terça-feira, 12 de dezembro de 2017

PARCERIA DO PROJETO GRAEL E UFF RECUPERA BARCO PARA APOIO À PESQUISA



Alunos do Projeto Grael que participaram da reforma do Fuzzarca.

Equipe do LAMMOC (UFF) e do Projeto Grael.

Ingrid Grael, mãe de Axel, Torben e Lars, na cerimônia de batismo do Fuzzarca, em 2008.


Reforma do barco Fuzzarca e preparação para uso em pesquisa

Alunos da Oficina Profissionalizante de Fibra de Vidro do Projeto Grael, sob a orientação da instrutora Jaqueline Santuchi, recuperaram o barco Fuzzarca, que pertence ao Projeto Grael, para ser utilizado no Projeto Barco Escola, uma parceria com o Departamento de Engenharia de Recursos Hídricos e do Meio Ambiente, da Universidade Federal Fluminense - UFF.

O Fuzzarca foi adquirido pelo Projeto Grael em 2008 para treinamento dos seus alunos e, ultimamente, sofria com a falta de manutenção desde que o patrocínio que tínhamos para o barco concluiu-se. Com o apoio da UFF, o barco está ficando lindo e será muito útil para os estudos na Baía de Guanabara.

O barco estava sofrendo por falta de manutenção. Veja como estava:




O Fuzzarca estava em péssimo estado, sem manutenção desde que o contrato de patrocínio que o Projeto Grael contava para o barco expirou. 

Veja como, depois de muito trabalho, o Fuzzarca ficou lindo:









Muito trabalho.


Após a reforma, o Fuzzarca ficou lindo e está pronto para servir aos alunos do Projeto Grael e aos estudantes e pesquisadores da UFF, para 


O nosso agradecimento à UFF por ajudar a viabilizar a reforma do Fuzzarca, também ao Clube Naval, que cedeu espaço, logística e infraestrutura para que o trabalho fosse viável e a todos os alunos e membros da equipe do Projeto Grael e da UFF que trabalharam para reformar o barco.

Que o barco seja muito bem aproveitado, em benefício da educação, da ciência, da pesquisa e do maior conhecimento do ecossistema da Baía de Guanabara. E, à equipe do Projeto Grael, que fique a promessa de manter o barco e que o mesmo não se deteriore novamente.

Bons ventos ao Fuzzarca e a todos que nele naveguem.

Axel Grael



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Projeto Barco Escola incentiva ingresso de alunos da rede pública nas universidades


Promover educação de qualidade e gerar energia sustentável são tarefas complexas e aparentemente distintas, mas o Projeto Barco Escola, desenvolvido pela Engenharia de Recursos Hídricos e do Meio Ambiente consegue integrá-las com sucesso. Esta é mais uma iniciativa da UFF que foca no ensino e no desenvolvimento tecnológico e científico e reflete a busca por soluções que beneficiem diretamente a sociedade.

Com o objetivo de incentivar o ingresso de estudantes da rede pública nas universidades, o projeto teve início em 2013, com a coordenação do professor Márcio Cataldi. Atualmente, o Barco Escola conta com a participação de cerca de 20 alunos da graduação, além de uma parceria de cooperação técnica com o Projeto Grael.



A ideia surgiu após a realização de aulas práticas em um veleiro com o uso de medição atmosférica e se tornou uma oportunidade de estímulo ao conhecimento dos envolvidos. “O incentivo ocorre a partir do contato destes alunos da rede pública com uma universidade que pode ser dinâmica, divertida, atraente, com laboratórios itinerantes, a céu aberto, e principalmente, formada por professores e estudantes que são pessoas comuns, assim como eles”, enfatiza Cataldi.

A união entre a teoria e a prática permite que os participantes adquiram conhecimento de maneira inovadora e estimulante sobre diversos assuntos. “Entre as temáticas que podem ser desenvolvidas a bordo do veleiro, estão: meio ambiente, instrumentação, energias renováveis, física do ambiente, um pouco de história e matemática, além de tecnologia de baixo custo”, descreve o professor.

O projeto apresenta ainda um viés pedagógico desses conceitos também para os estudantes da graduação, permitindo que desenvolvam pesquisas com instrumentação de baixo custo e energias renováveis. Segundo o coordenador, a iniciativa contribui não só para o treinamento de sua capacidade docente nas aulas ministradas pelos graduandos da Engenharia nas escolas, como também para a compreensão da indissociabilidade entre ensino-pesquisa-extensão.




A seguir, Márcio Cataldi explica um pouco mais sobre o trabalho coordenado:

Como tem sido o desenvolvimento do projeto?

No ano de 2016, tivemos a primeira experiência com o Colégio Agrícola da UFF, em Magé, e obtivemos um feedback positivo dos alunos que participaram conosco dessa construção. Além disso, conseguimos publicar um trabalho relatando a vivência no 15° Encontro Nacional dos Estudantes de Engenharia Ambiental (XV ENEEAMB), em Belo Horizonte/MG, no mês de julho de 2017. Hoje, o projeto passa por um momento importante nos sonhos e intenções de seus componentes para com a sociedade fora dos muros da universidade. Estamos com parceria fechada com o Projeto Grael, que compartilha das mesmas visões no que diz respeito às questões educacionais e pedagógicas, e disponibilizou o barco Fuzzaca para ser utilizado por nós como laboratório itinerante.




Atividade do Laboratório de Monitoramento e Modelagem do Sistema Climático (LAMMOC), da Engenharia de Recursos Hídricos e Meio Ambiente no Projeto Grael. A parceria dá oportunidades de aprender e atrai o interesse dos nossos alunos.


Quais atividades são realizadas com os estudantes que participam do Barco Escola?

