segunda-feira, 31 de maio de 2010

Regata Cape Town-Rio: comodoro do Royal Cape Yacht Club visita o Projeto Grael

O comodoro do Royal Cape Yacht Club, John Martin, passou a semana no Rio de Janeiro. Ele veio tratar da realização da Regata Cidade do Cabo-Rio, que será realizada em janeiro e fevereiro de 2011, em parceria com o Iate Clube do Rio de Janeiro. O comodoro Martin, que já disputou a regata no passado, esteve no Projeto Grael trazendo-nos o convite para participar da competição. A vontade do dirigente sul-africano era que o Projeto Grael inscrevesse um barco com uma tripulação composta por seus ex-alunos. Considerando que é praticamente inviável captar recursos a tempo para a prova de 2011, faremos a tentativa de ter velejadores oriundos do Projeto Grael na tripulação de outros barcos participantes. Também colaboraremos na organização da regata no Rio de Janeiro. A regata, evento tradicional da vela oceânica, voltará para o Rio de Janeiro após uma temporada sendo realizada com a chegada em Salvador. O Rio havia perdido eventos importantes para outras cidades, como aconteceu recentemente com a Volvo Ocean Race (VOR), regata de volta ao mundo, vencida na última edição pelo brasileiro Torben Grael. A próxima edição da VOR terá a parada no Brasil realizada em Santa Catarina porque o Rio não demonstrou interesse em recebê-la. Ao longo do tempo, a Baía de Guanabara foi perdendo espaço como palco da vela para lugares como Búzios (RJ), Ilhabela (SP) e Salvador (BA). Neste contexto, esperamos que a volta da Regata Cidade do Cabo-Rio seja um marco do resgate da tradição do Rio de Janeiro em sediar eventos da vela oceânica internacional.

Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 29/05/2010.

Omar Serrano, o indispensável

Niterói perdeu, no dia 11 de maio, um de seus mais perseverantes e aguerridos militantes comunitários, Omar Serrano. A ambientalista Laura França fez uma rápida biografia de Omar, que reproduzo a seguir:

“Omar Serrano de Abreu, como ele mesmo costumava se apresentar: 'uma dupla natureza, ou um aparente paradoxo: pois do Mar, pois da Serra'. Assim, defendeu mares e serras! Serra da Tiririca, uma paixão! Na década de 90, abraçou as causas ambientais, atraído pelo Movimento Cidadania Ecológica, e foi grande na luta pela criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca. Sempre empenhado em garantir a participação da sociedade, apresentou a primeira proposta de regimento da Comissão pró-Parque, que originou seu Conselho Gestor. Ambientalista engajado na defesa da Mata Atlântica e seu instrumento legal mais importante – Reserva da Biosfera, tornou-se presença constante em todas as audiências públicas, reuniões e manifestações da militância em Niterói e Maricá. Incansável, primeiro a chegar e último a sair, provocava diálogos, polêmicas, e sempre apresentava farta documentação - algumas descobertas raras do seu arquivo pessoal. Mencionar artigos de leis e resoluções era sua marca, e, assim, com respaldo legal comprovado, cobrava o – cumpra-se! Seu trabalho era voluntário, pelas causas, só as boas e justas! Após tornar-se símbolo e referência de inúmeras lutas sociais e ambientais, foi assessor dedicado do mandato do vereador João Baptista Petersen, igualmente indispensável! Ao longo das últimas décadas, Omar Serrano foi representante ou conselheiro de inúmeras organizações não governamentais – APEDEMA - CIDADANIA ECOLÓGICA - CCOB - CONSELHEIRO DO COMPUR E DO COMITÊ DA BAIA - CONSELHO DE SAÚDE - FAMERJ - FAMNIT - MORE - SOS LAGOA - entre outras. Além disso, orgulhava-se de ser constantemente consultado por mestrandos e doutorandos de Antropologia e de Meio Ambiente da UFF”.

Laura França termina a sua homenagem com frases que eram a cara do Omar: “Questão de ordem, companheiro! O assunto não está em pauta: não merece destaque!” Ainda não era sua hora, não estava em pauta, Omar! – finaliza Laura, com suas próprias palavras.

Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Niterói, Jornal O Fluminense, 29 de maio de 2010.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Fotos do evento de lançamento do Projeto Baía de Guanabara

Alunos do Projeto Grael: carinhas felizes.

Alunos, instrutores e Coordenadora do Projeto Grael comemoram o Projeto Baía de Guanabara.

Nelson Silva, presidente da BG Brasil, discursa sobre o apoio da empresa ao Projeto.

Axel Grael, presidente do Instituto Rumo Náutico, agradece a dedicação da equipe do Projeto Grael.

Marina Silva, madrinha da Lancha Coral, com a tripulação composta por alunos do Projeto Grael.

Alunos do Projeto Grael, da equipe do Projeto Baía de Guanabara, com a madrinha Marina Silva, fazem demonstração do lançamento dos derivadores.

domingo, 23 de maio de 2010

CREA faz vistoria em Niterói, mas notícia distorcida preocupa.


O CREA exerce o seu papel.

Ontem, dia 22 de maio, o jornal O Fluminense publicou o artigo "Crea aponta riscos iminentes". O texto refere-se ao relatório da vistoria do presidente do CREA-RJ, Agostinho Guerreiro, que acompanhou o deputado Rodrigo Neves, presidente da Comissão de Assuntos Municipais e Desenvolvimento Regional da ALERJ, que juntos percorreram os locais onde houve desmoronamentos de encostas na cidade de Niterói. O presidente do CREA e demais autoridades estiveram na Estrada Fróes, na Boa Viagem, na Estrada da Cachoeira e no Morro do Bumba.

Segundo a matéria de O Fluminense, o relatório conclui que "Niterói tem vários locais passíveis de novos desmoronamentos e uma tragédia poderá acontecer caso ocorra uma outra chuva forte".

Um óbvio engano

O que causou estranheza foi a afirmação atribuída ao relatório do CREA, que teria recomendado "efetuar a poda ou o corte de todas as árvores em encostas consideradas áreas de risco, pois facilitam o desabamento dos morros".

Não é possível acreditar que essa tenha sido a conclusão ou a recomendação de um relatório do CREA, conselho que congrega várias categorias, inclusive a dos engenheiros florestais e que tem um engenheiro agrônomo como presidente. Além de agrônomo, o presidente do CREA, nosso amigo e a quem muito respeitamos, foi meu colega na gestão de órgãos ambientais do Governo do Estado: ele era presidente da SERLA, na mesma época em que eu presidia a FEEMA em minha primeira gestão.

Além de ser uma afronta à legislação ambiental, a recomendação não teria fundamento técnico. Justamente, pela importância na prevenção da erosão, as florestas em áreas de encostas são consideradas APP - Área de Preservação Permanente, por força do Código Florestal e outros instrumentos legais.

Apesar de serem impotentes diante do deslizamento de grandes massas ou diante da enxurrada em áreas de drenagem natural (as árvores são úteis mas não fazem milagres), as raízes das árvores - sejam elas superficiais ou profundas (o ideal é que haja uma combinação de ambas) - exercem um importante papel de fixação da solo. O mesmo acontece com o subbosque e a serrapilheira (folhas secas, galhos e matéria orgânica superficial do solo), que ajudam a reter a umidade e contém o escoamento superficial.

A retirada das árvores só seria justificável, em caso muito especial, como por exemplo se todo o volume de solo, em condição instável, precise ser removido. Ou que estas árvores estivessem em situação de desequilíbrio, podendo tombar sobre residências ou colocar em risco a população. Nesse caso, mediante um laudo de um profissional competente, ou membro da Defesa Civil, a árvore poderia ser sacrificada. Em qualquer outra situação, seria crime ambiental.

Se a moda pega...

Há poucos dias, moradores da Estrada Fróes tiveram que se impor diante de funcionários da Prefeitura de Niterói, que mal orientados, preparavam-se para cortar árvores na encosta que deslizou. Justamente estas, que graças ao seu porte, à sua robusteza e estabilidade, foram capazes de reter enormes pedras e grande quantidade de sedimentos e evitaram que as consequências do acidente fossem ainda maiores.
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Esclarecimento necessário

Uma orientação assim tão perigosamente equivocada, vinda de uma forma tão genérica e atribuída a uma instituição com a responsabilidade e a tradição do CREA, poderá causar confusão na população, com sérias consequências para as já tão sofridas florestas e, por conseguinte, aos próprios moradores das áreas de risco da cidade.

Urge que o CREA esclareça imediatamente a informação.

Axel Schmidt Grael
Engenheiro florestal
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Martine Grael ganha grande destaque em reportagem da CNN internacional


A CNN Internacional apresentou neste domingo (23 de maio), ao meio dia, uma longa reportagem sobre Martine Grael, velejadora brasileira da classe 470.

A niteroiense, Martine Grael (19 anos), filha de Torben Grael, veleja com a Isabel Swan, também de Niterói e medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim. Na reportagem, gravada na França, Martine é elogiada pelo talento e é apontada como uma grande aposta para os jogos de 2012 e 2016 e para o futuro da vela.

A reportagem, destaca os resultados internacionais de Martine (atual campeã mundial da juventude e campeã mundial militar), e o esforço que a dupla faz para se manter competitiva. As brasileiras são comparadas com a equipe de vela britânica. Enquanto Martine e Isabel precisam fazer tudo sozinhas (agendar viagem, rebocar sozinhas o seu barco, treinar sem técnico, providenciar reservas de hotel e fazer compras para fazer a própria refeição), os britânicos contam com uma completa estrutura por trás. Com eles, segue uma completa equipe de treinadores, responsáveis pelo apoio logístico, infraestrutura de manutenção, alimentação, etc.

