quarta-feira, 25 de abril de 2018

RJ-104: trecho entre Caramujo e Getulinho recapeado pela Prefeitura



Recapeamento do asfalto foi feito nos dois sentidos da rodovia, que é administrada pelo Governo do Estado. Foto: Leonardo Simplício / Prefeitura de Niterói


Três quilômetros da rodovia foram recuperados pela Prefeitura de Niterói

O recapeamento da rodovia RJ-104, entre o Trevo do Caramujo e o Hospital Municipal Getúlio Vargas Filho (Getulinho), no Fonseca, foi concluído pela Prefeitura de Niterói. Apesar de a via ser administrada pelo Governo do Estado, o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, anunciou, no mês passado, as ações emergenciais para este trecho da estrada com o objetivo de minimizar os transtornos causados pela falta de manutenção da estrada.

Ao todo, três quilômetros da via foram recuperados pelo Município. O recapeamento foi feito nos dois sentidos da RJ-104, além da limpeza dos acostamentos.

“Mesmo sendo uma rodovia estadual, a Prefeitura identificou a urgência no recapeamento da rodovia e executou o trabalho para melhorar as condições de tráfego na RJ-104 e evitar acidentes”, explica o secretário municipal de Obras, Vicente Temperini.

RJ-100 – Em novembro do ano passado, mais de cinco quilômetros da RJ-100 foram recuperados pela gestão municipal, também numa ação emergencial, devido ao péssimo estado de conservação da via, que é estadual. A intervenção foi realizada no trecho entre a sede da Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef) e a RJ-106.

Várzea das Moças – Outra frente de trabalho aberta pela Prefeitura de Niterói para recapeamento fica no bairro de Várzea das Moças. As Avenidas Plínio Gomes Mattos Filho e Everton da Costa Xavier receberão melhorias no trecho próximo ao Ciep de Várzea das Moças até o Engenho do Mato.

Funcionários da Emusa estão trabalhando na fresagem das pistas.

Fonte: O Fluminense









terça-feira, 24 de abril de 2018

PALEOFLORESTAS: Prioridade para conservação com olho no passado



Pesquisa identifica e classifica áreas prioritárias para conservação na Amazônia e Mata Atlântica a partir da modelagem de nichos ecológicos e da comparação de condições atuais com as existentes há milhares de anos (imagem: Acta Oecologica)


Peter Moon | Agência FAPESP – Identificar locais prioritários para ações é um desafio importante em projetos de conservação de biodiversidade. Uma alternativa adotada por um grupo de pesquisadores é olhar para o passado, de modo a procurar entender quais foram as condições climáticas das regiões analisadas.

“As regiões que menos sofreram com mudanças climáticas nos últimos 21 mil anos são aquelas onde ocorreram menos extinções locais. Assim, essas regiões possuem maior riqueza de espécies e, consequentemente, maior diversidade genética entre as espécies, ou seja, maior variabilidade dos genes dentro de uma mesma população”, disse o biólogo Thadeu Sobral-Souza, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro.

Quanto maior a diversidade genética de uma população, maiores são as chances de sobrevivência às mudanças ambientais. Sobral-Souza é um dos autores de um trabalho que busca criar metodologia para identificar, na Amazônia e na Mata Atlântica, regiões climaticamente estáveis e alvos prioritários de estratégias de conservação. A pesquisa também busca verificar quais unidades de conservação se encontram dentro de áreas climaticamente estáveis.

Resultados do trabalho foram publicados na revista Acta Oecologica. A pesquisa tem apoio da FAPESP em projeto coordenado pelo professor Milton Cezar Ribeiro, do Departamento de Ecologia da Unesp.

De modo a estabelecer quais são as áreas climaticamente mais estáveis foi preciso estimar como era a distribuição de ambas as florestas no passado, particularmente antes da destruição da maior parte da Mata Atlântica. Para tanto, os pesquisadores usaram a técnica de modelagem de nicho ecológico como meio de inferir a distribuição presente e a distribuição no passado na Amazônia e na Mata Atlântica.

Novas tecnologias têm favorecido o desenvolvimento de enfoques metodológicos que permitem gerar informação útil a partir de dados incompletos. É o caso da modelagem dos nichos ecológicos das espécies. Sejam animais ou plantas, as espécies obedecem a regras ecológicas que determinam sua distribuição geográfica.