Antes dos alunos irem para a aula embarcada, são ministradas três aulas na escola, uma sobre instrumentação ambiental, outra sobre energias renováveis e uma terceira sobre conceitos náuticos básicos. Além disso, eles tem uma aula na UFF, no Laboratório de Monitoramento e Modelagem do Sistema Climático (Lammoc), com acesso à confecção de instrumentos de baixo custo, que serão utilizados na embarcação. Para as próximas edições teremos também uma aula de educação ambiental. No barco, eles aprendem a fazer medições atmosféricas e oceânicas, tanto com os equipamentos que eles montam, quanto com os de uma estação automática comercial, visualizam a conversão de energias renováveis e auxiliam, de forma controlada, na condução da embarcação. As medições são feitas em locais diferentes, onde as variáveis possuem grandes alterações e cuja natureza é explicada para eles.




Quais equipamentos são utilizados a bordo?

Na embarcação, utilizamos equipamentos atmosféricos e oceânicos comerciais de uma estação automática da marca La Crosse, instrumentos para a medição de temperatura e umidade relativa do ar, pressão atmosférica, precipitação e temperatura da água, montados pelos próprios alunos, com sensores de baixo custo e prototipagem Arduino.

Qual o impacto do projeto Barco Escola no ensino desses estudantes da rede pública?

O principal impacto que nós já percebemos é mesmo na motivação para que eles se esforcem para entrar na universidade. Na nossa última turma, de quase 50 alunos, somente quatro fizeram inscrição no Enem. O que queremos é que eles se encantem pela universidade, que passem por cima das dificuldades e consigam fazer parte do quadro discente das instituições públicas de ensino superior. Percebemos que, ao final do projeto, eles já estão perguntando sobre o nosso curso e também sobre outros cursos da UFF, com um interesse bem maior.

Quais são as perspectivas para o projeto a longo prazo?

As perspectivas são de aumentar o número de alunos da UFF participantes do projeto e que sejam capacitados para ministrar também as aulas, e com isso atender mais escolas. Pretendemos ainda deixar o veleiro totalmente sustentável, com motor elétrico para quando não tiver vento, alimentado por energia eólica, solar e hidrodinâmica. Isso tudo seria utilizado como material didático.


Fonte: UFF



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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Atlas de répteis destaca Cerrado e Caatinga como regiões importantes para conservação







Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – Um grupo internacional de pesquisadores mapeou mais de 10 mil espécies de répteis terrestres, preenchendo uma lacuna no Atlas da Vida, a primeira síntese global da distribuição de vertebrados terrestres. Como os répteis representam um terço da diversidade de vertebrados terrestres, a confecção do mapa da distribuição de répteis tem impacto importante em iniciativas de conservação.

O mapeamento da distribuição de aves, mamíferos e anfíbios já havia sido concluído em 2008, mas os répteis não foram incluídos porque as prioridades da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que centralizava esses esforços juntamente com ONGs de conservação, foram dirigidas para outros grupos de organismos.

Desde então, o conhecimento sobre répteis aumentou muito, o que permitiu o mapeamento de 6.110 espécies de lagartos, 3.414 de serpentes e 322 de quelônios. Os dados completam o mapa global das mais de 31 mil espécies dos vertebrados tetrápodes (grupo que exclui os peixes), com cerca de 5 mil mamíferos, 11 mil aves e 6 mil anfíbios.

O mapeamento dos répteis foi descrito em Nature Ecology & Evolution, em um trabalho liderado por pesquisadores das universidades Oxford e de Tel Aviv, que contou com a colaboração de outras 30 instituições de 13 países. Quatro cientistas brasileiros, sendo dois da Universidade de São Paulo, um da Universidade de Brasília e um do Museu Paraense Emílio Goeldi, participaram do estudo e coordenaram parte do mapeamento na América do Sul, junto com pesquisadores do Equador e da Colômbia.

O mapeamento revelou padrões inesperados e regiões de alta biodiversidade em zonas não consideradas prioritárias para conservação. Entre elas estão a Caatinga e o Cerrado brasileiros e a região sul dos Andes no Chile. Outras regiões que mostraram ser pontos de alta biodiversidade são o deserto central da Austrália, o sul da África, as Estepes Euroasiáticas e a Península Arábica.

“Ao inserir répteis no Atlas da Vida – que têm padrões de distribuição diferentes de mamíferos, aves e anfíbios – surgem algumas áreas inesperadas. Isso ocorre porque a fisiologia dos répteis permite que eles se adaptem bem melhor em áreas abertas, não florestais, em geral negligenciadas quanto à diversidade biológica”, disse Cristiano Nogueira, pesquisador do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores do estudo, à Agência FAPESP.

“No Brasil, sabemos que boa parte dos lagartos tem a distribuição centrada em áreas abertas ou semiáridas, como o Cerrado e a Caatinga, e existem várias espécies endêmicas nessas regiões. Em geral, áreas que concentram muitas espécies endêmicas são insubstituíveis, e sempre surgem como prioridades, ainda mais quando negligenciadas em estratégias anteriores”, disse Nogueira, cujo estudo tem apoio da FAPESP por meio do programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes.

Importância local

Embora a diversidade de lagartos seja muito maior que a de serpentes, localmente é comum haver maior diversidade dessas últimas. “Podemos encontrar, em áreas extensas, uma mesma espécie de serpente, pois elas em geral apresentam distribuições mais amplas; já as espécies de lagartos variam muito de uma área para outra”, disse Nogueira.

Segundo ele, essa questão ressalta a importância do estudo de répteis, principalmente de lagartos, para a conservação. “Com um mapeamento detalhado, percebemos cada vez mais que uma grande unidade de paisagem, como a Amazônia, não é algo único. O Escudo das Guianas, por exemplo, tem uma diversidade de fauna completamente diferente da encontrada ao sul do rio Amazonas. Por isso, sem conhecer em detalhe a distribuição e diversidade dos organismos, é muito difícil elaborar boas estratégias de conservação”, disse.

O mesmo ocorre com o Cerrado, a Mata Atlântica e outras regiões naturais do continente. No Cerrado, com os dados detalhados pelo mapeamento de répteis, estudos anteriores puderam delimitar, pelo menos, 13 grandes subunidades biogeográficas.