Algum dia o esporte brasileiro (além do futebol!) também chega lá!!!

Parabéns, Martine e Isabel. Muita perseverança, força e sucesso. Estamos aqui orgulhosos na torcida!!!

Lars Grael elogia a contribuição das Forças Armadas ao esporte social

Forças no Esporte
20/5/2010 10:21:06

É com muita satisfação que nesta semana vi matéria na TV sobre o ingresso de parte substancial da equipe olímpica de Natação nos quadros do Exército Brasileiro.

Recentemente a tripulação de Vela comandada pela talentosa Juliana Mota e tendo á bordo minha sobrinha Martine Grael, sagrou-se campeã mundial de Vela Militar representando a Marinha do Brasil.

Este fenômeno de parceria das Forças Armadas com o Esporte Brasilero, surgiu através da criação do Programa Forças no Esporte que concebi em 2001 e firmamos convênio em 2002 na minha gestão como Secretário Nacional dos Esportes entre o então Ministério do Esporte e Turismo e o Ministério da Defesa.

A parceria começou através de um vasto diagnóstico de toda infra-estrutura esportiva nas unidades millitares em todo território nacional. O convênio prevê que estas instalações podem (e várias já estão) estar disponibilizadas para projetos de inclusão social através do esporte e treinamento de atletas civis.

A Marinha e o Exército já eram parceiros do Projeto Navegar desde a sua criação em 1999. O convênio permitiu ainda um suporte financeiro da Secretaria Nacional do Esporte para a Comissão Desportiva Millitar Brasileira - CDMB, órgão que foi presidido por nosso pai, o Coronel Dickson Grael nos anos 70.

A CDMB pôde incrementar a participação de militares brasileiros em competições internacionais, sediou eventos no Brasil e conquistou a realização dos V Jogos Mundias Militares que serão realizados no Rio de Janeiro em 2011. Para muitos, um evento de menor importância? Engano! Os Jogos Mundiais Militares são o 2º maior evento multi-esportivo internacional, perdendo apenas para os Jogos Olímpicos de Verão.

Poucos sabem da importância deste evento para a integração através dos esportes, das forças militares de todo o planeta. Importante ainda destacar que cerca de 25% de todas medalhas conquistadas nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, foram conquistadas por atletas militares.

O então Ministro dos Esportes Agnelo Queiroz deu prosseguimento a parceria através do Programa Segundo Tempo em unidades militares.

Bom para os atletas que passam a ter um apoio das Forças Armadas e além de receberem intensa preparação cívica, patriótica e moral. Bom para as Forças Armadas que mostram uma visão cidadã e simpática das suas corporações. Bom para o Esporte Brasileiro que recebe um parque esportivo valioso e um sistema de geração, retenção e valorização de atletas. Bom para a sociedade brasileira que passa a olhar com mais admiração o alistamento militar e o papel de Exército, Marinha e Aeronáutica.

É o esporte olímpico no rumo certo.

Lars Grael

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Do blog de Lars Grael: http://www.larsgrael.com.br/blog.asp

Natureza em fúria

Do blog de Lars Grael: http://www.larsgrael.com.br/blog.asp

Natureza em fúria!

7/4/2010 09:53:31

Ao acompanhar a tragédia e o caos gerado pelas fortes chuvas no Estado do Rio de Janeiro, fiquei estarrecido com as consequências e o despreparo generalizado para evitar que novas situações semelhantes aconteçam.

A casa do meu irmão Torben em Niterói, foi atingida por um desmoronamento que infelizmente vitimou o motorista de um carro que passava pela Estrada Fróes. Sua casa está interditada e suas garagens e 2 carros foram destruidos. Na crônica de Alexandre Garcia no Bom Dia Brasil da TV Globo, ele pontuou bem a necessidade de mudança de postura da população e dos seus governantes quanto a questão da civilidade.

Esta civilidade envolve a consciência da população quanto lixo urbano, as construções irregulares nas encostas e áreas de proteção ambiental, a coleta de lixo e meios alternativos de transporte urbano.

Não tive como não pensar no amigo velejador Alexandre Levi ao analisar os efeitos desta catástrofe da natureza no Rio. Alexandre possui um estudo e um projeto para incrementar o transporte aquaviário no Rio de Janeiro. Poderia transportar 500 mil passageiros por dia, desafogando o transporte sobre rodas e trilhos.

Me faz lembrar, a reação do maluco beleza Raul Seixas ao constatar que seu carro havia sido destruído numa ressaca na orla carioca: “Pô bixu, não culpo a natureza não, tudo que o homem invadiu e roubou dela, ela tomará de volta...”.

O raciocínio é que numa situação de enchente como esta, o único transporte que funciona é o aquaviário!

Enchentes ocorrem várias vezes ao ano e com: maior ou menor intensidade. Tantas outras já ocorreram e muitas recentes como neste verão em Angra dos Reis e no Vale do Paraíba.

Nestes casos, as ruas se alagam, os metrôs se alagam e as encostas desmoronam, e o deslocamento até para equipes de salvamento é precário.

O desenvolvimento do transporte aquaviário no Rio, torna-se imperativo para desafogar o fluxo normal e servir como grande alternativa nas situações de enchentes.

Rio de Janeiro deveria copiar o modelo de outra cidade olímpica Sidney que também possui uma bela baía e sabe aproveitar e muito o transporte aquaviário e marítimo.

É o momento de uma vez por todas, mudar a atitude para tolerância zero para as construções em áreas de risco. Demolir e remanejar as construções existentes, e, não tolerar novas construções.

Quando os prefeitos Luis Paulo Conde, Cesar Maia e Eduardo Paes falaram em murar as favelas p/ delimitar e impedir o crescimento das mesmas em áreas de risco, vieram os solicialistas morenos de plantão para falar em "guetos"; "segregação"; "justiça social" e outras sandices demagógicas na busca de votos nas eleições.

Formalizar uma metrópole que avançou na informalidade há décadas, é uma tarefa difícil. Só se dará por união e conscientização da população e os 3 poderes. Enfim: civilidade!

Ações paleativas e a esperança que no período olímpico, as chuvas são menos rigorosas, não serve!

A natureza está em fúria e as catástrofes não escolhem datas!

É hora de bater neste bumbo!

Lars S. Grael

sábado, 22 de maio de 2010

Na terça feira (25 de maio), o lançamento do Projeto Baía de Guanabara


O Projeto Grael e as empresas BG Brasil, Prooceano e o laboratório LAMMA, do Departamento de Meteorologia/UFRJ lançam na terça-feira, o Projeto Baía de Guanabara. A iniciativa contará com a participação de alunos do Projeto Grael que terão uma rotina de coleta de dados sobre as correntes da Baía de Guanabara. A cada semana, serão lançados na água derivadores oceânicos (espécie de bóias monitoradas por GPS) para estudar as correntes e parâmetros físico-químicos da água. Os resultados serão disponibilizados na internet e utilizados por pesquisadores da UFRJ para o aprimoramento dos modelos matemáticos de circulação de águas da Baía. O Projeto Baía de Guanabara terá a duração de dois anos e meio.


Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói. 22/05/2010.

Dados meteorológicos da Baía de Guanabara na internet


ATENÇÃO VELEJADORES
O Serviço de Meteorologia do Centro de Hidrografia da Marinha acaba de presentear os velejadores e muitos outros interessados, com o site “Previsão para a Baía de Guanabara”. O site apresenta resultados de análise de duas rodadas diárias de coleta de dados e apresenta Meteogramas (clima e tempo), Ondogramas (ondas), marés, etc. O endereço do site é:


Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 22/05/2010.

O Brasil também terá estádios verdes ou vamos pagar mico?



Às vésperas da Copa da África do Sul, uma boa notícia chega de Dublin, na Irlanda. No lugar de um antigo estádio de futebol e rúgbi, construído em 1872 e demolido em 2006, será inaugurado em julho o Estádio Aviva, que será uma referência mundial em edificações sustentáveis. A nova construção utilizou concreto de baixa emissão de carbono, reaproveitou materiais como vergalhões e o entulho do prédio demolido, para evitar a geração de resíduos. A estrutura é de material transparente para aproveitar ao máximo a luz natural. No telhado, há a coleta água da chuva que é armazenada para utilização na irrigação do campo. Um tratamento acústico especial evita que o ruído das torcidas chegue a um metro de distância do lado de fora da fachada a mais do que 53 decibéis (o que equivale ao nível de ruído de um escritório). As instalações esportivas são cada vez mais verdes em todo o mundo. O Brasil sediará a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Nossos estádios, que estão com as obras atrasadas, também utilizarão técnicas sustentáveis ou estaremos na contramão? Poderemos pagar um grande mico.


Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 22/05/2010.

Nova America's Cup

Torben Grael, à esquerda, na tripulação do Luna Rossa, em disputa da America's Cup.


Depois do fiasco da última edição da America’s Cup, quando as únicas duas equipes participantes passaram mais tempo disputando nos tribunais do que no mar, a mais antiga e tradicional competição da vela mundial tenta recuperar a credibilidade e o prestígio perdidos. No último dia 18, dezenove projetistas de dez nacionalidades diferentes se encontraram em Valência, na Espanha, para decidir sobre uma nova classe para a disputa da 34ª edição da regata. As alternativas apresentadas foram um desenho monocasco de cerca de 27 metros de comprimento e dois projetos de trimarãs, um de 20 e outro de 25 metros. “As equipes merecem um novo barco e os fãs também”, disse Russel Coutts, quatro vezes campeão da America’s Cup. O consenso é que o novo barco deve atender os seguintes critérios: velocidade e competitividade; exigência de capacidade atlética dos tripulantes; tecnologia avançada e eficiência de custos; facilidade de transporte; ser exclusivo da America´s Cup e, por último, ser versátil para garantir a qualidade da competição em condições de ventos fortes e fracos. Que assim seja, pois a competição que já foi a grande paixão dos amantes da vela andou próximo da extinção.
Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 22/05/2010.

