebem o prêmio de quarto colocado no Mundial.

Lars e Torben, felizes com a dobradinha dos Grael entre os cinco melhores velejadores do mundo da Classe Star em 2010.

Os velejadores Iain Percy e Andrew Simpson são os vencedores do Campeonato mundial da Classe Star de 2010, que acaba de ser disputada no Rio de Janeiro. Os britânicos, atuais campeões olímpicos, confirmaram o favoritismo e venceram com muito brilho. Na última regata, muito suspense. A vantagem era grande e os únicos que poderiam tomar o título dos ingleses eram os suíços Flavio Marazzi e Enrico de Maria, líderes do ranking da ISAF (Federação Internacioanal de Vela) na classe Star.

Para conquistar o título, teriam que vencer a última regata ou ficar em segundo lugar e os ingleses teriam que ficar numa posição inferior ao 11 lugar. O suspense aconteceu por que boa parte da regata foi liderada por Lars Grael, seguido pelos suíços, em segundo lugar, enquanto os ingleses amargavam uma péssima colocação, bem abaixo do que precisariam. Parecia, naquelo momento, que teríamos uma surpresa, mas, no final, traídos pelo nervosismo e pelos ventos, os suíços não conseguiram sustentar a posição e acabaram caindo para o 12 lugar. Os ingleses, por sua vez, terminaram em 18, posição que acabou confirmando para eles o título, deixando os suíços com o vicecampeonato.
Nas posições seguintes vieram as tripulações niteroienses de Torben Grael/Marcelo Ferreira (terceiro lugar) e Lars Grael/Ronald Seifert (quarto lugar). Uma dobradinha dos irmãos Grael. Foi uma grande performance das duas duplas, pois iniciaram o Mundial muito mal e foram se recuperando ao longo da competição. Lars chegou a estar em 35 lugar. O carioca Alan Adler, que contou com Guilherme Almeida, (do Rio Yacht Club, de Niterói) como proeiro, terminou em quinto lugar na classificação geral. Robert Scheidt e Bruno Prada terminaram em nono lugar.

Com o resultado final, o Rio Yacht Club (Sailing) - o pioneiro, mais tradicional e vitorioso clube náutico de Niterói - terminou com seus velejadores ocupando três das cinco primeiras colocações, comprovando a força de seus atletas no cenário da vela no Brasil e no Mundo. Parabens ao Sailing!
Na cerimônia de entrega de prêmios, uma bela cena. Todos os competidores aplaudiram de pé a performance de Lars Grael, que supera as suas limitações físicas e ainda mostra um resultado de excelente nível nas competições da elite da vela mundial. Em 2009, Lars já havia conquistado a medalha de bronze no Campeonato Mundial realizado na Suécia.

Com base em nota da Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 3/01/10.

Lars Grael faz demonstração durante o Mundial de Star do Barco Solar do Projeto Grael



Lars Grael dá entrevista sobre o barco solar "Peixe Galo", do Projeto Grael.

Barcos solares em disputa

Lars desembarcando do Peixe Galo.

O velejador Lars Grael pilotou o Peixe Galo, barco movido a energia solar montado no Projeto Grael, numa demonstração para os participantes do Campeonato Mundial da Classe Star. Além do Peixe Galo (batizado em homenagem à localidade de Jurujuba onde está a sede do Projeto Grael), participaram os barcos solares Copacabana e Ipanema, ambos da UFRJ, que foram pilotados, respectivamente, pelos velejadores Ross MacDonald (Canadá) e George Szabo (EUA). Os três fizeram uma pequena e divertida regata na frente da sede do Iate Clube do Rio de Janeiro, que foi vencida por Lars Grael.

Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 23/01/10.