Nogueira explica que a parte Sul do Cerrado– que abrange São Paulo, Minas Gerais e parte do Mato Grosso do Sul – é a mais ameaçada e abriga uma fauna de répteis diferente do Cerrado Central – Brasília, Chapada dos Veadeiros –, que, por sua vez, também difere do Cerrado do Oeste da Bahia.

“Com o mapeamento da distribuição de animais podemos ter uma visão mais detalhada dessas subunidades, pois a conservação em cada uma delas exige estratégias diferentes e localizadas”, disse.

Impacto na Lista Vermelha

Nogueira explica que as listas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) costumam ser feitas em reuniões de pesquisadores, antes da confecção dos mapas detalhados. “Normalmente, os mapas de distribuição usados em conservação são incompletos, algumas vezes feitos durante as oficinas de avaliação, em reuniões de alguns dias, sem haver um esforço prévio de confecção dos mapas e revisão de registros de ocorrência. Desta vez, foi feito ao contrário: primeiro o mapa dos répteis e depois a lista. Com isso, as reuniões e discussões de ameaça foram muito mais embasadas, pois utilizaram dados com milhares de pontos anteriormente revisados pelos pesquisadores e mapas que vinham sendo aperfeiçoados continuamente há alguns anos”, disse.

Um exemplo dessa melhora foi a redução de espécies na categoria “dados deficientes” das Listas Vermelhas da Fauna Brasileira, que seguiram as diretrizes da IUCN. “Em anfíbios, que teve a lista feita antes do mapeamento mais detalhado, cerca de 20% das espécies estão como dados deficientes. Em serpentes, essa taxa é de 6%. Isso tem relação com a qualidade dos mapas. O nível de segurança na tomada de decisões quando se tem bons mapas aumenta muito”, disse Nogueira.

Para os pesquisadores, além da importância nas listas brasileiras de espécies ameaçadas, o mapeamento dos répteis tem relevância global na conservação das espécies.

“As avaliações de risco de extinção de mamíferos, aves e anfíbios já contavam com mapas gerados durante iniciativas globais. Por esse motivo, praticamente todas as espécies desses grupos já haviam sido avaliadas na lista mundial. Já os répteis vêm recebendo atenção nesse sentido apenas recentemente e somente pouco mais da metade das espécies desse grupo já foi avaliada”, disse à Agência FAPESP Marcio Martins, professor do Instituto de Biociências da USP e também autor do estudo. Martins teve apoio da FAPESP por meio de Projeto Temático já concluído.

O artigo The global distribution of tetrapods reveals a need for targeted reptile conservation (doi: http://dx.doi.org/10.1038/s41559-017-0332-2), de Uri Roll, Anat Feldman, Maria Novosolov, Allen Allison, Aaron M. Bauer, Rodolphe Bernard, Monika Böhm, Fernando Castro-Herrera, Laurent Chirio, Ben Collen, Guarino R. Colli, Lital Dabool, Indraneil Das, Tiffany M. Doan, Lee L. Grismer, Marinus Hoogmoed, Yuval Itescu, Fred Kraus, Matthew LeBreton, Amir Lewin, Marcio Martins, Erez Maza, Danny Meirte, Zoltán T. Nagy, Cristiano de C. Nogueira, Olivier S. G. Pauwels, Daniel Pincheira-Donoso, Gary D. Powney, Roberto Sindaco, Oliver J. S. Tallowin, Omar Torres-Carvajal, Jean-François Trape, Enav Vidan, Peter Uetz, Philipp Wagner, Yuezhao Wang, C. David L. Orme, Richard Grenyer e Shai Meiri, pode ser lido no Nature Ecology & Evolution B em https://www.nature.com/articles/s41559-017-0332-2.


Fonte: Agência FAPESP











EDUCAÇÃO EM NITERÓI: UMEI do Preventório será entregue no primeiro trimestre de 2018




Nova unidade será mais uma a auxiliar no desenvolvimento de uma educação pública de qualidade na região. Foto: Divulgação / Luciana Carneiro



Matrículas para o ano letivo de 2018 se iniciarão no mês de fevereiro


A Unidade Municipal de Educação Infantil (Umei) do Preventório, localizada em Charitas, na Zona Sul de Niterói, será entregue no primeiro trimestre de 2018. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (11) pelo prefeito Rodrigo Neves, durante vistoria às obras. Com investimento de R$ 7 milhões, a creche será a maior da rede de ensino do município e é a vigésima segunda escola construída pela atual gestão.

A Umei do Preventório terá capacidade para atender 360 crianças, na faixa etária de 2 a 6 anos, das regiões de São Francisco, Jurujuba, Charitas e Região Oceânica. O prédio de três andares contará com 16 salas climatizadas, brinquedoteca, refeitório, cozinha, vestiário e pátio coberto, numa área total de 1.848 metros quadrados.

“Essa obra é muito significativa para a comunidade do Preventório, que é uma das maiores de Niterói, e para toda essa região. Já realizamos aqui importantes investimentos em infraestrutura e políticas sociais. O Preventório tem uma unidade de educação infantil que atende parte da demanda, mas a nova Umei será a maior da cidade. Decidimos fazer esse investimento num terreno que fica na entrada da comunidade, que estava abandonado há muitos anos e era um depósito de sucata. Verifiquei que o cronograma está sendo cumprido e vamos inaugurar no primeiro trimestre de 2018. Mais de 300 crianças terão assistência completa, em horário integral, quatro refeições por dia. Imagino que para a comunidade seja muito importante estarmos aqui confirmando a inauguração desse projeto”, afirmou Neves.

A Umei do Preventório integra o Programa Mais Infância, criado em 2013, e que tem como objetivo ampliar o número de vagas de maneira a garantir o acesso e a permanência dos alunos na Educação Infantil.

Para o presidente da Associação de Moradores do Preventório, Rafael Salles, como a nova Umei vai triplicar o número de crianças atendidas, as famílias da comunidade aguardam com ansiedade a inauguração da nova creche. “A expectativa dos pais é muito grande. A creche atual atende a 130 crianças, a nova terá o triplo de alunos”, disse.