Uma vez que se conhece a distribuição geográfica atual – ainda que parcialmente – de uma determinada espécie, assim como os níveis de variação ambiental (temperaturas máxima e mínima, variações pluviométricas e outros dados) que são tolerados pelos indivíduos, faz-se uso de algoritmos computacionais e de ferramentas de geoprocessamento para se obter uma representação quantitativa da distribuição ecológica daquela espécie.

A partir de dados incompletos de localização geográfica de uma espécie, consegue-se descobrir qual é a sua distribuição atual (ou potencial) no meio ambiente. Da mesma forma, ao se empregar estimativas climáticas do passado, consegue-se simular qual teria sido a distribuição espacial das espécies em épocas pretéritas.

“Muito embora a modelagem de nicho ecológico seja normalmente usada para inferir a distribuição de espécies, a técnica também é empregada para predizer a delimitação de um bioma, a partir da modelagem do bioma”, disse Sobral-Souza.

Para prever a distribuição de um bioma ao longo do tempo, os autores selecionaram pontos de ocorrência usando um filtro geográfico baseado na delimitação atual do bioma amazônico e na extensão da Mata Atlântica. Existem diversos modelos de circulação global atmosférico-oceânica que fazem inferências sobre climas globais passados. “Cinco desses modelos serviram como fonte de dados para as simulações climáticas da Amazônia e da Mata Atlântica no passado”, disse Sobral-Souza.


"Para prever a distribuição de um bioma ao longo do tempo, os autores selecionaram pontos de ocorrência usando um filtro geográfico baseado na delimitação atual do bioma amazônico e na extensão da Mata Atlântica".


A partir de dados como temperatura média anual e índices anuais de precipitação, os pesquisadores estimaram a distribuição presente do bioma amazônico e da Mata Atlântica. Os modelos foram construídos com base no cenário climático atual e então projetados para as condições climáticas reinantes no passado, no auge da última idade do gelo há 21 mil anos no final do Pleistoceno e também há 6 mil anos, no meio do Holoceno.

De acordo com o estudo, a área potencial da floresta amazônica há 21 mil anos era de 4,46 milhões km², e hoje é de 3,28 milhões km². Já a Mata Atlântica cobria 3,85 milhões km², área reduzida hoje em 80%, para menos de 770 mil km².


"...a área potencial da floresta amazônica há 21 mil anos era de 4,46 milhões km², e hoje é de 3,28 milhões km². Já a Mata Atlântica cobria 3,85 milhões km², área reduzida hoje em 80%, para menos de 770 mil km² ".


Para calcular as áreas climaticamente estáveis dos biomas analisados, os dois paleomapas – com as distribuições dos biomas há 21 mil e há 6 mil anos – foram sobrepostos ao mapa com a distribuição atual dos biomas. Desse modo, foram selecionadas nos mapas as áreas previstas como adequadas para a ocorrência do bioma em todos os cenários climático-temporais estudados.

“Uma vez identificados os pontos sobrepostos que são climaticamente estáveis nos três cenários, foi a vez de analisar a eficiência das áreas atualmente protegidas”, disse Ribeiro.

Um novo mapa com as unidades de proteção da América do Sul foi sobreposto aos mapas anteriores, de modo a visualizar quais áreas protegidas se encontram dentro ou fora das áreas climaticamente estáveis.

Para propor áreas de conservação prioritárias foram mapeadas as áreas climaticamente estáveis desprotegidas. Foi então usada a base de dados Intact Forest Landscapes, de modo a inferir quais áreas climaticamente estáveis e desprotegidas têm remanescentes intactos de floresta primária livre de modificações antropogênicas. Foram considerados apenas trechos grandes e conectados, excluindo-se os remanescentes pequenos ou desconectados.

Estabilidade climática

A seguir, os pesquisadores classificaram cada um desses trechos de floresta em uma de três categorias prioritárias de conservação. As áreas com a prioridade muito alta de conservação são as climaticamente estáveis, não protegidas e onde há grandes trechos de floresta intacta.

A segunda categoria é a das áreas com alta prioridade de conservação: climaticamente estáveis, não protegidas e com fragmentos e remanescentes florestais. Já a terceira categoria, de prioridade média de conservação, são as áreas climaticamente estáveis mais recentes, nos últimos 6 mil anos, com remanescentes desprotegidos de floresta intacta.