Orçamento da área ambiental do RJ ultrapassa meio bilhão de reais

O INEA – Instituto Estadual do Ambiente - comemorou um ano de existência na quinta-feira. Durante o evento, o presidente, Luiz Firmino Martins Pereira, discursou sobre o balanço das realizações e sobre o processo de implantação do novo órgão, que substituiu as antigas FEEMA, SERLA e o IEF. O presidente anunciou que, em 2010, o orçamento da área ambiental do RJ ultrapassará meio bilhão de reais, graças à implantação de novas formas de arrecadação e novos fundos para a gestão financeira dos recursos. Nunca houve tantos recursos disponíveis para o meio ambiente do Estado do Rio de Janeiro. Em seu pronunciamento, a secretária Estadual do Ambiente, Marilene Ramos, afirmou que parte dos recursos serão investidos em benefício da qualidade ambiental da Baía de Guanabara, inclusive na redução do lixo flutuante.

Na ocasião da comemoração do aniversário do INEA, foi inaugurado uma galeria com fotos dos ex-presidentes dos órgãos ambientais que deram origem ao INEA: a Feema, IEF e SERLA.

Foi um momento agradável de reencontro com colegas da FEEMA e do IEF, órgãos que eu tive a honra de presidir.

Da Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 23/01/10.

RJ ultrapassa meta de 10% do território protegido por parques

O INEA acaba de anunciar a criação do Parque Estadual da Costa do Sol, que protegerá remanescentes de ecossistemas de restinga da Região dos Lagos. A grande inovação que o novo parque traz é o fato de ser criado na forma de mosaico, envolvendo 27 fragmentos que, embora próximos, são isolados entre si. Juntas, as áreas somam 5.500 hectares, protegendo regiões dos municípios de Saquarema, Araruama, Arraial do Cabo, São Pedro da Aldeia, Iguaba Grande e Cabo Frio. As prefeituras das cidades envolvidas participarão da gestão do parque em consórcio com o INEA. Essa já é uma experiência consolidada na região, uma vez que, através de um consórcio, esses municípios já alcançaram excelentes resultados na recuperação da Lagoa de Araruama. Com o Parque, o RJ ultrapassará a marca de 10% do território protegido e aumentará a proteção dos ecossistemas da faixa litorânea.

Da Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 23/01/10.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Demonstração de barcos solares no ICRJ

Lars Grael a bordo do Peixe Galo, barco movido a energia solar. Foto Marcelo Rhenius/ Regattapix-ICRJ.

Veja vídeo do programa Globo Esporte (20 de janeiro de 2010) que mostra Lars Grael pilotando o Peixe Galo, barco movido a energia solar montado por instrutores e alunos do Projeto Grael.


A apresentação do Peixe Galo aconteceu durante o Campeonato Mundial da Classe Star, que está acontecendo no Rio de Janeiro, com sede no Iate Clube do Rio de Janeiro. No vídeo você verá uma divertida brincadeira.
  • Lars Grael pilotava o Peixe Galo, do Projeto Grael.
  • Ross MacDonald, canadense e ex campeão mundial, pilotando o Copacabana, da UFRJ
  • George Szabo, americano e atual campeão olímpico, pilotando o Ipanema, da também da UFRJ.

As instituições buscam patrocínio para participar da Frisian Challenge, uma competição de barcos movidos a energia solar, na Holanda.

O barco Peixe Galo, do Projeto Grael, participou do Desafio Solar 2009, em Parati, quando sagrou-se vicecampeão, perdendo apenas para o barco da Universidade Federal de Santa Catarina. Para o evento, o barco solar do Projeto Grael contou com o patrocínio da G-Comex e da Optima Batteries.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Para entender o Haiti

Apresento a seguir a sugestão para a leitura de dois textos importantes para se entender os problemas que levaram o Haiti ao caos, mesmo antes da total ruína imposta pelo terremoto.