Omissão gera poluição


Em 2009, representantes da comunidade náutica, pescadores e ambientalistas que atuam em defesa da Baía de Chesapeake, nos EUA, entraram na Justiça contra o órgão ambiental federal - o EPA -, alegando que a instituição havia se omitido e permitido que a poluição se agravasse. Na ocasião, ainda na gestão Bush, o órgão ignorou a ação, perdeu os prazos de recurso e foi condenado. Agora, os defensores da baía e o EPA chegaram a um acordo. Até 31 de dezembro deste ano, o órgão ambiental assinará algo como um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que existe na legislação brasileira, e imporá regras rigorosa para reduzir a poluição a limites ambientalmente saudáveis. Vale lembrar que a Baía de Chesapeake é um dos mais importantes centros da náutica mundial. A Chesapeake Bay Foundation, uma dos líderes da iniciativa contra o EPA, inspirou a criação do Instituto Baía de Guanabara, organização com sede em Niterói. Que a Baía de Chesapeake continue a nos inspirar.


Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói-RJ. 22/05/10.

Brasil e Argentina: juntos em defesa do Atlântico


Ainda bem que a rivalidade futebolística entre Brasil e Argentina não existe quando o assunto é a proteção dos oceanos. A Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Comissão Nacional de Atividades Espaciais (CONAE), da Argentina, acabam de formalizar acordo para desenvolver o satélite Sabia-Mar, destinado à observação global dos oceanos e ao monitoramento do Atlântico nas proximidades do Brasil e da Argentina. Com o Sabia-Mar será possível observar a cor dos oceanos, monitorar a exploração petrolífera, gerenciar as zonas costeiras e contribuir com a atividade pesqueira, entre outras aplicações. O financiamento para a fase inicial de estudos, da ordem de US$ 2,5 milhões pela parte brasileira, tem duração prevista de nove meses.
Da coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói-RJ. 22/05/10.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

ABONG manifesta-se contra as OS - Organizações Sociais

Visando estimular o debate, reproduzimos, a seguir, o editorial do site da ABONG - Associação Brasileira de ONGs, na qual a organização apresenta a sua posição contrária às OS - Organizações Sociais. Trata-se de uma modalidade de relação entre a administração pública e a sociedade civil, para a prestação de serviços públicos:

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OPINIÃO – A quem serve o modelo das Organizações Sociais?

As Organizações Sociais, chamadas OSs, estão na mira do Supremo Tribunal Federal. Ainda no mês de maio, o STF deverá julgar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) que questiona a legalidade de seu modelo de gestão. Criadas em 1998, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, as Organizações Sociais são entidades privadas sem fins lucrativos que gerem recursos públicos em um sistema de prestação de serviços cuja lógica mistura as esferas pública e privada. Desde a sua implantação, uma série de serviços públicos de responsabilidade do Estado, têm sido terceirizados e oferecidos pelas tais organizações, que gerem hospitais, institutos de pesquisa, museus ou creches, recebendo para isso grande quantidade de recursos. O modelo dispensa licitações para compras e contratos, lançando mão de mecanismos próprios de fiscalização do emprego dos recursos públicos não sujeitos a critérios de transparência e controle social.

Celebradas por muitos como uma forma de permitir mais liberdade e mobilidade na gestão de equipamentos e serviços públicos, as OSs têm sido criticadas desde sua criação pela ABONG e outras organizações da sociedade civil, por considerá-las um mecanismo disfarçado de privatização. No modelo das OSs, a responsabilidade estatal pela oferta e qualidade dos serviços é substituída por uma suposta lógica de mercado, que magicamente regularia a busca do lucro por parte de prestadores privados, por um lado, com a capacidade de escolha e barganha do(a) "cidadão(ã)-cliente". A América Latina dos anos 1990 é farta de exemplos de que tais propostas de “quase mercado” não funcionam, resultando principalmente na queda da qualidade dos serviços para o público.

A Adin, inicialmente proposta pelo PT, na época na oposição ao governo de Fernando Henrique Cardoso, já não serve aos interesses do partido proponente, que também faz uso da política. A defesa da manutenção das OSs na legalidade deve unir PT e PSDB, pois se a Ação for considerada procedente, várias instituições federais e estaduais administradas por Organizações Sociais terão de ser imediatamente estatizadas.

A ABONG mais uma vez vem a público se manifestar veementemente contra o modelo das Organizações Sociais e espera que o STF leve em consideração todas as questões envolvidas para tomar sua decisão. Somos a favor do fortalecimento do Estado, assim como da sociedade civil, e o modelo das OSs esvazia o Estado de suas funções e confunde instâncias da sociedade civil que devem ser claramente separadas: de um lado corporações privadas que visam lucro, e do outro associações civis sem fins lucrativos, que devem orientar-se por uma missão, manter a independência em relação aos governos, e não se colocar na função de suprir deficiências ou baratear os serviços públicos.

A ABONG considera que é legítimo e desejável que tenham acesso a recursos públicos as organizações da sociedade civil que, com autonomia em relação aos governos, interessam-se pela coisa pública, participam da elaboração e avaliação de políticas públicas, inovam em tecnologias sociais que promovem justiça social e respeitam o meio ambiente. Tal acesso deve ser regido por mecanismos transparentes, assentados em políticas de estado que previnam o clientelismo e as fraudes. Em contrapartida, é contra os mecanismos que facilitam a apropriação de recursos públicos para fins privados, que dificultam o controle social e desresponsabilizam o Estado de implementar as políticas necessárias para garantir os direitos humanos para todos e todas os cidadãos e as cidadãs. Com o objetivo de propor uma regulamentação para essa relação entre Estado e organizações da sociedade civil, formulamos um projeto de lei para ser apresentado e discutido no Congresso. O texto do PL está disponível para consulta aqui.

Cresce o engajamento de atletas brasileiros com iniciativas educativas, sociais e de promoção da cidadania

Há um forte movimento, que cresce a cada de dia, de atletas que utilizam o seu exemplo, o seu carisma, a sua imagem e a sua capacidade de motivação dos jovens, para promover iniciativas de educação e inclusão social através do esporte. Esse movimento ganhou força no Brasil a partir de meados da década de 90 e hoje constitui-se um forte indutor de cidadania, em benefício da sociedade. O resultado do trabalho social dos atletas já se percebe também na formação de novos campeões, provenientes dessas ações, que já começam a ocupar espaços na elite do esporte nacional.

A listagem abaixo, com dados das organizações participantes do Atletas pela Cidadania e REMS - Rede Esporte pela Mudança Social, apresenta a cronologia da fundação dos Institutos e Fundações criados pela iniciativa dos atletas ou inspirados por eles, para que você possa acessar seus sites e conhecer melhor o trabalho realizado:


Instituto Ayrton Senna
Atleta: Ayrton Senna (automobilismo)
Data de criação: novembro 1994
http://senna.globo.com/institutoayrtonsenna/br/default.asp

Instituto Patrícia Medrado
Atleta: Patrícia Medrado (Tênis)
Data de criação: em 1997 foi criada a Sociedade para o Desenvolvimento do Tênis, que em 2007, teve a razão social mudada para Instituto Patrícia Medrado.
http://www.institutopatriciamedrado.org.br/

Instituto Rumo Náutico (Projeto Grael)Atletas: Torben e Lars Grael e Marcelo Ferreira (vela)
Data de criação: início das atividades do Projeto Grael, idealizado em 1996, aconteceu em agosto 1998. Já com o Projeto Grael implantado e funcionando regularmente, foi criado o Instituto Rumo Náutico, em 2000, para desenvolvê-lo.
http://www.projetograel.org.br/
secretaria@projetograel.org.br

Instituto Fernanda Keller
Atleta: Fernanda Keller (Triatlo)
Data de criação: início em setembro 1998
http://www.fernandakeller.com.br/

Fundação Gol de Letra
Atletas: Raí e Leonardo
Data de criação: agosto 1999.
http://www.goldeletra.org.br/

Instituto Bola pra Frente
Atletas: Bebeto e Jorginho (Futebol)
Data de criação: junho 2000
http://www.bolaprafrente.com.br/
contato@bolaprafrente.org.br

Instituto Guga Kuerten
Atleta: Gustavo Kuerten (tênis)
Data de criação: agosto 2000
http://www.igk.org.br/

Instituto Esporte e Educação
Atleta: Ana Moser (Volei)
Data de criação: março 2001
http://www.esporteeducacao.org.br/

Instituto Joaquim Cruz
Atleta: Joaquim Cruz (atletismo)
Data de criação: janeiro 2003
http://www.joaquimcruz.com/

Instituto Reação
Atleta: Flavio Canto (judô)
Data de criação: 2003
http://www.institutoreação.org.br/

Instituto Brilho BrasileiroAtleta: Vanessa Menga (tênis)
Data de criação: 2003
http://www.vanessamenga.com.br/

Instituto Passe de Mágica
Atletas: Branca e Paula (Basquete)
Data de criação: 2004
http://www.passedemagica.org.br/
william@passedemagica.org.br