Rodrigo Neves vistoriou as obras ao lado da secretária de Educação, Ciência e Tecnologia, Flávia Monteiro, o do presidente da Fundação Municipal de Educação, Bruno Ribeiro, além do secretário de Obras, Vicente Temperini.

Flávia Monteiro disse que o objetivo dos investimentos na construção de novas escolas é trilhar um caminho melhor para Niterói através da Educação. “Não se trata apenas de uma obra. É um equipamento que prioriza não só a qualidade de sua infraestrutura, mas também a qualidade pedagógica”, declarou Flávia.

Para Bruno Ribeiro, a nova unidade será mais uma a auxiliar no desenvolvimento de uma educação pública de qualidade na região. “A Umei do Preventório irá oferecer todos os recursos necessários para qualificar o ensino e melhorar o desempenho dos nossos alunos”, destacou Bruno.

As matrículas da nova UMEI do Preventório para o ano letivo de 2018 iniciarão em fevereiro.



Fonte: O Fluminense
 










Cientistas brasileiros descobrem que árvores amazônicas são grandes emissoras de metano



Durante expedição à Floresta Amazônica, pesquisadores mediram a emissão de metano de 2.300 árvores (Foto: Divulgação)


Danielle Kiffer

As árvores das florestas alagadas em torno do rio Amazonas emitem tanto metano (CH4) para a atmosfera quanto todos os oceanos do mundo juntos. Foi o que constatou pesquisa conduzida pelos professores Alex Enrich-Prast, do Departamento de Botânica do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Humberto Marotta, do Instituto de Geografia da Universidade Federal Fluminense; e Olaf Malm, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ. Enrich-Prast, Malm e Marotta são Cientistas do Nosso Estado e Jovem Cientista do Nosso Estado da FAPERJ, respectivamente. O estudo, que rendeu um artigo publicado na revista Nature, foi desenvolvido em conjunto com pesquisadores da Open University, no Reino Unido, e da Universidade de Linköping, na Suécia.

Segundo Enrich-Prast, durante a pesquisa, foram realizadas duas expedições à Amazônia, uma em 2013 e a outra em 2014. Na última, cerca de 20 pesquisadores percorreram de barco mais de mil quilômetros no trajeto que seguiu por Manaus e atravessou os rios Negro, Solimões e Tapajós durante 60 dias. Os biólogos analisaram as emissões de metano de 2.300 árvores. “Foi surpreendente encontrar uma fonte natural de emissão de metano tão relevante do ponto de vista global e que era totalmente desconhecida e desconsiderada. E ainda descobrir que os gases são eliminados pelos caules”, afirma Enrich-Prast.

Embora os gases emitidos pelas árvores realmente contribuam para o aquecimento global, de acordo com o pesquisador, a floresta nunca deve ser considerada um perigo para o meio ambiente por esse fator. “São fontes naturais, que certamente emitem metano há milhões e milhões de anos. Devemos nos preocupar com as fontes artificiais de emissão desse gás, provenientes, principalmente, da indústria de laticínios e carne, da queima de combustíveis fósseis e dos aterros sanitários. O que devemos questionar é como a intervenção humana vem alterando de forma significativa a natureza, e o quanto essas mudanças climáticas vêm afetando o comportamento das árvores, inclusive na quantidade de metano emitida por elas”, diz.

Para Marotta, o resultado desse trabalho mostra a importância de se pesquisar com mais profundidade áreas tropicais. “Essa descoberta sinaliza apenas o começo de muitas pesquisas que ainda vamos realizar. Já estão planejadas novas expedições à Amazônia para que possamos começar a desvendar os processos que regulam essas emissões de metano, se elas variam ao longo do ano, se existem famílias e gêneros de plantas que tenham maiores taxas de emissão, por exemplo”, finaliza.


Fonte: FAPERJ









Testemunhos paleontológicos da passagem do tempo



Na bacia de São José de Itaboraí, foram encontrados fósseis que registram a vida há 60 milhões de anos (Foto: Lilian Bergqvist/UFRJ)


Maria Antonieta da Conceição Rodrigues*

Entender a história geológica da Terra, que implica uma dimensão temporal muito maior que o da própria existência humana, constitui uma experiência fascinante. As rochas, os minerais e os fósseis são os elementos que possibilitam o entendimento de eventos e fenômenos geológicos que ocorreram há milhões e até mesmo bilhões de anos. Mares que se transformaram em montanhas, desertos em florestas tropicais e rios caudalosos em amplas planícies geladas – tudo é possível no transcorrer do tempo.

Ao longo dos últimos 3,8 bilhões de anos de história do nosso planeta, a vida surgiu, se diversificou e deixou registros, que possibilitam o remontar de uma história intrincada de ocupação dos espaços ecológicos e de transformações dos cenários ambientais. Desde o aparecimento da primeira célula, até a complexidade atual dos seres vivos, que encontramos no registro geológico estas evidências de vida, materializadas nos fósseis.

Podemos imaginar que eles são como o sequestro da vida pelos processos relacionados à dinâmica interna do planeta. O natural seria imaginarmos que um organismo ao morrer se desintegraria e seus elementos químicos voltassem a fazer parte do ciclo natural de nutrientes do solo. No evento de fossilização, este caminho natural da história da morte é subvertido, e os restos orgânicos passam a ser incorporados aos sedimentos, preservando-se por milhões de anos. Trata-se de um sequestro da história biológica de um indivíduo, em direção ao ciclo das rochas.

Muitos podem imaginar que um fóssil é a matéria orgânica mineralizada, inerte e “desprovido de vida”. Porém, para os paleontólogos, ele se transforma em uma janela no tempo passado, no qual animais e plantas pretéritos realizam uma conexão com aqueles que encontramos no mundo atual. Descobrir um fóssil é uma experiência única, em que se pode vislumbrar mundos que não mais existem, vidas que não mais se repetirão, e que, num ato inimaginável, podemos ressuscitá-las e traduzir em cores, texturas e formas as existências do passado, possibilitando, assim, contar a história da vida no transcorrer da existência da Terra.