Uma história de injustiça e perseguição
No Blog "Ecopolítica", de Sérgio Abranches, você verá uma descrição do processo histórico que massacrou o Haiti, primeiro país a conquistar a sua independência nas Américas. Leia em http://www.ecopolitica.com.br/2010/01/18/pense-no-haiti-reze-pelo-haiti-seja-um-haitiano/


Os dois lados de uma mesma ilha


Outro Blog, intitulado "A ficha caiu", publica o texto "O preço das decisões equivocadas", e faz uma análise da crise humanitária do Haiti sob a ótica da sustentabilidade. Numa interessante comparação entre os dois países que dividem a Ilha de Hispaniola (Haiti e República Dominicana), mostra a diferença entre os impactos ambientais do modelo de desenvolvimento dos dois países que dividem a essa que foi a primeira terra pisada por Colombo nas Américas. A foto acima, obtida no Blog, mas que originalmente é de uma palestra de Al Gore, mostra um trecho da fronteira entre o Haiti e a República Dominicana. O lado direito esquerdo da foto é o Haiti. Enquanto a República Dominicana possui 74 unidades de conservação, cobrindo 32% do seu território. O lado esquerdo, com as montanhas todas desmatadas, é o Haiti. Pressionada por sua triste história, desde a sua origem, foi imposto à população do Haiti a sina de lutar pela sobrevivência da forma mais injusta e insustentável. Ao país restou apenas quatro unidades de conservação, que quase não existem mais. As consequências do processo histórico de devastação pode ser verificado também nos indicadores econômicos. Enquanto a renda per capita de um haitiano é de US$ 1,3 mil (antes do terremoto), a de um dominicano é de US$ 7,4 mil. No Brasil, a renda per capita é de US$ 9,4 mil, para comparar.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Carros saindo de cena?

Engarrafamento na rodovia entre São Paulo e Santos.


Um dos mais influentes ambientalistas do mundo, Lester Brown, presidente do Instituto de Políticas da Terra, publicou um relatório em que anuncia que o amor centenário dos americanos pelos automóveis pode estar diminuindo. Números apresentados no relatório intitulado “Plano B 4.0: Mobilizando para salvar a civilização”, mostram que a frota de veículos nos EUA encolheu em 4 milhões de unidades em 2009. Foram vendidos 10 milhões de carros novos, enquanto 14 milhões foram desmontados e retirados das ruas. Apesar de ser um número tímido perto do tamanho da frota americana – mesmo reduzida, terminou o ano com 246 milhões de veículos - essa seria a primeira vez na história, desde a II Guerra Mundial, que isso aconteceu.

Brown afirma ainda acreditar que a tendência de redução do número de carros deve continuar até 2020. Ao analisar os motivos, o relatório afirma que não foi apenas a crise econômica que desestimulou o afastamento dos carros. A saturação do mercado (existem cinco carros para cada quatro motoristas licenciados nos EUA), insegurança com relação ao petróleo, aumento no preço dos combustíveis, frustração com os engarrafamentos, a crescente preocupação com os impactos climáticos dos veículos com motor a combustão. A queda no interesse pelos carros é maior entre os jovens. O Instituto do Transporte do Texas calculou que os custos dos engarrafamentos nos EUA (desperdício de combustível e tempo) saltaram de US$ 17 bilhões em 1982 para US$ 87 bilhões em 2007.

Você já calculou os seus prejuízos com os nossos congestionamentos diários?

Outras partes do mundo também têm demonstrado essa tendência com relação aos automóveis. No Japão, a venda de automóveis despencou 21% desde 1990. Na Alemanha, conheci um prédio em Berlim, em que os seus moradores venderam seus próprios carros e passaram a usar apenas um veículo de forma partilhada. Lá, há anos a população prefere as ciclovias às ruas de automóveis. No Brasil, mesmo com as cidades já abarrotadas de automóveis, ainda estamos apegados ao rodoviarismo e ávidos por mais carros.

Nessa semana, um alento. O Ministério das Cidades anunciou que investirá R$ 7,68 bilhões em mobilidade urbana nas cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. Somado às contrapartidas estaduais e municipais, os investimentos chegarão a R$ 11,48 bilhões, a serem aplicados em 47 projetos. Os investimentos serão prioritariamente em soluções de transporte mais eficientes.

Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 16/01/10

Dra Zilda Arns, uma grande brasileira

Ainda estamos em meados de janeiro e já temos mais uma grande tragédia a lamentar em 2010: depois de Angra dos Reis/Ilha Grande, São Luis do Paraitinga, São Paulo, Baixada Fluminense e agora o terremoto do Haiti. O flagelo de um povo, cujo sofrimento parece não ter fim, comove a todos.