Fundação Cafu
Atleta: Cafu (futebol)
Data de criação: 2001, mas iniciou as atividades em 2004
http://www.fundacaocafu.org.br/

Fundação EdmilsonAtleta: Edmilson (futebol)
Data de criação: dezembro 2006
http://www.fundacaoedmilson.org.br/
 
 
 
 

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Desafio Solar na Globo

Veja no link abaixo, a matéria do Bom Dia RJ, da Globo, sobre o Desafio Solar

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1264726-7823-ESTUDANTES+MOSTRAM+QUE+A+ENERGIA+SOLAR+E+VIAVEL+PARA+O+TRANSPORTE+NAUTICO,00.html

Entrevista de Lars Grael para o site IG


"Paixão é mais importante que prêmio", diz Grael

Lars Grael, medalhista olímpico que teve perna amputada, faz paralelo entre superação no esporte e no mundo dos negócios

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro 17/05/2010 05:10

Entre um campeonato e outro, uma regata e um treino, o medalhista olímpico Lars Grael orienta empresários. Bronze em Seul (1988) e Atlanta (1996), ele dá lições de empreendedorismo sem nunca ter estudado administração de empresas. Mais do que teoria, o velejador aprendeu a prática de superar desafios. Aos 46 anos, 11 depois do acidente que lhe custou a perna direita e mudou sua vida, o atleta continua buscando perfeição no que faz. A adaptação de sua trajetória ao mundo dos negócios é procurada por quem quer crescer mesmo diante de adversidades. Afinal, o “empresário brasileiro é constantemente chamado a superar limites”, diz o esportista, que venceu o drama pessoal e continuou a velejar e a vencer competições. Em entrevista ao iG, Lars Grael conta quando, como e por que resolveu dar a volta por cima. “Sei que sirvo como referência.


iG: Por que os empresários chamam o senhor para dar palestras sobre negócios?

Lars Grael: Talvez porque eu seja um medalhista olímpico que viveu a adversidade de um acidente grave, mas que não pôs fim a minha carreira esportiva. Contrariando a lógica, eu voltei a velejar, a competir e a conquistar títulos. O aspecto da superação, da volta por cima, cria vários paralelos com a vida empresarial. Também ajuda nessa experiência o fato de ter sido gestor público, como secretário nacional e estadual de esportes de São Paulo.
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iG: Que paralelos podem ser estabelecidos entre competições esportivas e o mundo dos negócios?
Grael: Ser esportista ou empresário requer sempre a definição clara da sua missão, requer necessariamente planejamento, definição e adequação de metas e resultados, caso não sejam atingidos. Requer preparação, treinamento e logística. E o mercado empresarial e capitalista é extremamente competitivo. Ser competitivo respeitando regras, tendo disciplina, perseverança, organizando normas e método são valores comuns tanto a um grande projeto esportivo como a um projeto empresarial vencedor.
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iG: O tema de uma de suas palestras é sobre como superar limites. Isso se aplica a qualquer empresa?
Grael: Eu tento fazer a adaptação da minha trajetória como cidadão, atleta olímpico e velejador com a realidade daquele empresário que procura me ouvir, que é a busca da superação, de perceber os limites, a busca por ultrapassar obstáculos e adversidades. O empresário brasileiro é constantemente chamado a superar limites. Seja por metas ou de um país que viveu por muito tempo uma instabilidade econômica muito grande.
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iG: Para alguns empreendedores o senhor fala da necessidade de treinamento dobrado quando se tem mais dificuldade que um adversário.
Grael: O treinamento é fundamental. A pessoa pode nascer com talento, dom, aptidão, pode ter base de suporte técnico, científico, mas só o treinamento nos permite, por meio da repetição, ter o aprimoramento. Passamos a avaliar e reduzir riscos, a minimizar erros e aumentar acertos com a prática da repetição. Na minha trajetória, deparei-me com adversários velejadores que eu sentia que poderiam até ter uma aptidão maior que a minha, mas a persistência em treinar e treinar e treinar nos permite ter uma intimidade com a atividade e então passamos a ter domínio sobre ela. Com o domínio atingimos a superação.
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iG: O senhor dominar a atividade. Continua treinando muito?
Grael: Hoje foi o dia de preparação do barco. Mas, nos últimos onze dias, velejei em nove, quatro horas por dia. É muito exaustivo, mas fundamental. Mesmo tendo 45 anos de idade, e bastante conhecimento, cada velejada é uma forma de adquirir conhecimento. Ainda erro. Erros acontecem.
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iG: Qual o principal conselho que o senhor costuma dar aos empresários?
Grael: Ter clareza do que se quer ser na vida. Se você quer ser empresário do setor do comércio ou da indústria, da prestação de serviços, tem de ter clareza do seu objetivo. Embora possa parecer inviável, se você tem essa clareza e se envolve, se tem a vontade e busca o conhecimento, com treinamento, afinco, dedicação, vai alcançar o seu objetivo. Se tem um sonho, persiga o sonho, não o abandone.
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iG: Nem que o sonho seja quase impossível?
Grael: Tem de buscar formas de viabilizar essa utopia, convertê-la em sonho e sonho em realidade. Outro ponto fundamental é a paixão. Quando a pessoa bota coração naquilo que faz, bota intensidade, dedica-se por inteiro, isso move a gente. Se tivesse feito tudo isso só pelo dinheiro ou pela vontade de ganhar notoriedade, talvez eu não tivesse atingido meu objetivo. Paixão é mais importante do que o prêmio, do que a recompensa, do que a notoriedade.
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iG: Saber a direção dos ventos também pode ser uma tarefa comum entre o esporte da vela e os negócios?
Grael: Seguramente. No mundo dos negócios você pode controlar a gestão da sua empresa, mas muitas vezes não controla o mercado, a economia internacional, uma depressão econômica, uma crise imobiliária ou uma quebra de safra por problemas meteorológicos. Somos obrigados a conviver com variáveis não controláveis. Temos de ter capacidade de improviso, de bom senso, de definição de uma estratégia de mudança, que requer rápida mudança. Esse discurso fecha como uma luva para quem está no meio empresário.
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iG: Como foi o início de sua carreira?
Grael: Meu pai era servidor público federal, tinha dificuldades em nos dar apoio para que praticássemos a vela. Mas nós tínhamos uma herança de conhecimento que vinha do nosso lado materno e estávamos buscando oportunidades. Meu avô era dinamarquês e na Dinamarca o esporte da vela é tão popular e óbvio quanto o futebol no Brasil. Desde a época dos vikings, o mar sempre foi fonte de conquistas e de sobrevivência.
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iG: Que adversidades o senhor enfrentou?
Grael: Eu praticava um esporte rotulado como de elite, que no Brasil tinha pouco reconhecimento. Este rótulo de elite não resulta apenas do fato de termos de adquirir um barco para velejar e isso parecer ser caro e inviável. Ele se dá pela falta de cultura náutica do povo brasileiro. O Brasil tem grande concentração demográfica junto ao litoral. A população admira o mar e as praias, mas tem medo de navegar. É um país que procurou fazer um modelo de transportes totalmente rodoviário tendo hidrovias naturais totalmente subutilizadas. No hemisfério norte, o modelo de transporte tem um terço rodoviário, um terço ferroviário e outro terço hidroviário. O Brasil hoje aproveita menos de 5% da sua capacidade, o que mostra que temos uma cultura náutica muito atrofiada. O mesmo vale para o esporte da vela.
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iG: Sua carreira foi afetada ao ser atropelado por uma lancha no mar. Como foi o acidente?
Grael: Aconteceu em 6 de setembro de 1998, durante a semana de vela em Vitória. Estávamos na fase preparatória, quando, antes da largada, uma lancha desgovernada passou por cima do meu barco e a hélice decepou a minha perna no ato.
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iG: Houve algum momento marcante na superação do acidente?
Grael: Fiquei desesperado. Nunca imaginei que pudesse acontecer comigo um acidente que me tornaria um deficiente, um aleijado, como eu me julgava naquele momento. Eu não tinha a referência, eu buscava referência, além da minha família e dos meus amigos. O ‘clic’ foi quando uma enfermeira entrou no leito da UTI e me deu um depoimento de incentivo muito grande. Eu, muito cético, disse pra ela: “Olha, você fala isso porque não é com você”. Ela respondeu: “Quem disse que não?”, me mostrando que tinha uma perna mecânica. Era uma mulher tão alegre, tão feliz, tão realizada. Teve amputação por questão médica na adolescência e mesmo a partir dali ela estudou, formou-se em enfermagem, que era o sonho da vida dela, casou-se, teve filhos. Ela pratica o paraquedismo, que não é um esporte qualquer. O exemplo daquela mulher, profissionalmente bem-sucedida (diretora de plantão de enfermagem de um hospital importante) foi muito impactante. Foi ali que percebi que eu podia ser feliz apesar daquela grande adversidade.
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iG: Quanto isso ocorreu?
Grael: Três semanas após o acidente. A partir do caso dela fui buscando vários outros casos de pessoas que sofreram o que eu sofri e conseguiram ser bem-sucedidas, no aspecto profissional e familiar. Encheram-me da referência que eu precisava. O que me motiva muito a fazer palestras é o fato de poder compartilhar a experiência que eu tive na vida. Sei que sirvo como referência. Não é só uma vida de glórias e vitórias. Houve derrotas, momentos de desânimo, vontade de superar. Acumulei experiência que vale à pena ser relatada.
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iG: O senhor perdoou a pessoa responsável por isso?
Grael: O perdão caberia à Justiça. Ela foi condenada na instância cível e criminal por unanimidade, mas no país onde a impunidade reina, nada aconteceu. A sentença (prestação de serviços à comunidade) foi convertida em cestas básicas. Eu tinha esperança que este caso não terminasse impune, mas houve condenação técnica e não justiça de fato. Mas não é algo que me traga revolta porque nada do que poderia acontecer com o causador do acidente devolveria o que eu perdi. Então é um assunto que eu preferiria não valorizar.
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iG: Depois do acidente, o senhor participou de projetos públicos e sociais ...
Grael: Quando estive na Secretaria Nacional de Esportes desenvolvi uma ONG que é o Projeto Grael, em Niterói, onde já atendemos mais de nove mil jovens com iniciação esportiva na vela, na natação, na canoagem e no ensino técnico profissionalizante. É uma forma de ensinar levando conhecimento e gerando oportunidades para que outras pessoas possam fazer o mesmo. Hoje, quando vejo campeões de vela que foram alunos lá do projeto, de comunidades carentes, sinto que isso é o melhor que posso fazer para deselitizar um esporte que foi tão intensamente rotulado como esporte de elite.
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iG: A vocação para administração pública e projetos sociais continuam?
Grael: Conheci muito do Brasil e do estado de São Paulo na gestão pública. Foi gratificante, muito importante. Desenvolvi projetos que ainda estão aí. Sempre tive noção da transitoriedade de ocupar cargos públicos. Não queria me perpetuar nesses cargos, a não ser que desejasse ser um político. Talvez no futuro eu tenha interesse em ocupar um cargo desses, mas não é o que busco.
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iG: Que lições o senhor tirou de tudo isso?
Grael: Que viver vale a pena e que de nossos sonhos não devemos abrir mão. Eu vivi muito próximo da morte, 11 anos atrás, e aprendi a dar um valor à vida tão grande que tenho isso com muita clareza hoje.