Uma pequena parte desta história escrita nas rochas e nos fósseis encontra-se em nosso estado. Apesar de as rochas mais antigas do Rio de Janeiro, datadas de mais de 2 bilhões de anos, não conterem fósseis, são muitos os registros da vida em depósitos com alguns milhões de anos, localizados tanto no interior quanto no litoral. Durante os eventos que resultaram na separação da América do Sul e África, há mais de 140 milhões de anos, desenvolveram-se depressões ao longo dos limites atuais entre estes dois grandes continentes, onde proliferavam em lagos e mares interiores, pequenos organismos que deram origem às importantes jazidas de óleo e gás que hoje encontramos nas bacias de Campos e de Santos. Neste caso, tamanho certamente não é documento! Ainda hoje, fósseis microscópicos representados por esporos, pólens, microcrustáceos e protozoários marinhos são recuperados das sondagens realizadas para a exploração petrolífera, possibilitando, assim, o entendimento da origem de recursos minerais tão importantes para a economia do Rio de Janeiro.

E que outros fósseis encontramos em nosso estado? Talvez a primeira ideia seja de que teríamos dinossauros. Não, não os temos. Porém, possuímos o primeiro grande registro de mamíferos no mundo, em rochas que datam logo após a extinção destes répteis. Trata-se de rochas tão importantes, que até mesmo um tempo geológico é a elas dedicado, o “Itaboraiense”, época em que viveram mamíferos já extintos na região do município de Itaboraí. E é exatamente lá, que se desenvolve, atualmente, um dos grandes programas educacionais em geociências de nosso País.

A Bacia de São José de Itaboraí – assim denominada por sua localização no bairro homônimo do município de Itaboraí, distante cerca de 30 quilômetros de Niterói – é uma localidade-ícone para a paleontologia mundial. Durante aproximadamente 50 anos, realizou-se a extração de calcário na localidade da Fazenda São José, e, durante as etapas de exploração mineral, foram recuperados centenas de fósseis de mamíferos, répteis, aves e moluscos. Um registro monumental da história da vida há 60 milhões de anos no território fluminense.

Inegavelmente, Itaboraí esteve presente na vida de gerações de paleontólogos formados em nossas universidades. A localidade, de fácil acesso, e com afloramentos de rochas que possibilitavam o entendimento dos eventos geológicos dos últimos milhões de anos, sempre representou um espaço aberto para aprendizagem e qualificação de novos geocientistas. Com a descoberta do pré-sal, estas rochas despertaram novo interesse científico na medida em que as mesmas podem ser consideradas como análogas das “rochas reservatório” do pré-sal.

No estado do Rio de Janeiro, temos o maior número de paleontólogos do País, trabalhando em diferentes áreas do conhecimento paleontológico – desde a aplicação desta ciência na prospecção de recursos petrolíferos, até sua utilização para o entendimento teórico dos grandes fenômenos de evolução e extinção da vida na Terra. Universidades, centros de pesquisa, empresas e museus concentram especialistas em diferentes temas, desde o estudo de fósseis manométricos, até os grandes mamíferos das eras interglaciais. Assim, com o apoio da FAPERJ, estabelecemos, há mais de uma década, o Instituto Virtual de Paleontologia (IVP), programa institucional da FAPERJ inicialmente coordenado por mim e atualmente um projeto de extensão da Uerj coordenado pelo professor Hermínio Ismael de Araújo Júnior, também da FGEL-Uerj. O referido programa congrega instituições de ensino e pesquisa neste desvendar da história da vida. O IVP tem sido uma ação colaborativa das instituições sediadas no estado, trabalhando em rede e possibilitando uma ampla difusão do conhecimento paleontológico. Palestras, exposições, participação em feiras de ciência, difusão por meio da imprensa e programas de treinamento e capacitação profissional são algumas das atividades.

Uma das principais ações do IVP encontra-se no âmbito do programa Jovens Talentos, da FAPERJ, e no apoio à revitalização do Parque Paleontológico de Itaboraí. Atividades importantes, que possibilitaram uma ampla popularização da paleontologia, estimulando, assim, a formação de novos profissionais.

O Parque Paleontológico de Itaboraí é, inegavelmente, uma das experiências educacionais mais importantes já feitas em nosso estado nos últimos anos – com uma conjunção das atividades de pesquisa científica e a transformação da realidade econômica local. Após o encerramento da atividade mineira na região, ocorreu um rápido declínio da empregabilidade na localidade de São José, próxima ao local, levando a inúmeros problemas sociais. A criação do parque na localidade da antiga pedreira de extração de calcário, por meio de um decreto municipal da prefeitura de Itaboraí, inseriu-se num contexto, no qual a pesquisa científica integrava-se com a comunidade, viabilizando ações que permitam transformar os aspectos sociais e econômicos locais. A parceria realizada entre a FAPERJ, instituições universitárias, prefeitura municipal de Itaboraí e a própria comunidade, aponta para uma nova forma de difundir e popularizar a informação científica, possibilitando, tanto o resgate da história da Terra (numa perspectiva que se abre a partir do conhecimento gerado no estado do Rio), quanto à participação da população, que pode ver modificada suas condições sociais por meio do turismo científico. Uma ação, enfim, transformadora da realidade social e educacional do estado por meio da paleontologia, auxiliando, assim, na criação de novos rumos para a solução dos problemas atuais.

*Artigo originalmente publicado em Rio Pesquisa, Ano VIII, Nº 29 (Dezembro de 2014)

Fonte: FAPERJ









domingo, 10 de dezembro de 2017

Impacto do ecoturismo à fauna silvestre deve ser mais bem investigado, diz cientista



Professora da UERJ aponta problemas como o aumento na mortalidade de animais relacionado à pesca, à caça, à colisão com veículos e embarcações e até vitimados por hélices de barcos (foto: Sapajus flavius/Acervo CPB/ICMBio)


Karina Toledo | Agência FAPESP – O ecoturismo costuma ser visto como uma forma sustentável de explorar o patrimônio natural de um país – preservando a integridade dos ecossistemas, gerando renda para as comunidades locais e, desse modo, contribuindo para a conservação da vida selvagem.