As cenas do Haiti assustam. O desastre humanitário em um país já tão depauperado e miserável produz cenas comoventes.

Na catástrofe, perdemos uma grande brasileira: doutora Zilda Arns, fundadora e líder da Pastoral da Criança. Assim como outras grandes lideranças sociais brasileiras como Chico Mendes e Betinho, ela era uma bela inspiração para todos, pela sua perseverança, pela qualidade da sua liderança e também pelos seus métodos vitoriosos. Quem atua no movimento social, sabe o quanto é difícil atrair, manter e gerir o trabalho voluntário no Brasil.

A Dra. Zilda sabia perfeitamente como fazê-lo. Diante do drama da desnutrição e da elevada mortalidade infantil no país, valeu-se da grande capilaridade da Igreja na sociedade, arregimentou um exército de 261 mil voluntários, presentes em 4.066 municípios, dando assistência a 1,8 milhões de crianças e 95 mil gestantes a cada mês. Um trabalho gigante e só uma pessoa muito especial poderia liderá-lo. E o segredo do sucesso da Pastoral da Criança estava na absoluta descentralização das ações, baseada na independência das equipes locais e, sobretudo, na maciça formação e treinamento de lideranças. Aos 75 anos, a Dra. Zilda dedicava-se a um novo sonho: promover o braço internacional da Pastoral da Criança. E foi isso que a levou ao Haiti.

As cenas que vemos da tragédia no país mostram que Dra. Zilda morreu cumprindo a sua missão de vida, que era servir aos desassistidos e praticar a frase que ensinou: “amar é fazer o outro crescer”.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Matéria no site UOL



15/01/2010 - 07h04
Lixo coloca em dúvida projeto no 1º Mundial do Rio olímpico

Bruno Doro
Em São Paulo


O Campeonato Mundial da classe Star começa neste sábado no Rio de Janeiro. Primeiro evento de uma modalidade olímpica desse porte realizado na cidade desde que os brasileiros ganharam a disputa pelas Olimpíadas de 2016, a competição de vela será realizada sob a aura de dúvida.Com as fortes chuvas que atingiram o estado do Rio nas últimas semanas, a Baía de Guanabara está imunda. A quantidade de lixo flutuante, como sacos plásticos e garrafas pet, é grande nas águas que deveriam ser usadas na competição. E a perspectiva não é das melhores para os próximos anos.

Segundo o engenheiro ambiental Axel Grael, irmão dos medalhista olímpicos Torben e Lars, o plano de despoluição da Baía de Guanabara é ambicioso. Talvez ambicioso demais. “O que foi apresentado no dossiê para as Olimpíadas é o projeto que o Estado já tinha feito. A diferença é que eles espremeram tudo. O que devia ser feito em dez anos, terá de ser feito em seis. A meta é reduzir em 80% o esgoto despejado na Baía. E esse é um número muito alto”, explica.

Grael fala com conhecimento de causa. Ele foi presidente da Feema (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente) até 2008. No período, foi um dos responsáveis pela elaboração do PDGB, o plano de despoluição do local. Além disso, também coordenou a preparação da Baía para outro evento importante, as provas de vela do Pan-Americano de 2007.

“Para o Pan, o que fizemos foi usar aquelas bóias de contenção de óleo, para também conter o lixo flutuante. Deu certo. Mas para 2016, estamos falando de algo muito maior. Não podemos comparar Pan com Olimpíadas”, lembra.

De acordo com ele, o grande desafio para o Rio não é a melhora da qualidade da água, mas a conscientizarão das pessoas. “A redução do esgoto que é despejado na Baía é um problema do Estado e isso tem de ser resolvido. Agora, o lixo flutuante, é culpa da população, que joga de tudo na calha dos rios e os rios fazem com que tudo chegue à Baía”.