Primeira categoria: As áreas com a prioridade muito alta de conservação são as climaticamente estáveis, não protegidas e onde há grandes trechos de floresta intacta.

Segunda categoria é a das áreas com alta prioridade de conservação: climaticamente estáveis, não protegidas e com fragmentos e remanescentes florestais.

Terceira categoria, de prioridade média de conservação, são as áreas climaticamente estáveis mais recentes, nos últimos 6 mil anos, com remanescentes desprotegidos de floresta intacta.


“Os resultados revelaram três blocos desconexos de áreas climaticamente estáveis na Mata Atlântica, todos próximos ao litoral”, disse Ribeiro. O bloco mais ao norte fica nas Zonas da Mata da Paraíba e de Pernambuco. O segundo coincide com o desenho da Serra do Mar e da Serra da Mantiqueira em São Paulo e da Serra do Órgãos no Rio de Janeiro, terminando na Zona da Mata de Minas Gerais.

“No caso da Amazônia, as áreas climaticamente estáveis são amplas, contínuas, e cobrem a maior parte do bioma atual. A maioria das áreas climaticamente estáveis ocorre na região leste da Amazônia, enquanto que remanescentes menores são encontrados ao longo dos limites ocidental e meridional da floresta”, disse Ribeiro.

"...40,1% das áreas climaticamente estáveis da Amazônia encontram-se protegidas, percentual que cai para somente 7,1% das áreas climaticamente estáveis da Mata Atlântica".

Com relação ao índice de eficiência das áreas protegidas existentes, inferiu-se uma eficiência maior das áreas protegidas amazônicas, em comparação com aquelas da Mata Atlântica. A constatação foi que 40,1% das áreas climaticamente estáveis da Amazônia encontram-se protegidas, percentual que cai para somente 7,1% das áreas climaticamente estáveis da Mata Atlântica.

“A Amazônia é mais estável climaticamente do que a Mata Atlântica e as áreas protegidas da Mata Atlântica são menos eficientes do que as que ficam na Amazônia”, disse Ribeiro.

“A Amazônia é mais estável climaticamente do que a Mata Atlântica e as áreas protegidas da Mata Atlântica são menos eficientes do que as que ficam na Amazônia”

Na Amazônia, o estudo identificou áreas climaticamente estáveis nas três categorias de análise, aquelas com muito alta prioridade de conservação, alta prioridade de conservação e prioridade de conservação média. As áreas amazônicas com prioridade muito alta de conservação são regiões de floresta primária no oeste do estado do Amazonas, na região de fronteira com Peru, Colômbia e Venezuela.

“Sua proximidade geográfica com áreas protegidas sugere que a criação de novas áreas protegidas, ou então o aumento nas áreas existentes que incorpore essas áreas de alta prioridade, pode ser uma estratégia de conservação eficaz”, disse Sobral-Souza.

As áreas amazônicas de alta prioridade de conservação são florestas fragmentadas em áreas climaticamente estáveis que, portanto, necessitam de restauração. As áreas de alta prioridade de conservação na Amazônia Ocidental ficam próximas a áreas protegidas ou a fragmentos intactos existentes. Já no leste da Amazônia, as áreas de alta prioridade de conservação são porções de floresta cercadas pela agricultura e pecuária, distantes das regiões de floresta intacta.

“Nesses casos, ações de reflorestamento são necessárias para aumentar a eficiência das áreas protegidas da região. A Amazônia ainda tem uma grande oportunidade para ampliar as áreas de conservação”, disse Ribeiro.

Sobral-Souza destaca que, quanto à Mata Atlântica, o cenário é catastrófico. “Não foram identificadas áreas com muita alta prioridade de conservação, porque nestas áreas não existe mais floresta. Não tem mata intacta, não tem fragmento florestal, não tem nada. Foi tudo cortado nos últimos 500 anos”, disse.