Mas na avaliação da ecóloga Helena de Godoy Bergallo, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), esse tipo de atividade pode causar impactos consideráveis à fauna, que precisam ser mais bem compreendidos pela ciência e minimizados por meio de uma gestão mais eficaz.

O tema foi debatido durante o Workshop sobre Pesquisa Aplicada à Gestão da Fauna Silvestre – promovido em São Paulo, no dia 23 de novembro, pela coordenação do Programa FAPESP de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade (BIOTA). Segundo os organizadores, o objetivo do evento foi estimular a aplicação de boa ciência para aprimorar a gestão da fauna silvestre – bem como envolver a academia e outros setores da sociedade nesse debate.

“Conhecemos bem os impactos diretos observáveis do ecoturismo, mas não sabemos qual é a dimensão do problema. Qual é o efeito que a mortalidade de alguns indivíduos pode ter sobre a população de uma espécie e sobre o ecossistema? A escala de aceitabilidade dos impactos costuma ser baseada em motivos estéticos e não científicos. Faltam estudos”, disse Bergallo.

Entre os problemas citados pela pesquisadora está o aumento na mortalidade de animais relacionado a atividades como pesca e caça ou à colisão com veículos e embarcações. Segundo Bergallo, não são raros os casos de peixes-boi vitimados por hélices de barcos, por exemplo.

Além disso, a pesquisadora menciona as alterações no habitat e na composição de plantas decorrentes da construção de pousadas, restaurantes e demais infraestrutura necessária para receber turistas. “O pisoteamento da vegetação nas trilhas causa a compactação do solo e a modificação das plantas. Pode haver perda de espécies nativas e entrada de invasoras, redução na floração e frutificação. Já a onda formada pelos barcos pode promover a intrusão de sal em comunidades que não toleram esse mineral”, contou.

Também é frequente ocorrer distorção do hábito alimentar dos animais, seja por causa da comida oferecida pelos turistas ou por iscas usadas pelos organizadores dos passeios para atrair espécies como o boto-rosa, por exemplo. Muitas vezes, alguns indivíduos são mantidos em cativeiro para que o visitante possa ter um contato mais próximo com a fauna.

Outras fontes de impacto podem passar despercebidas pelos humanos, disse a pesquisadora, como a luz artificial e os sons emitidos por barcos, aeronaves e veículos terrestres.

“As pessoas costumam achar lindo quando veem os cetáceos surfando ao lado de embarcações, mas na verdade eles estão estressados com todo aquele barulho. Há ainda o exemplo das ariranhas perturbadas por barcos durante o período de alimentação no Peru e o do anfíbio fossorial da espécie Spea hammondii, induzido a emergir de buracos onde se esconde pelo som dos veículos, provavelmente por ser semelhante ao de chuvas fortes”, disse.

Como consequências desses impactos, Bergallo mencionou a migração de espécies que não toleram a presença humana; a redução no tempo que o animal tem para se alimentar e a elevação no gasto energético (ambas relacionadas ao tempo perdido tentando fugir dos humanos); comportamento social aberrante (aumento na agressividade entre indivíduos de uma mesma espécie e disputa pela fonte de alimento introduzida pelo homem); maior vulnerabilidade de algumas espécies a competidores e predadores; abandono de filhotes e perturbação no padrão reprodutivo.

“Sabemos que populações pequenas, de reprodução lenta, e espécies raras são as mais afetadas. Mas ainda há poucos estudos ligando o impacto sobre determinados indivíduos aos efeitos sobre as populações. Também são necessários estudos que ajudem a avaliar a capacidade de suporte de diferentes ecossistemas para que seja possível estabelecer o número máximo de visitantes nesses locais”, disse Bergallo.

Para a cientista, o ecoturismo tem um potencial limitado de contribuir com a conservação da biodiversidade e apenas com boa gestão e melhor regulamentação será possível obter benefícios reais com a atividade.

“A legislação brasileira e o Plano Nacional de Turismo não trazem uma regulamentação específica para o ecoturismo. É preciso pensar na criação de normas éticas – a exemplo das existentes nas comunidades de observadores de aves”, defendeu Bergallo.

Lacunas no conhecimento

Como explicou Luciano Verdade, membro da coordenação do BIOTA e pesquisador do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (USP/Cena), o workshop realizado na sede da FAPESP visa promover a interação entre o que se produz de pesquisa científica que pode ser aplicada na gestão da fauna com as diversas demandas existentes na sociedade.

“O Brasil tem uma política pública excessivamente conservadora no que toca à governança da fauna. A filosofia é: proíba tudo e trate todas as espécies como ameaçadas. Mas, além da proteção em si, existe uma diversidade maior de demandas em relação à fauna. Há animais que vivem em conflito com a agropecuária, a silvicultura ou mesmo com a saúde pública. Por outro lado, há outros que podem gerar riqueza e inclusão social se explorados de forma biologicamente sustentável. O panorama é mais complexo”, disse Verdade.

O pesquisador ressaltou ainda a necessidade de desenvolver projetos de monitoramento que permitam detectar de forma precoce e eficiente eventuais mudanças no estado das populações silvestres.

“Esse processo [a boa gestão da fauna] pode ser limitado quando não sabemos ao certo o que fazer por falta de base conceitual. Há momentos que sabemos o que fazer, mas falta tecnologia para saber como fazer. A inovação, portanto, deve ser estimulada. Há ainda diversas situações em que sabemos o que fazer e como, mas não onde, quando e com quem. Nesse caso falta uma estrutura de governança. Nossa tentativa hoje é contribuir para uma percepção mais clara do que nos limita”, disse Verdade.