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Mais fotos: o protesto dos moradores da Estrada Fróes

Bom humor, mesmo diante do absurdo da situação. O protesto dos moradores da Estrada Fróes contra a instalação dos tapumes pela Prefeitura. Para que servem? Segundo os funcionários da Prefeitura, para conter futuros deslizamentos de lama. Ridículo!!!! Foto de Axel Grael.

O protesto contra a maquiagem. Esconder o problema em vez de resolvê-lo. Inaceitável!!! Foto de Axel Grael.


domingo, 16 de maio de 2010

Moradores da Estrada Fróes, em Niterói, fazem manifestação

Funcionários da Prefeitura instalam tapume para esconder o problema do risco da encosta, enquanto moradores fazem manifestação ao fundo. Foto de Axel Grael.

O argumento dos funcionários da Prefeitura é que o tapume era para conter a lama. Vendo essa foto, alguém acredita???? Foto de Axel Grael.


Moradores ficaram indignados. Foto de Axel Grael.


Moradores chamam a atenção para o problema. Foto de Axel Grael.


Moradores panfletam, informando a população de Niterói dos riscos que a Estrada Fróes ainda apresenta e a falta de providências para controla-lo. Foto de Axel Grael.

Ontem, dia 15 de maio, mais de um mês após as fortes chuvas que assolaram a cidade de Niterói, moradores da Estrada Fróes organizaram uma manifestação contra a falta de iniciativa da Prefeitura e dos proprietários dos imóveis que continuam a oferecer riscos elevados para os moradores e usuários da movimentada via da cidade.

Enquanto os moradores se reuniam, exibiam faixas e cartazes e panfletavam, uma surpresa! Uma equipe da Prefeitura chegou e tomou uma iniciativa emblemática da situação. INSTALARAM UM TAPUME PARA ESCONDER A CENA CONSTRANGEDORA DA ENCOSTA AINDA ABANDONADA!!!!! Acreditam???? É isso mesmo. O argumento é que o tapume evitará o deslizamento de mais lama em chuvas futuras!!!! Seria para rir, se não fosse uma situação trágica. O delizamento da encosta já custou a vida de uma pessoa, traumatizou vários moradores e causou danos materiais a muitas famílias e ainda é uma forte ameaça.

Realmente, estamos à deriva!

sábado, 15 de maio de 2010

Corrupção no Brasil pode chegar a R$ 69,1 Bilhões

Por Redação TN / Elaine Patricia Cruz, Agência Brasil
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A corrupção custa para o Brasil entre R$ 41,5 e R$ 69,1 bilhões por ano. A estimativa é de um estudo divulgado ontem (13/5) pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). De acordo com o relatório Corrupção: Custos Econômicos e Propostas de Combate, o custo com a corrupção representa entre 1,38% a 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB). O dinheiro, se investido em educação, por exemplo, poderia ampliar de 34,5 milhões para 51 milhões o número de estudantes matriculados na rede pública do ensino fundamental, além de melhorar as condições de vida do brasileiro.
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“O custo extremamente elevado da corrupção no Brasil prejudica o aumento da renda per capita, o crescimento e a competitividade do país, compromete a possibilidade de oferecer à população melhores condições econômicas e de bem-estar social e às empresas melhores condições de infraestrutura e um ambiente de negócios mais estável”, diz o estudo da Fiesp.
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O relatório aponta também que, se o desvio de verbas no país fosse menor, a quantidade de leitos para internação nos hospitais públicos poderia subir de 367.397 para 694.409. O dinheiro desviado também poderia atender com moradias mais de 2,9 milhões de famílias e levar saneamento básico a mais de 23,3 milhões de domicílios.
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Para a área de infraestrutura, o relatório calcula que se não houvesse tanta corrupção, 277 novos aeroportos poderiam ser construídos no país. A precariedade dos terminais é um dos maiores problemas para a realização da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. O estudo também revela, citando informações da organização não governamental (ONG) Transparência Internacional, que o país conseguiu reduzir a corrupção, mas não foi suficiente para tirá-lo, em 2009, da 75ª colocação em um ranking de 180 países.
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O relatório da Fiesp propõe como medidas de combate à corrupção:
  • uma reforma política que, entre outras coisas, estabeleça regras e procedimentos transparentes para o controle do financiamento de campanhas eleitorais;
  • uma reforma do judiciário, com medidas que reduzam a percepção da impunidade e que punam mais rapidamente os casos de corrupção;
  • uma reforma administrativa, que reduza as nomeações para cargos de confiança, o poder de barganha no jogo político e a captação de propinas nas estatais;
  • além de reformas fiscal e tributária, que aumentem o controle sobre os gastos públicos e evitem o pagamento de propinas.
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ILHAS DE CALOR URBANO: Calor, frescor e os ventos

Ilha de Calor. Região Portuária e Centro do Rio de Janeiro. Alta densidade urbana e verticalização. Foto de Axel Grael.
 

As “ilhas de calor” e “ilhas de frescor” na cidade do Rio de Janeiro são o objeto de estudo do geógrafo Andrews José de Lucena para a sua tese de doutorado sobre o clima urbano da cidade. Segundo o pesquisador, desde as décadas de 1970 e 1980, registrou-se o aumento de temperaturas em todas as estações meteorológicas da Região Metropolitana. Ou seja, independente das mudanças climáticas em escala global, a ciência está comprovando aquilo que todos nós já estamos sentindo na pele: o Rio está cada vez mais quente.
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O motivo é a urbanização extensa, adensada e a verticalização das edificações. O concreto, o metal e o asfalto absorvem o calor do sol e refletem a energia, aquecendo a atmosfera. Segundo o mapeamento feito pelo autor, as áreas mais quentes (ilhas de calor) são: Botafogo, Copacabana, Centro, Tijuca, Ramos, Bonsucesso, Méier e os bairros próximos à Leopoldina - justamente os mais populosos e edificados da cidade.
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Já as ilhas de frescor estão nos bairros mais arborizados e menos densos, como Gávea, Jardim Botânico, São Conrado, o entorno do Parque Estadual da Pedra Branca, do Maciço do Mendanha, Santa Cruz, Sepetiba, Guaratiba, Guapimirim e Magé.
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A poluição também é um fator de aquecimento. A Avenida Brasil e o bairro de Bonsucesso são citados como exemplos. Niterói e São Gonçalo são municípios identificados como exemplo de um fenômeno chamado de arquipélago de calor, com várias ilhas de calor surgindo rapidamente com o crescimento urbano acelerado.
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Muitos velejadores também têm percebido os efeitos do aquecimento da Região Metropolitana do Rio. Quando se chega velejando no Rio de Janeiro, há uma tendência de o vento diminuir à medida que o barco se aproxima da Baía de Guanabara e da área urbana. É como se a cidade formasse um bolsão de ar quente, onde o vento tem dificuldades de romper. Em algumas épocas do ano, nota-se uma total diferença no regime dos ventos (direção, força e intensidade) entre o lado de fora da barra da Baía de Guanabara e no seu interior. Em seu estudo, Lucena alerta também que as ilhas de calor favorecem os temporais locais, típicos dos fins de tarde de verão.
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Uma das formas mais eficientes de evitar o problema e mitigar os seus efeitos é a intensificação da arborização urbana e a preservação das áreas verdes. Nesse aspecto, um excelente exemplo para o Rio de Janeiro é a experiência de Berlim, com a criação do seu bem concebido Plano Paisagístico. Os planejadores da capital alemã idealizaram parques, áreas verdes e a arborização das ruas para induzir a melhor ventilação da cidade e evitar os rigores climáticos e a poluição.
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Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 15 de maio de 2010.