A solução, para Grael, é aumentar o nível de envolvimento da população. “Quando você fala em PDGB, as cifras chegam a R$ 1,3 bilhão. É um número que, para o cidadão comum, parece muito grande, longe da sua realidade. Tão grande que afasta as pessoas. Mas o processo de despoluição precisa chegar à escala do cidadão. Claro que não é uma substituição do dever do Estado. É o governo que tem de fazer estação de tratamento, rede de esgoto. Mas tem coisas que estão na escala do cidadão”.

Para ilustrar a sugestão, ele usa a enseada de São Francisco, em Niterói, como exemplo: “Em Niterói, nós conhecemos todos os pontos de chegada de poluentes e as causas. Nessa escala, podemos pensar em soluções. Como é no bairro, você pode falar com o fulano que jogou lixo no córrego, explicar que isso chegou à praia e causou o problema. Tudo fica mais pessoal. Aí, se você tem uma praia que está limpa, a vizinha se anima. É uma contaminação positiva que pode ajudar muito”.

O medo, porém, é que todo esse programa não surta o efeito necessário até 2016. “A cara do Rio vai estar exposta. E a gente corre grande risco de, se não mostrar resultados, alterar o projeto olímpico e tirarem a vela do Rio. Temos de perseguir as soluções, porque seria um vexame completo perder a oportunidade que essa motivação olímpica oferece”.

Enquanto a baía não melhora, os velejadores seguem lidando com o lixo. O Mundial de Star, por exemplo, terá apenas uma de suas seis regatas disputadas dentro da Guanabara. As demais serão em mar aberto.

A realização das provas no local foi alvo de discussão dos velejadores. Uma série de questões logísticas sugeria que fazer o campeonato em mar aberto era mais fácil. E o lixo tornou a decisão mais simples. Mas não evitou reclamações.

“Eu fui voto vencido nessas discussões. Na minha opinião, para a vela seria melhor que todas as regatas fossem dentro da baia. Fica mais perto do público, é mais fácil visualizar a competição. E, independentemente das condições da água, com lixo ou não, o melhor velejador vai sempre vencer”, disse Alan Adler, um dos brasileiros que já foi campeão mundial da classe.

Dono de dez títulos mundiais, nove na Laser e um na Star, Robert Scheidt acha que a decisão é a acertada. “O lixo incomoda, é obvio. A pior coisa que pode acontecer com um velejador é perceber que você está perdendo rendimento por um fator externo, seja um saco plástico, algas, redes de pesca. Você sempre procura dar o máximo e acaba frustrado por algum problema que não é seu”.

O Mundial de Star, realizado pelo Iate Clube do Rio de Janeiro, começa neste sábado, com a primeira regata que vale para a classificação, e termina na próxima sexta. Só uma regata será disputada por dia. No total, são 81 barcos inscritos.

Começa o mundial de Star


Será realizada nesse sábado, às 13 horas, na Baía de Guanabara, a primeira regata do 86 Campeonato Mundial da Classe Star. Apenas a primeira e a última regatas serão disputadas dentro da Baía. As outras quatro serão disputadas fora da Baía. Portanto, hoje é uma das melhores oportunidades para que o público possa assistir à disputa. Em Niterói, o melhor lugar da orla para ver os barcos deverá ser no aterro da Boa Viagem. O evento reúne 81 tripulações de 20 países, sendo que dentre os participantes estão 11 campeões mundiais.
O grande número de inscritos e o alto nível dos competidores devem-se à escolha do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Todos querem se ambientar com a futura raia olímpica. Quanto às chances dos brasileiros, Lars Grael analisou em seu blog da seguinte forma: Robert Scheidt e Bruno Prada deverão torcer para ventos fortes. Torben Grael e Marcelo Ferreira deverão ter mais chances com ventos médios e o próprio Lars Grael, com seu proeiro Ronald Seiffert, poderá surpreender caso os ventos sejam mais fracos.
Quanto aos estrangeiros, a grande preocupação é não conhecerem a raia tão bem como os brasileiros. O inglês Ian Percy, ex-campeão mundial, usou o bom humor para se referir à situação: “Vou fazer tudo o que o Lars fizer”. O lixo flutuante continua sendo a grande reclamação dos velejadores. E o problema deve ser agravado para a regata de hoje, depois das fortes chuvas de ontem. A presença do lixo foi um dos motivos que fez com que a organização optasse por fazer a maior parte das regatas em mar aberto, frustrando as tripulações locais que perdem a vantagem de conhecer melhor os ventos e correntes da difícil “raia da Escola Naval”.
O mundial será curto, com apenas seis regatas. Portanto, não há espaço para erros, pois a recuperação de um mal resultado será muito difícil.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Bloom de algas causam manchas gigantescas no litoral argentino