Segundo Carlos Alfredo Joly, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro da coordenação do BIOTA, o debate poderá auxiliar na definição de temas para futuras chamadas de propostas lançadas no âmbito do programa.

“O BIOTA geralmente faz duas chamadas por ano, sem contar aquelas lançadas com parceiros nacionais e internacionais. A definição da temática nasce dessas discussões com a comunidade científica”, contou Joly.

Além dos impactos do ecoturismo, também foi abordada no evento a gestão de espécies invasoras, como é o caso do javali. Segundo Virgínia Santiago, da Embrapa Suínos e Aves, a população de javalis tem se expandido expressivamente desde os anos 1990, competindo por recursos com espécies nativas. Os riscos sanitários associados a esse fenômeno, disse a pesquisadora, ainda são desconhecidos.

O pesquisador Walfrido Moraes Tomas, do Laboratório de Vida Selvagem da Embrapa Pantanal, lembrou que em 2017 completou 50 anos a lei que proibiu a caça no Brasil (exceto a de subsistência).

Segundo ele, a caça existe no território nacional desde a chegada da espécie humana e ainda hoje é onipresente, apesar de formalmente proibida.

“Não conseguimos evitar o uso descontrolado e nada sabemos sobre seus efeitos sobre populações. Não há números oficiais. Com a proibição da caça, não construímos na academia as carreiras específicas para a gestão de fauna, não foi estabelecida uma demanda por profissionais com este perfil. Não estabelecemos, portanto, nenhuma base científica que possa dar suporte às tomadas de decisão”, afirmou Tomas.

Mauro Galetti, professor do Departamento de Ecologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro, falou sobre como a defaunação pode contribuir para o agravamento das mudanças climáticas. Segundo ele, a redução das populações de grandes frugívoros nas florestas tropicais – os únicos animais capazes de dispersar sementes de maior porte – resulta na substituição de árvores de madeira dura por espécies com menor capacidade para armazenar carbono (leia mais em: http://revistapesquisa.fapesp.br/2015/12/18/extincao-de-animais-pode-agravar-efeito-das-mudancas-climaticas/).

A bióloga Cláudia Schalmann, da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), abordou questões relacionadas à fauna silvestre nos processos de licenciamento ambiental de projetos e empreendimentos paulistas. Destacou a importância de medidas mitigadoras do impacto, como evitar a entrada de animais domésticos nas áreas verdes, manter a conectividade do fragmento florestal do lote com o entorno e criar passagens de fauna (elevadas ou subterrâneas) em rodovias, entre outras.

A gestão de espécies ameaçadas foi tema da palestra de Marcio Martins, professor do Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da USP, que explicou como foi elaborado o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, organizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Todas as apresentações foram transmitidas ao vivo e as gravações estão disponíveis na íntegra pelo site: http://www.fapesp.br/eventos/fauna.







Fonte: Agência FAPESP









COMO SALVAR O CERRADO? A responsabilidade das corporações






Paul Jepson, Course Director, MSc Biodiversity, Conservation and Management, University of Oxford
Sergio Henrique Collaco de Carvalho, DPhil Student in Geography and the Environment, University of Oxford


To the south of the Amazon basin lies a huge savannah known as the Cerrado. Once a mix of grassland and forest, much of the Cerrado has now been transformed into the vast soy farms and cattle ranches that have made Brazil an agricultural superpower. There is also plenty of untouched land – but protecting it requires a new approach to deforestation.

Recently, 23 major food companies signed up to the “Cerrado Manifesto” which calls for urgent action to ensure “soy and beef supply chains do not contribute to deforestation”.

The logic is that by signing the declaration companies are sending a clear signal to the market: consumers want products that aren’t the result of deforestation – and demand for soy and beef can be met by existing crop and pasture land. In theory, this will weaken the case for converting further natural vegetation to agriculture – but if only it was that simple.





Some reports have suggested that deforestation in the region is on the rise due to the success of conservation policies that have “pushed” agricultural companies out of the Amazon. In reality the Cerrado was largely transformed to agricultural monocultures decades ago. When food companies signed the Amazon Soy Moratorium in 2006, they were already sourcing it from the Cerrado.

From savannah to soy

Ranchers first settled on the native grasslands in the early 20th century and grazed cattle at low densities. This may have spared the vegetation by mimicking the grazing habits of native animals, many of which were decimated by hunters.

In the 1950s the new national capital, Brasilia, was built in the the heart of the Cerrado and linked to the “powerhouse” states of Sao Paulo, Rio and Minas by new highways. At the same time Brazil’s mining and steel industries expanded and Cerrado forests provided a ready source of timber needed for fuel.

During the 1960s, heavy investment in agricultural research succeeded in developing soy and cotton cultivars that could grow on the acidic Cerrado soils. Over the following decades, land was consolidated into large-scale monocultures. By early 2002 farming had reached the limits of the savannah: at least 50% and perhaps as much of 70% of this vast area had been converted to agriculture.

In contrast deforestation in the Amazon really took off much later, during the mid-1990s. By the time the world started to care about the Amazon, much of the Cerrado had already been lost.


Cattle ranching is the biggest cause of deforestation in Brazil. via www.shutterstock.com


Saving the last of the Cerrado

One remaining area of native vegetation is large enough to merit serious conservation action. This is a mosaic of grasslands, groves and veredas – a type of oasis found nowhere else – in the Matopiba region towards the northern end of the Cerrado.

The manifesto calls for the Brazilian government to create more protected areas and to strengthen the “Forest Code”. The code is legislation which says private land owners can only “convert” up to 80% of their natural vegetation – the rest must be left untouched. It therefore does protect some land, but can also be interpreted as legalising deforestation. In the Amazon, a 2002 change reduced the proportion of land available for deforestation down to just 20%, and the manifesto signatories are calling for similar action in the Cerrado.

But things in the Amazon are very different. In the 1960s most land there lacked legal title and Brazil’s military government brought them under federal ownership. Subsequent redistribution has been slow and limited, enabling the creation of large protected areas and making the forest code restriction less costly to implement.