Desafio Solar

Continua hoje a etapa de Niterói do Desafio Solar 2010. Trata-se de uma competição entre barcos movidos unicamente a energia solar. O evento, que é promovido pelo Pólo Náutico da UFRJ e está sendo sediado no Clube Naval - Charitas, começou no fim de semana passado. No domingo, os participantes enfrentaram um forte temporal, que forçou o adiamento da prova para hoje. Fora algumas avarias e sustos eventuais, os barcos se portaram bem e estarão todos prontos para mais uma etapa. O que se observou nas provas de sábado foi a grande superioridade dos motores Torqeedo, fabricados na Alemanha.

RJ combate as sacolas plásticas

MAIS DE 600 MILHÕES DE SACOLAS PLÁSTICAS FORA DE CIRCULAÇÃO NO RIO
11/ 05/ 2010

Pelo menos 600 milhões de sacolas plásticas deixaram de ser utilizadas no Rio, desde o lançamento no Estado, em julho do ano passado, da Campanha “Saco é um Saco”, do Ministério do Meio Ambiente e da Secretaria do Ambiente do Rio. Os dados foram apresentados nesta terça-feira (11/05), na reunião debate sobre a campanha, promovida pela secretária estadual do Ambiente/RJ, Marilene Ramos. Fora de circulação, grande parte das sacolas plásticas deixou de lançada nos rios do Estado. Além de Marilene, estiveram presentes à reunião o presidente-executivo da Associação dos Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj), Aylton Fornari; o vice-presidente da Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Alerj, o deputado Carlos Minc, e representantes de grandes redes supermercadistas como Wal-Mart e Prezunic. O encontro, realizado na sede da secretaria, no Centro do Rio, teve por objetivo debater os avanços e as dificuldades apresentados durante o processo de implementação da Lei 5.502/2009, que prevê a substituição das sacolas plásticas pelas retornáveis em estabelecimentos comerciais. Recusar sacolas plásticas sempre que possível é uma das atitudes incentivadas pela Campanha “Saco é um Saco”. De acordo com a secretária, a campanha será intensificada até julho quando expira o prazo, estabelecido pela lei, para que as grandes redes supermercadistas façam efetivamente a substituição desse material pela retornável.

- Vamos intensificar a Campanha “Saco é um Saco” em áreas onde há muita aglomeração de pessoas, como nas praias, no Piscinão de São Gonçalo, no Maracanã, em dias de jogos. Enfim, o objetivo é esclarecer à população que as sacolas plásticas contribuem e muito na poluição do meio ambiente, pois esse material, quando descartado inadequadamente, leva até 500 anos para se decompor na natureza – disse Marilene Ramos.

Segundo o representante da rede de supermercado Wal-Mart, Felipe Zacarin, desde a implementação da lei, a rede supermercadista intensificou sua campanha de redução do consumo de sacolas plásticas. Com isso, conseguiu reduzir em 10%, ou seja, em 139 milhões, o consumo de sacolas plásticas de sua rede no país. O Wal-Mart também lançou o programa de desconto para clientes que não utilizarem, em suas compras, as sacolas plásticas. Para viabilizá-lo, a rede supermercadista investiu, no primeiro trimestre deste ano, recursos de R$ 700 mil.

Desde que foram introduzidas no país, na década de 80, as sacolas plásticas passaram a ser reutilizadas pelos brasileiros para o acondicionamento do lixo. No Brasil, cerca de 12 bilhões de sacolas plásticas são distribuídas por ano, sendo que cada cidadão brasileiro consome, em média, 800 delas por ano. A reciclagem desse material é de difícil mensuração. Poucos sacos plásticos são corretamente destinados, estando geralmente misturados a outros resíduos, ficando, portanto, contaminados e inutilizados para a reciclagem. A lei 5.502/2009 prevê um prazo de 2 a 3 anos para que empresas de pequeno porte façam a substituição e, um ano para as de grande porte. Para estas, o prazo expira em 15 de julho. Quem não cumprir ficará sujeita a penalidades previstas na lei como multa que pode chegar a 10 mil Ufirs-RJ.

Release da Ascom SEA

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Que o "Ficha Limpa" nos ajude a salvar a política nacional

Na quinta feira (13), o Supremo Tribunal Federal condenou pela primeira vez, desde a promulgação da Constituição de 1988 (há 22 anos), um parlamentar por irregularidades cometidas. O deputado cearense, Zé Gerardo (PMDB), ex-prefeito de Caucaia, captou recursos junto ao Ministério do Meio Ambiente para construir um açude, em 1997. Não construiu. Em vez disso, o dinheiro foi parar na construção de 16 pontes.

Sabendo-se do caso, não há dúvida de que se trata de uma irregularidade, mas quase que se sente pena do infeliz parlamentar. Ser o único punido em 22 anos por algo tão pequeno? O dinheiro nem foi parar na cueca dele, mas foi desviado para construir pontes para os seus eleitores. Enquanto isso, a Fiesp divulga que a corrupção no Brasil desvia anualmente 1,38% do PIB, ou seja, cerca de R$ 41,5 Bilhões.

Por que será que tanto rigor da Justiça aconteceu só agora? O processo de mobilização popular que gerou o projeto de lei da Ficha Limpa, que procura impedir que pessoas com condenação judicial possam se candidatar a cargos eletivos, pode ser uma explicação. As milhares de assinaturas que geraram um projeto de lei de iniciativa popular estão dando um claro recado aos partidos políticos, ao Congresso Nacional, aos candidatos e à Justiça Eleitoral, que o Brasil não tolera mais a corrupção e a impunidade na política. Após a celebrada aprovação do Projeto de Lei na Câmara de Deputados, agora é a vez do Senado cumprir o seu papel.

Será que o avanço do "Ficha Limpa", mesmo que aos trancos e barrancos e empurrado pela opinião pública, demonstra que o Brasil está mudando? É pode ser, mas o Brasil velho tem raízes fortes.

Enquanto os senhores ministros do STF mostravam garras e dentes contra o deputado, deixaram escapar uma assintosa peça de campanha eleitoral em que o presidente da República, pessoalmente, foi para a televisão fazer campanha ilegal para a sua candidata à sucessão. É revoltante ver a maior autoridade do país se portando desta forma, promovendo um verdadeiro valetudo para eleger a sua favorita. E, pelo jeito, essa não foi a primeira e nem será a última vez que sua excelência afrentará a legislação eleitoral, pois o rigor da Justiça inaugurado contra o deputado cearense não assusta os infratores eleitorais. É só pagar uma pequena taxa que fica tudo certo. Nada que uma caridosa doação de campanha não pague.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O pesadelo das chuvas em Niterói continua.



As fotos acima são de uma enconta na Estrada Fróes, em São Francisco, Niterói. Em abril de 2010, quando a cidade enfrentou chuvas torrenciais, a encosta deslizou matando uma pessoa que passava de carro com a família na hora, afetando casas e interrompendo o trânsito. Uma das casas seriamente afetadas foi a do meu irmão, Torben Grael.
Sem ter qualquer ação da Prefeitura ou dos proprietários dos terrenos de onde partiram os dois deslizamentos, Torben Grael obteve uma liminar para obrigar as autoridades municipais a apresentar um plano emergencial para afastar o risco para os moradores e para os milhares de usuários da Estrada Fróes.
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Hoje, 12 de maio, uma nova chuva forte aterrorizou a todos. As fotos mostram o estado precário da encosta, que continua instável e com muita lama sendo carreada pela enxurrada.

Os moradores da Estrada Fróes, que se sentem inseguros, estão inconformados com as autoridades municipais, que, assim como se observa no restante da cidade, até hoje não tomou nenhuma iniciativa para garantir a segurança da população.

Marco Regulatório do Pré-Sal

Apresentamos abaixo o bom artigo publicado pelo JB, em 07-05-2010, de autoria de Guilherme Vinhas, advogado especialista no setor de petróleo, velejador e vice-presidente do Instituto Rumo Náutico/Projeto Grael.

Projeto BG no jornal O Globo

O Globo, Rio, 12 de maio de 2010. Pág. 18.

A matéria do jornal O Globo, de 12 de maio de 2010, assinada pelo jornalista Tulio Brandão, especializado em temas ambientais, deu bom destaque ao Projeto BG, que o Projeto Grael está iniciando em parceria com as empresas BG Brasil, Prooceano e com a UFRJ. Os dados gerados pelo projeto serão oferecidos à COPPE, que utilizará na modelagem matemática da Baía de Guanabara. Também haverá uma colaboração com o INEA - Instituto Estadual do Ambiente. Os dados coletados pelos alunos do Projeto Grael ajudarão na rotina de monitoramento da qualidade da água da Baía de Guanabara.

Axel Grael

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Revista britânica "SEAHORSE" homenageia Lars Grael


O artigo acima, da Revista Seahorse (uma das mais bem conceituadas do mundo), nos encheu de orgulho.