"Na Mata Atlântica, o cenário é catastrófico. “Não foram identificadas áreas com muita alta prioridade de conservação, porque nestas áreas não existe mais floresta. Não tem mata intacta, não tem fragmento florestal, não tem nada. Foi tudo cortado nos últimos 500 anos”

"As principais áreas climaticamente estáveis da Mata Atlântica são pequenas. São fragmentos florestais classificados como áreas de alta prioridade de conservação. Apenas alguns poucos remanescentes têm mais de 10 mil hectares, e muitos ocorrem em áreas com baixa estabilidade climática. As áreas climaticamente estáveis da Mata Atlântica ficam na Zona da Mata de Pernambuco ou no Parque Estadual da Serra do Mar, “o maior remanescente de toda a Mata Atlântica brasileira”



As principais áreas climaticamente estáveis da Mata Atlântica são pequenas. São fragmentos florestais classificados como áreas de alta prioridade de conservação. Apenas alguns poucos remanescentes têm mais de 10 mil hectares, e muitos ocorrem em áreas com baixa estabilidade climática. As áreas climaticamente estáveis da Mata Atlântica ficam na Zona da Mata de Pernambuco ou no Parque Estadual da Serra do Mar, “o maior remanescente de toda a Mata Atlântica brasileira”, disse Sobral-Souza.

O artigo Efficiency of protected areas in Amazon and Atlantic Forest conservation: A spatio-temporal view (doi: https://doi.org/10.1016/j.actao.2018.01.001), de Thadeu Sobral-Souza, Maurício HumbertoVancine, Milton Cezar Ribeiro e Matheus S.Lima-Ribeiro, está publicado em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1146609X17302758?via%3Dihub.


Fonte: Agência FAPESP












segunda-feira, 23 de abril de 2018

TRANSGÊNICOS: Comissão de Meio Ambiente do Senado aprova fim de selo de identificação de produtos com transgênicos



OPINIÃO DE AXEL GRAEL:

Mais um retrocesso patrocinado por ruralistas e seus aliados no Congresso Nacional. Pasmem! A Comissão de Meio Ambiente do Senado aprovou o fim da rotulagem obrigatória nas embalagens de produtos que contenham transgênicos.

Se não há risco nos transgênicos como defende o relator do projeto-de-lei e seus aliados, por que esconder a informação dos consumidores? Se a denúncia contra transgênicos é um exagero dos ambientalistas, como gostam de dizer os seus defensores, por que não fazer o debate com a sociedade com argumentos com base científica e ser transparente, deixando que o consumidor escolha o que pretende consumir?

Os defensores do projeto alegam que a lei não permitirá a omissão da informação. No caso dos produtos com quantidade superior a 1% de transgênicos a informação deverá vir de forma legível no rótulo por meio de expressões como “(nome do produto) transgênico” ou “contém (nome do ingrediente) transgênico”.

No sistema de rotulagem vigente, os produtos com transgênicos são facilmente identificados com um triângulo amarelo com a letra "T" impresso de forma legível na embalagem. Na forma proposta, a informação será oferecida juntamente com outras informações sobre a composição do produto, que normalmente vem naquelas letras minúsculas num canto qualquer da embalagem.

Como a matéria da comunicação do Senado informa que: "o relator Cidinho Santos entende que a simbologia utilizada no Brasil pode ser mal interpretada, tanto por consumidores quanto por setores importadores".

O que Vossa Excelência quer dizer com "mal interpretada"? Dificultar a visualização da informação ajuda na interpretação? O ilustre senador considera que a ausência da simbologia abrirá mercado para o produto brasileiro no exterior? Exportaremos mais escamoteando a informação?

É bom lembrar que grande parte dos mercados que importam produtos brasileiros não admitem enganar seus consumidores como pretendem fazer aqui e caso nossos produtos não sejam rotulados no Brasil, serão no mercado externo.

Portanto, caso aprovada, a "eficácia" a ser alcançada pela medida será ludibriar principalmente o consumidor brasileiro.

Axel Grael





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O relator Cidinho Santos entende que a simbologia utilizada no Brasil pode ser mal interpretada, tanto por consumidores quanto por setores importadores. Edilson Rodrigues/Agência Senado


O fim da obrigatoriedade do rótulo com a informação sobre a presença de transgênicos em produtos alimentícios foi aprovado nesta terça-feira (17) na Comissão de Meio Ambiente (CMA). O texto (PLC 34/2015) determina a retirada do triângulo amarelo com a letra "T", que hoje deve ser colocado nas embalagens dos alimentos transgênicos.