In the Cerrado everything is in private ownership. The Brazilian economy is too weak for the government to buy up lands with agricultural value – especially when demand for soy remains high – which leaves it with fewer powers. Decreasing the forest code’s 80% allowance may not be political feasible. This is because when the code was changed in the Amazon, angry and worried landowners then organised themselves politically into the powerful “ruralista” movement. Government meddling in the Cerrado risks inflaming calls to roll back environmental protections.


Soy plantations are eating into the savannah. via www.shutterstock.com

What to do?

Perhaps a billionaire conservation angel will appear, one who is willing to buy high-value land and return it to nature. More realistically, the best hope is for state and local governments to make effective use of their powers to zone agriculture and implement the forest code.

Food companies need to switch from “opting out” of deforestation to “opting in” to landscape restoration. It’s hard to truly opt out of deforestation as agricultural commodities are repeatedly aggregated, processed and aggregated again which makes them harder to trace. Setting up “certified supply chains” is also complex and costly – it’s much simpler and cheaper for companies to instead opt to buy (or not buy) from a certain region. In the Amazon, where forests are vast and agriculture relatively recent, these sort of pledges not to farm a certain area made sense. In the Cerrado an opt-in restoration pledge is required.

Initiatives to restore degraded lands to a a mix of agriculture and natural vegetation are gaining momentum. For example Brazil now has a goal to restore 220,000 km² of degraded land, linked to its commitments under the Paris climate agreement. Companies could commit to only using food produced in regions of the Cerrado that are part of this restoration process.

Corporate commitments to avoid deforestation are hailed by the media, NGOs and the corporations themselves. The hard reality is that real conservation happens in the offices of local government and local businesses rather than in corporate boardrooms. If these companies want to play their part they need to engage in solving challenges rather than avoiding them.


 








Brasil tem ano com o maior número de queimadas da história



Incêndio florestal é combatido; país registra recorde de queimadas em 2017 (Foto: Fernando Tatagiba/ICMBio/AFP)


Thiago Reis

São 270.479 focos de incêndio registrados pelo Inpe, recorde da série histórica anual, iniciada em 1999. Estiagem prolongada e ausência de fiscalização são apontadas como causas.

Com 270.479 focos de incêndio, 2017 já é o recordista em número de queimadas de toda a série do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), iniciada em 1999. E o ano nem acabou.

O mês de setembro é um dos grandes responsáveis pelo dado histórico. Foram 110.988 pontos de calor registrados – número nunca antes atingido em apenas 30 dias no país e que representa mais de 40% do total do ano. Em dezembro, são 6.873 focos em apenas nove dias (a média mensal é 8.836).

Na comparação com todo o ano passado, já há um aumento de 44% no número de focos de calor.

Para o pesquisador Alberto Setzer, responsável no Inpe por coordenar o monitoramento de queimadas no país, a estiagem prolongada em boa parte dos estados e a ausência de fiscalização estão entre as principais causas da propagação do fogo.

Vários estados ficaram sem precipitação, propiciando que os incêndios se alastrassem e atingissem áreas maiores, diz. "Mas o principal foi o descontrole por parte da fiscalização, porque a gente está falando em crimes sendo cometidos."

Ele cita o caso de Mato Grosso, onde houve um decreto proibindo queimadas, cujo período foi, inclusive, estendido. "Mesmo assim, não foi observada nenhuma alteração no uso do fogo. Pelo contrário, aumentou tremendamente." O estado teve quase 44 mil focos neste ano.


O Pará também teve um ano atípico. O estado já teve, até agora, mais de 64 mil focos de incêndio – um aumento de 118% em relação ao ano passado. O número é bem maior que o registrado em 2004 (47.822), até então o ano com o maior número de queimadas.

As unidades de conservação também foram devastadas pelo fogo. A área atingida é maior que a do ano passado, de acordo com dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pelas unidades.

Parte considerável da destruição ocorreu no Parque Nacional da Chapada do Veadeiros, que passou pelo maior incêndio da sua história. O fogo só foi controlado após 68 mil hectares serem atingidos.

Setzer diz que é esperado que o número de focos diminua no ano que vem, mas alerta para o descontrole em novas fronteiras agrícolas, como pôde ser observado em Mato Grosso e no Pará. "Em geral, do ponto de vista do clima, é difícil ter anos consecutivos com o mesmo padrão. Então é esperado que 2018 seja mais úmido, mesmo sendo complicado prever. Mas mais que isso, quando há muitas queimadas, a vegetação seca é consumida. Então a matéria orgânica disponível para a queima diminui muito", afirma.


Brigadistas combatem queimada; Brasil teve recorde histórico no número de focos em apenas um ano (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)


Pelo mundo

Não foi só o Brasil que viveu um ano complicado. Várias queimadas já atingiram a Califórnia, nos Estados Unidos, obrigando, inclusive, retiradas em massa. A primeira morte em decorrência do fogo foi confirmada nesta sexta (8).

Em Portugal e na Espanha, diversas regiões sofreram com os incêndios florestais, que deixaram ao menos 40 mortos.


Bombeiros trabalham para conter um incêndio florestal em Obidos, em Portugal (Foto: Armando Franca/ AP)


Monitoramento

O monitoramento por satélite do Inpe consegue diagnosticar todos os focos de incêndio que tenham pelo menos 30 metros de extensão por 1 metro de largura.

Quase todas as queimadas hoje são causadas pelo homem, seja de forma proposital ou acidental. As razões variam desde limpeza de pastos, preparo de plantios, desmatamentos e colheita manual de cana-de-açúcar até disputas por terras e protestos sociais.

Segundo o Inpe, as queimadas destroem a fauna e a flora nativas, causam empobrecimento do solo e reduzem a penetração de água no subsolo, além de gerar poluição atmosférica com prejuízos à saúde de milhões de pessoas e à aviação. Denúncias de incêndios criminosos podem ser feitas ao Corpo de Bombeiros, às prefeituras, às secretarias estaduais do Meio Ambiente e ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Fonte: G1