O texto foi traduzido pelo velejador Manolo Bunge, de Ubatuba. Murillo Novaes editou e publicou em seu blog (http://murillonovaes.wordpress.com/2010/05/10/lars-grael-na-seahorse-magazine/)

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Estudioso e Cavalheiro

Centos de Staristas e convidados estavam sentados nas mesas de jantar ao redor da enorme piscina do Iate Clube do Rio de Janeiro. Por trás do palco, vídeos dos melhores momentos do Campeonato Mundial da Classe Star 2010 rolavam numa tela gigante enquanto a entrega de prêmios iniciava. Gastão Brun, Harry Adler, Peter Dirk Siemsen, Bill Allen, Claude Bonanni e muitos outros que foram e são importantes para Classe Star no Brasil e no mundo, foram chamados para subir e entregar troféus.
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As vozes e música ecoavam e o barulho quicava entre a piscina e o toldo. Alan Adler, campeão mundial de 1989, e seu proeiro Guilherme de Almeida se apresentaram no palco para receber os prêmios da quinta colocação das mãos do próprio pai, Vice-Comodoro da Classe Star, Harry Adler. Alan e Guilherme se deslocaram para esquerda, onde ficaram sob as luzes.
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Os quartos colocados foram chamados. Lars Grael e Ronald Seiffert. A casa caiu.Os aplausos troavam enquanto Lars e Ronie caminhavam entre os presentes para o palco. Terceiros no Mundial 2009 na Suécia e quartos nesse Mundial em casa, a melhor media de todas as tripulações participantes nesses dois campeonatos, provavelmente o mais difícil dos campeonatos mundiais dos one-design.

A ovação em pé para o time era pela performance na água e pelo homem que caminha pelas águas, apesar de ter uma perna só. Lars Grael é um vencedor da vida.

Junto com o irmão Torben seguiram os passos dos tios e ganharam o Mundial da Classe Snipe. Por serem dos primeiros na historia da Vela a colar os logos dos patrocinadores em suas velas, foram chamados de “mercenários”, relata Lars dando risada. Com sete medalhas olímpicas entre os dois, Lars e Torben deram às suas famílias, seu pais, seus patrocinadores, à Vela e às suas comunidades, um retorno muito maior do que poderiam ter imaginado.

Então, treinando à procura de uma terceira medalha, Lars perdeu uma das pernas e quase a vida quando uma lancha de grande porte “pilotada” (pois estava em piloto automático) por uma pessoa sob a influência do álcool passou por cima do seu Tornado, destruindo o barco e deixando-o na água lutando pela vida.

Mais de uma década já transcorreu desse terrível acidente e, com força e determinação, Lars tem hoje uma das carreiras náuticas mais brilhantes novamente encaminhada. Ele é timoneiro ganhador em barcos grandes. Atrapalhou Robert Scheidt até o final na seletiva para Olimpíada 2008. Se o vento é fraco, você pode olhar na frente da flotilha de qualquer campeonato grande que Lars e Ronie estão meia perna à frente de todo mundo. A coragem de não seguir o rebanho é um traço que compartilha com Torben…

Após a terceira colocação no Mundial 2008, Lars e Ronie voltaram ao Brasil para mostrar que são uma força a ter em conta quando ganharam a Warm-Up do mundial, a Taça Royal Thames 2010. A força de caráter de Lars ficou demonstrada quando após um 35º na primeira regata do Mundial, foi melhorando o desempenho em escala progressiva, fazendo 15º, 12º, 10º, 2º e 5º, e assim fechando quase que com chave de ouro. Se for tomado em consideração que no campeonato rolou vento fraco e rondado, correntezas, ondas acima do normal, alem de uma concorrência duríssima, essa dupla cada dia velejou melhor. Após um Mundial longo e complicado, eles ficaram acima de tripulações com muito maior capacidade física, treinamento e com ranking olímpico superior.

A equipe seguinte chamada ao pódio foi a de Torben e Marcelo (cinco Medalhas Olímpicas, Mundiais, Velejador do Ano da ISAF, ganhador da Volvo, e muito importante: irmão do Lars). Não tem como ficar melhor do que isso!

Na frente dos irmãos Grael, os dois degraus superiores foram ocupados pelos favoritos antes de iniciar-se o campeonato, Marazzi e De Maria da Suíça, e os campeões, Iain Percy e Andrew Simpson. Se a gente olha para eles, da para ver que quando não estão velejando, com certeza estão na academia. Fisicamente os rivais mais duros.
Lars Grael – educado, homem de estado, homem de família, filantropo, cavalheiro, velejador campeão, a pessoa mais considerada que você pode cruzar. Um exemplo para todos. O merecedor de uma ovação em pé.

Nota do tradutor: artigo extraído da Revista SEAHORSE de Maio 2010. Acompanha a reportagem uma foto do Lars e Ronie velejando de Star no Mundial 2010.

sábado, 8 de maio de 2010

Extinção de espécies de vagalumes do Cerrado preocupa cientistas


Luzes de alerta
6/5/2010
Por Fábio Reynol

Agência FAPESP – Milhares de minúsculos pontos de luz brilhavam sobre dezenas de cupinzeiros que cobriam a pastagem, aparentando ser uma cidade à noite, em um espetáculo luminoso em meio à escuridão da noite do Cerrado.

Tais luzes, comuns há alguns anos no Planalto Central, desapareceram quase que totalmente. Plantações de soja tomaram conta dos pastos e eliminaram os cupinzeiros, que ficaram restritos às áreas de preservação do Parque Nacional das Emas, onde são mais raros e estão encobertos pela vegetação. Mas o mais grave é que a fonte das luzes, larvas de espécies de vaga-lumes, tem desaparecido ao longo dos anos, e tamanho dano se estende até o norte de Tocantins.

A constatação é do professor Vadim Viviani, coordenador do grupo de Bioluminescência e Biofotônica da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) no campus de Sorocaba, que há mais de 20 anos visita a região do Parque Nacional das Emas, no sudoeste do Estado de Goiás, para estudar os pirilampos.

“Visitamos regularmente a região na década de 1990. Depois, nas recentes expedições de 2008 e 2009, para nossa surpresa não encontramos mais várias espécies de vaga-lumes. De maneira geral, todas as populações desses insetos diminuíram drasticamente na região”, disse à Agência FAPESP.

Há pouco mais de uma década, era possível apreciar os cupinzeiros luminescentes na região do entorno do parque. O fenômeno tem como causa uma relação de mutualismo entre espécies específicas de cupins e de vaga-lumes da espécie Pyrearinus termitilluminans. As luzes são emitidas pelas larvas dos vaga-lumes em túneis na superfície do cupinzeiro.

“É um espetáculo único no mundo, só visto no Planalto Central e em algumas regiões da Amazônia, e possui um grande potencial turístico”, aponta Viviani. O pesquisador cita exemplos de faunas bioluminescentes que movimentam a indústria do turismo em outras regiões, como a Nova Zelândia, que promove excursões a grutas forradas de larvas que emitem uma luz azulada, ou o Caribe, cujas algas luminosas atraem mergulhadores.

“Os cupinzeiros luminescentes do Brasil são mais conhecidos no exterior. As emissoras BBC, do Reino Unido, e NHK, do Japão, por exemplo, já fizeram especiais sobre o assunto. Por aqui, a Rede Globo chegou a fazer também”, disse Viviani.

Além dos montes luminosos, o avanço das plantações sobre as pastagens também vitimou espécies raras de vaga-lumes, como as da família Phengodidae, conhecida popularmente como “trenzinhos”, por emitir luzes de cores diferentes ao longo do corpo, similarmente a um trem visto à noite.

“O professor Etelvino José Henriques Bechara [do Instituto de Química da Universidade de São Paulo] participou ativamente do esforço de alertar as autoridades sobre o assunto na década de 1980 e 1990, quando ainda existiam cupinzeiros fora da área do parque”, disse.

“A Mastinomorphus, uma das espécies mais raras dessa família, emite uma luz laranja no corpo inteiro, como uma verdadeira lagarta de fogo”, disse o pesquisador da UFSCar. Nenhum exemplar dessa família foi detectado nos dois últimos anos por seu grupo.

Perdas maiores

Viviani, que também é coordenador do projeto “Coleópteros bioluminescentes da Mata Atlântica: biodiversidade e uso como bioindicadores de impacto ambiental”, ligado ao programa Biota-FAPESP, afirma que o desaparecimento dos vaga-lumes é sintoma de uma degradação ambiental muito mais ampla.

“Também pudemos perceber que nascentes de rios importantes localizadas no Planalto Central não estão dentro de áreas de proteção. Muitas foram desmatadas e pelo menos em uma vimos que o solo erodiu”, disse. As nascentes deveriam estar em áreas de proteção ambiental.

Segundo o pesquisador, a redução da biodiversidade também traz prejuízos financeiros ao país, que perde um patrimônio importante composto por substâncias presentes em espécies animais e vegetais que podem ser úteis em várias aplicações.

Os vaga-lumes são responsáveis por patentes registradas no Brasil e no Japão de produtos desenvolvidos pelo grupo de Viviani a partir do estudo com os insetos bioluminescentes.

Um dos mais interessantes é o da utilização da enzima luciferase, responsável pela luz dos pirilampos, como biossensor para a detecção de agentes microbicidas e toxicidade. Esse projeto contou com apoio da FAPESP por meio do Programa de Apoio à Propriedade Intelectual (PAPI).
A luciferase é capaz de detectar substâncias tóxicas e apresentar uma resposta visual na análise feita. “Se a luciferase se apaga é sinal da presença de uma toxina”, disse Viviani, que ressaltou que a patente resultante desse projeto gerou o depósito de outras duas.

A aplicação mais promissora da enzima luminosa é o acompanhamento do crescimento celular e a detecção de metástases. Por ela também é possível o estudo de expressão dos genes no interior celular. “É possível ver quais genes estão ligados e quais estão desligados em funções ocorridas dentro da célula. Já existem kits que fazem uso das luciferases para essa finalidade”, disse.

Um dos objetivos atuais da equipe de Viviani é aperfeiçoar a luciferase tornando-a mais utilizável para fins biotecnológicos. O professor da UFSCar explica que nos insetos as enzimas trabalham em temperaturas em torno de 20º C, enquanto que as células de mamíferos atuam na faixa dos 37º C. Por conta disso, a enzima deve ser estabilizada e ter cores modificadas a fim de responder adequadamente dentro do novo organismo.