Imagens da NASA, publicadas em 12 de janeiro de 2010.


Numa colisão de correntes, um grande bloom de algas (proliferação anormal da população de algas planctônicas) espalha-se por todo litoral ao sul do Rio da Prata. A imagem à esquerda mostra a dispersão das algas, que parecem ter se propagado a partir de um foco no Rio da Prata. Na imagem à esquerda, verifica-se a temperatura da água do mar, no mesmo período.

Os palpites de Lars Grael para o Campeonato Mundial da Classe Star

Barcos treinam para o Campeonato Mundial no Rio de Janeiro.


Robert Scheidt e Bruno Prada descem uma onda. Foto Fred Hoffmann.


Barco de Lars Grael é o primeiro a passar pela medição e pesagem. Foto Fred Hoffmann.

A primeira regata oficial do 86 Campeonato Mundial da Classe Star acontecerá no sábado, a partir de 13 horas, numa raia montada na Baía de Guanabara, mesmo local da última regata do campeonato, programada para o dia 22. O público poderá acompanhar as provas de vários pontos: Urca, praia do Flamengo, no Rio, e do Museu de Arte Contemporânea e da praia da Icaraí, em Niterói.

Em seu site (http://www.larsgrael.com.br/), Lars Grael arrisca um palpite sobre as chances dos principais velejadores que disputarão o Campeonato Mundial da Classe Star. Veja a seguir:


>>>>>>>>>

Campeonato Mundial de Star 2010 - Prever o imprevisível?

Texto de Lars Grael



O Iate Clube do Rio de Janeiro irá sediar o Campeonato Mundial de Vela da Classe Star de 15 a 23 deste mês de janeiro. É a 4ª vez que o ICRJ sedia este título jamais conquistado por um brasileiro em águas brasileiras...

A Classe Star reune os mais famosos e laureados velejadores oriundos de diversas classes tanto no Brasil quanto no plano internacional. Na competição com 81 inscritos, arriscar uma previsão é flertar com a sorte e com a ilógica.

1- Com ventos fortes, a previsibilidade aumentaria sobre três comandantes:
  • Os Brasileiros Robert Scheidt / Bruno Prada: Robert um dos maiores vitoriosos da vela Mundial e seu proeiro Bruno Prada que é um dos mais técnicos e bem sucedidos proeiros da atualidade. A dupla foi campeã mundial em 2007, Prata nos Jogos de Pequim em 2008 e encerrou 2009 na 2ª colocação do ranking internacional.
  • Fredrik Loof da Suecia: Loof é um Bi-campeão Mundial de Star, Bronze em Pequim e expert nos ventos fortes.
  • Ian Percy do Reino Unido: Percy foi Ouro em Pequim e Campeão Mundial. Grande velocista e na verdade como os outros dois acima,candidatos em qualquer condição de vento.
2- Nos ventos fracos, a previsibilidade é mínima e nada fácil de apontar favoritos.
  • Eu arriscaria na dupla suiça do comandante Flavio Marazzi e seu barco revolucionário. Marazzi é veloz porém inconstante. Foi campeão Europeu em 2007, recém campeão Sul-Americano aqui no Rio e encerrou 2009 como o líder do ranking mundial.
  • Dentre outros candidatos, eu destacaria a dupla norte-americana George Szabo e Rick Peters que são os atuais campeões mundiais.
  • Nestas condições, eu e meu proeiro Ronald Seifert apresentamos nossas melhores chances como na 3ª colocação do campeonato Mundial de 2009 e da conquista de títulos nacionais e da competitiva Taça Royal Thames realizada recentemente nas águas do campeonato Mundial.
3- Nos ventos médios, somam-se a todos estes candidatos, inúmeros nomes, com destaque para:
  • Torben Grael / Marcelo Ferreira: Torben ao longo dos seus 30 anos dedicados a classe Star, conquistou 4 medalhas olímpicas e um título mundial. Marcelo veleja com Torben a 22 anos e é Bi-campeão mundial além de 3 medalhas olímpicas. A dupla está de volta e já mostrou que está na briga na conquista do bronze no Campeonato Sul-Americano de 2009.