O relator na CMA foi o senador Cidinho Santos (PR-MT), que entende que a simbologia utilizada no Brasil pode ser mal interpretada, tanto por consumidores quanto por setores importadores. Ele argumentou que uma análise científica rigorosa sobre os transgênicos é o melhor caminho para que se afaste o medo em torno deles.

— A despeito dos alimentos transgênicos serem uma realidade há mais de 15 anos no mundo, ainda não há registros de que sua ingestão cause danos diretos à saúde humana. Não existe um registro sequer — afirmou o relator na CMA.

O senador lembrou que, à despeito da eliminação do triângulo amarelo com a letra "T", os produtos com quantidade superior a 1% de transgênicos ainda deverão ser identificados por meio de expressões como “(nome do produto) transgênico” ou “contém (nome do ingrediente) transgênico”, de forma legível no rótulo. Com isso, fica preservado o direito de informação ao consumidor, segundo entendimento do senador.

A análise do projeto será feita agora pela Comissão de Transparência, Fiscalização e Controle (CTFC).

Fonte: Agência Senado









Parceria quer impulsionar a descoberta de fármacos a partir da biodiversidade



Cooperação entre o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, Aché Laboratórios e Phytobios tem o objetivo de mapear a biodiversidade brasileira (foto: Phytobios)


Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), o Aché Laboratórios e a empresa Phytobios firmaram uma parceria com o objetivo de identificar substâncias da biodiversidade brasileira que permitam desenvolver novos fármacos para as áreas de oncologia e dermocosmético.

O investimento inicial é de R$ 10 milhões, sendo a metade desse valor paga pela Aché, 33% pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e 17% a encargo do CNPEM. A Phytobios executa as expedições para coleta das amostras biológicas a serem testadas. Como o CNPEM é uma unidade da Embrapii, contratualmente trata-se de uma divisão 50% Aché e 50% Embrapii.

A parceria atuará em um velho problema da indústria farmacêutica: a dificuldade de descobrir novos princípios ativos para fármacos. Embora novos medicamentos sejam lançados, há uma queda significativa no número de novas estruturas moleculares que possam ser usadas como medicamentos. Isso limita a inovação na indústria.

“Descobrir novas substâncias envolve risco porque, às vezes, o retorno financeiro da descoberta acaba não compensando. Por isso, é mais interessante para as farmacêuticas migrarem para um modelo de inovação aberta, em vez de criar novos departamentos e bibliotecas próprias de biodiversidade. Já para a Phytobios, a parceria, além de impulsionar o nosso trabalho, também nos permite diversificar os parceiros de inovação, no que tange à plataforma criada em parceria com o LNBio [Laboratório Nacional de Biociências, que integra o CNPEM]”, disse Cristina Ropke, presidente da Phytobios, à Agência FAPESP.

Há três anos, a empresa criou, em parceria com o CNPEM, uma biblioteca química com 1,5 mil amostras. Em uma triagem-piloto foram encontrados 500 extratos vegetais, que resultaram em 40 hit fractions, ou seja, possíveis novas substâncias bioativas em extratos vegetais.

Com apenas 10 funcionários e focada 100% em pesquisa, a Phytobios é o braço de pesquisa do Grupo Centroflora, que produz extratos vegetais para a indústria farmacêutica. A descoberta de novas substâncias se deu a partir de expedições realizadas pelo grupo de pesquisadores da Phytobios na Floresta Amazônica, Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica.

Nessas expedições, a equipe de pesquisadores faz a coleta de material vegetal para mais tarde estudar as substâncias contidas nessas plantas. A partir da coleta, as folhas são secas e moídas para se fazer um extrato bruto, utilizando solvente etanólico.

Para garantir que haja material suficiente para repetições, estabeleceu-se que cada lote de extrato seja baseado em pelo menos 5 quilos de droga vegetal (a parte da planta a ser utilizada, folha, flor, fruto, casca ou raiz). Depois que essa mistura é filtrada, o álcool evapora e o que sobra é o extrato que contém os metabólitos vegetais para os quais se busca atividade.

Com essa primeira etapa concluída, o material é enviado ao CNPEM, onde será feito o fracionamento. Cada extrato produz nove frações cromatográficas.