A redução das populações de vaga-lumes é um obstáculo a essas pesquisas e um empecilho a novas descobertas. Viviani lembra ainda que esses insetos têm sofrido os efeitos da iluminação artificial que vem se espalhando pelo planeta desde o século 19.

“O ambiente noturno iluminado artificialmente causa impactos ecológicos sutis e os vaga-lumes são os primeiros a senti-los”, disse, citando a contribuição para o tema do livro Antes que os vaga-lumes desapareçam – A influência da iluminação artificial sobre o ambiente, de Alessandro Barghini, pesquisador do Instituto de Eletrotécnica e Energia e do Laboratório de Estudos Evolutivos do Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP), lançado recentemente.

As pesquisas realizadas no entorno de cidades também indicam a redução das populações de vaga-lumes. De cerca de 20 espécies encontradas há poucos anos nas áreas de Campinas e Sorocaba, hoje os pesquisadores da UFSCar só identificam duas.

Com o crescimento das cidades, sobraram aos vaga-lumes as áreas rurais, que também vêm sendo degradadas. “Há anos estamos dizendo que a ocupação desorganizada do campo está afetando dramaticamente a natureza.”

“Se nenhuma atitude séria for tomada, ninguém conseguirá aproveitar mais esses recursos naturais importantes”, alertou o pesquisador. Viviani estima que existam mais de 2 mil espécies de vaga-lumes no Brasil, das quais somente cerca de 500 estão catalogadas e talvez muitas já tenham desaparecido.

“O mais grave é que o desaparecimento dessas espécies representa um desastre ambiental silencioso. Poucos sabem da importância das moléculas de vaga-lumes em biomedicina e em biotecnologia nos dias de hoje”, afirmou o pesquisador.
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Velejadores denunciam o drama da Represa Guarapiranga

Pier do iate clube totalmente circundado pelas plantas aquáticas. Foto enviada por Cláudio Biekarck.


A Baía de Guanabara, a Represa de Guarapiranga (São Paulo) e o Rio Guaíba (Porto Alegre) têm em comum muito mais do que a primeira sílaba. São consideradas as localidades mais tradicionais e emblemáticas da vela nacional, pois são o berço do esporte no país e produziram os principais atletas que fizeram da vela a modalidade com o maior número de medalhas olímpicas no Brasil. Enquanto a vela se desenvolvia como esporte e o calendário de competições nacionais se fortalecia, surgia também uma saudável rivalidade entre os velejadores, principalmente entre paulistas e fluminenses. O Rio Yacht Club (Sailing) e o São Paulo Yacht Club, por exemplo, disputam há muitas décadas a Commodore´s Cup, uma regata de equipes entre velejadores dos dois clubes. Infelizmente, dos gloriosos aspectos históricos, estes corpos d´água têm outra coisa em comum: todas foram tristemente afetadas pela poluição. Dentre elas, merece destaque o drama vivido pela Represa de Guarapiranga. Construída em 1911 para servir de manancial para a cidade de São Paulo, o local tem sofrido contraditoriamente com os aportes de esgoto doméstico que afetam a qualidade de suas águas. Além disso, há o problema das invasões de suas margens nos períodos de estiagem. Quando as águas baixam, famílias de baixa renda invadem a área do espelho d´água , o que impede que o seu nível retorne à cota original no período seguinte de chuvas. A situação é dramática. Velejadores da Represa de Guarapiranga lançaram mais um grito de socorro. O reconhecido velejador Cláudio Biekarck, distribuiu fotos que mostram a que ponto as coisas chegaram. Extensas ilhas de plantas aquáticas, as chamadas gigogas, vêm tomando o espelho d´água e dificultando o acesso dos velejadores à água. Somente uma coisa pode conter a proliferação contínua desses vegetais, que é a remoção dos nutrientes que chegam à represa pelos rios poluídos. Desejo sucesso para mais essa campanha dos velejadores da Guarapiranga.
Da coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói-RJ. 08-05-2010.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Pensando a educação

05/05/2010 - 12:54:43

Estudo aponta que recursos financeiros não garantem bom ensino

Por Redação TN / IG Educação

Um levantamento realizado pelo Ministério da Educação demonstrou que recursos financeiros em caixa não garantem um ensino de qualidade às crianças e aos adolescentes do País. Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, dinheiro explica apenas 50% dos resultados de desempenho de uma escola, cidade ou Estado. O restante depende de boa gestão, projetos pedagógicos consistentes e envolvimento.

O estudo elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) utilizou os últimos resultados consolidados e divulgados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para séries iniciais do ensino fundamental, de 2007, e o investimento feito por cada Estado (por aluno) naquele ano. A análise não se estendeu a municípios. O intuito era conferir a relação entre dinheiro e qualidade de ensino a partir de critérios estatísticos.

A comparação revela situações interessantes entre os Estados. Há uma tendência de melhoria no desempenho a partir do aumento de investimentos. A relação, no entanto, não é tão direta. Pode-se perceber isso ao analisar o Distrito Federal, por exemplo, que é o Estado que mais gasta com educação – R$ 3,8 mil por aluno em 2007 – e tem boas notas, mas não a mais alta.
O índice de desempenho mais alto é do Paraná. O Estado atingiu média 4,82, investindo R$ 2.637 por cada estudante. Para a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda, as lições paranaenses merecem ser seguidas. “É o bom exemplo porque tem muito recurso e ele é bem utilizado. O Estado tem características de boa gestão, que promove inovação e garantia do direito de aprender”, diz.

Na avaliação de Pilar, não há dúvidas de que o País precisa investir mais em educação. Opinião endossada pelo ministro Fernando Haddad em recente entrevista ao iG, que ainda defendeu melhorias na organização das redes de ensino. “O dinheiro tem de estar aliado a projetos pedagógicos consistentes”, frisa a secretária de Educação Básica.

“Não por acaso 80% dos municípios prioritários do Ideb estão nos Estados mais pobres do País”, ressalta Pilar. Todos que ficaram abaixo da média brasileira no Ideb – que foi de 4,2 nas séries iniciais do ensino fundamental – recebem apoio extra do ministério. Na Bahia, o Estado que menos investiu em educação (R$ 1.614), estão 279 dos 1.827 municípios considerados prioritários pelo MEC.

Apesar de ter o mais baixo investimento em educação, a Bahia não possui o pior Ideb - 3,22. O lugar com o índice mais baixo apontado pelo estudo do MEC é o Pará, que obteve nota 3,02 em 2007. As escolas paraenses gastaram naquele ano R$ 1.756 com cada aluno.
Desigualdades repetidas na sala de aula

A comparação feita entre investimentos em educação e qualidade precisa ser cuidadosa. Os dados mostram que Minas Gerais, por exemplo, obteve o quinto melhor resultado no Ideb 2007: 4,58. Em termos de recursos gastos com ensino, a proporção não é a mesma. O estado mineiro investiu R$ 2.277 por cada estudante. A aparente excelência esconde fragilidades que não devem ser esquecidas, salienta Pilar.

As diferenças de desempenho entre as regiões do Estado só aparecem na decomposição da nota. Os municípios mais pobres possuem índices de desempenho muito ruins. “Não podemos achar que só a gestão vai vencer os desafios da educação. A pobreza da sociedade precisa ser vencida. É preciso discutir a distribuição de renda e a diferença de oportunidades para mudarmos o cenário”, defende Pilar.

Para a coordenadora do programa de educação do Unicef no Brasil, Maria de Salete Silva, a sociedade brasileira possui uma grande dívida na área da educação. “O investimento deve estar ao lado do direito de aprender universalizado. É preciso ter clareza sobre as enormes desigualdades do País. A zona rural é pior que a urbana, a situação dos negros e indígenas é pior que a dos brancos, a situação do adolescente é pior que a da criança. A desigualdade deve mostrar o caminho do investimento”, diz.
O que mudar ?

Em junho, o Ministério da Educação vai divulgar uma pesquisa feita com as escolas que demonstraram o maior salto de qualidade entre o primeiro e o segundo resultados do Ideb. O Unicef, responsável pelo estudo, fez uma comparação entre as notas de 2005 e 2007. A partir daí, buscou identificar o que proporcionou a melhora no desempenho.

Pilar adianta que as escolas declararam que só tiveram noção do próprio desempenho a partir da divulgação do Ideb. Até então, professores e diretores não sabiam avaliar o próprio trabalho. Além disso, o Plano de Ações Articuladas é apontado como fundamental para orientar o trabalho de escolas e municípios.

O PAR dá suporte aos municípios considerados prioritários pelo MEC. A verba extra liberada pelo ministério para essas localidades está condicionada à apresentação de planos de trabalho, com metas, ações e estratégias previamente definidas. “Sem políticas públicas de Estado, não há como mudarmos a realidade”, diz Pilar.

Além de gestão eficiente, os especialistas apontam como fundamental para o sucesso da escola a construção de um projeto pedagógico com os professores e os funcionários – para que eles entendam o que estão fazendo e o porquê –, a participação da comunidade e o clima de otimismo. “É subjetivo, mas faz muita diferença o olhar da direção e dos professores sobre si mesmos e os alunos. Isso melhora a autoestima”, defende Pilar.

Para Salete, a formação dos professores também precisa ser revista para garantir melhorias na educação. Ela acredita que os universitários não têm, durante a graduação, noção da realidade que os espera nas escolas. “Essa articulação precisa ser garantida. Muitas vezes, a formação continuada apenas tapa buracos da formação inicial.”