  • Alan Adler / Guilherme Almeida: Alan, além de franco atirador de mira aguçada, é um ex-campeão mundial e acaba de sagrar-se Vice-campeão Sul-Americano.
Na esquadra brasileira de 25 Stars, temos que observar nomes de alto respeito com destaque para:
  • Gastão Brun: Bi-Campeão Mundial de Soling e Campeão Norte-Americano e Bi-Campeão Sul-Americano de Star.
  • André Mirsky: Maior revelação da classe Star nacional, está motivado e conta com barco novo e o mais consagrado treinador de Staristas, o polonês Andy. Seu proeiro Marcelo Jordão, era meu proeiro na conquista do título Sul-Americano de 2008.
  • Alessandro Pascolato: É campeão mundial master e gran master e ex-campeão nacional. "Dino Pascolato" é exemplo de dedicação e competência sobre um Star. Seu proeiro Henry Boennig é o maior velejador da classe Finn do Brasil da atualidade.
  • John King: Velejador instintivo e astuto, é um dos maiores conhecedores da raia de regatas carioca. Seu proeiro Norman MacPherson é um ex-campeão Sul-Americano nas classes Laser e Soling.
  • Reinaldo Conrad: O patriarca dos medalhistas olímpicos do Brasil, deve ser respeitado por todos por suas qualidade inquestionáveis.
  • Peter Ficker: Medalhista olímpico e panamericano.
5- Dos meus companheiros da Flotilha Paranoá de Brasília, a surpresa pode vir no vento fraco com alguns nomes como:
  • Guilherme Raulino: Ex-campeão Sul-brasileiro de Snipe, Guilherme veleja com o Bi-Campeão Sul-Americano de Star Marco Lagoa.
  • Cesar Castro: "Cri-Cri" como é chamado, é um expert em ventos suaves e navega meu Star reserva "Get Back".
  • Gabriel Raulino: Talentoso e irreverente, Gabriel foi líder de regata no recente campeonato Sul-Americano.
  • Luis André Reis: "Culé" como é chamado, foi medalhista panamericano na classe Snipe e veleja com meu ex-proeiro, o bom e técnico Renato (Tinha) Moura.
Os demais brasileiros na raia:
  • Horacio Carabelli/SC: Vice-Campeão Mundial de Snipe e recém vencedor da Volvo Ocean Race.
  • Francisco Siemsem Bulhões Carvalho da Fonseca:/ RJ. Oriundo de famílias de campeões. Esbanja talento.
  • Sergio Goretkin/RJ.
  • Mauricio Bueno/SP: vice-campeão brasileiro de Finn e veleja com o talentoso Jorginho Zarif.
  • Renato Cunha Faria/RJ: foi medalha de bronze em campeonato mundial da classe Soling.
  • Fabio Bodra/SP: Ex-Campeão da Classe Finn, é competitivo e respeitado.
  • Admar Gonzaga/DF: Secretário Nacional da Classe Star.
  • João Marcos de Almeida/RJ.
  • Renato Valentim/SP.
  • Bruno Caruso: Presidente da Federação de Vela de São Paulo - FEVESP.
Valerá á pena conferir e fico na conclusão do "só sei que nada sei"!
Bons Ventos em 2010!!!
Lars Grael