“Com isso, é possível reduzir a complexidade. Fica mais fácil saber que substância está interferindo, por exemplo, em uma determinada enzima ligada a uma doença. Com menor complexidade, há mais chances de encontrar uma substância ativa para aquele determinado alvo que está sendo testado”, disse Eduardo Pagani, gerente de desenvolvimento de fármacos do LNBio.

Paralelamente, ocorre a identificação botânica em um herbário. “As primeiras prospecções são totalmente aleatórias, já as seguintes buscam preencher lacunas. O objetivo é preencher as famílias botânicas, dentro de um conceito que a diversidade biológica está relacionada à diversidade química. É essa diversidade química que aumenta a nossa chance de identificar novos princípios ativos”, disse Pagani.

Reinvenção farmacêutica

Para Ropke, a necessidade da indústria farmacêutica de se reinventar pode representar uma grande oportunidade para que o Brasil melhore sua performance como provedor de tecnologia.

“Podemos passar de exportadores de commodities, como alimentos, para exportadores de novas soluções em alta tecnologia para a indústria farmacêutica. É interessante economicamente, principalmente pelo fato de termos a expertise e a maior biodiversidade vegetal do mundo. Cerca de 20% de todas as angiospermas descritas são encontradas em território brasileiro. Além disso, os processos de produção, armazenamento e gestão desse rico acervo estão totalmente profissionalizados e usam tecnologias que só estão disponíveis há poucos anos, como o molecular networking”, disse.

Pagani concorda com as oportunidades que a parceria pode gerar. “A biodiversidade brasileira é muito estratégica na descoberta de novas substâncias. Processos e descobertas baseados em high throughput screening [triagem de alto rendimento] são executados corriqueiramente pelas grandes indústrias há mais de quatro décadas, usando principalmente bibliotecas químicas sintéticas. As possibilidades de se descobrirem esqueletos químicos novos estão se esgotando. Os produtos naturais agregam um novo universo de possibilidades”, disse.

Pesquisa de campo e big data

A expectativa é que, com a parceria, a biblioteca da biodiversidade brasileira se expanda. Além das expedições e coleta de amostras da natureza, a Biblioteca de Produtos Naturais envolve um grande volume de dados (big data).

Ropke explica que com o auxílio de técnicas de espectrometria de massas e de redes moleculares é possível fazer o diagnóstico das estruturas químicas presentes na biblioteca. “Com esses dados conseguimos direcionar nossas expedições para a busca de grupos vegetais que contenham determinadas estruturas”, disse.

A presidente da Phytobios ressalta que a dinâmica das pesquisas com a biodiversidade brasileira tornou-se mais simples a partir da Lei 13.123 de 20 de maio de 2015. Conhecida como Marco da Biodiversidade, a nova legislação regulamentou o acesso à biodiversidade e repartição de benefícios, além de garantir a segurança jurídica necessária para programas de inovação.

Pagani ressalta que o investimento das farmacêuticas na descoberta de novos princípios ativos é de alto risco, com retorno em média 15 anos depois. “Por outro lado, quem faz isso tem uma chance de depois chegar a ter um produto muito inovador.”

Ele faz uma comparação com o déficit da balança comercial farmacêutica no Brasil, de cerca de US$ 7 bilhões ao ano. “A maioria dos princípios ativos utilizados é importada. No entanto, esse déficit poderia ser muito atenuado com um único produto blockbuster de alto faturamento. Um único produto com essas características atenuaria nosso déficit e melhoraria muito o posicionamento de nossas indústrias no cenário internacional. Depois da parceria com os Laboratórios Aché, não tem uma semana que não tenha alguém querendo conversar com a gente”, disse o gerente de desenvolvimento de fármacos do LNBio.

Fonte: Agência FAPESP













Cidade do Rio de Janeiro investiu em saneamento 20% do que São Paulo aplicou





São Paulo recebe 40% do investimento em saneamento das capitais brasileiras

Entre os anos de 2012 e 2016, a empresa investiu R$ 9,1 bilhões no saneamento da cidade de São Paulo, ou seja, uma média de R$ 1,8 bilhão por ano.

Mais de 40% do dinheiro investido em obras de saneamento nas 27 capitais brasileiras foi aplicado pela Sabesp na cidade de São Paulo. Esse é um dos destaques do estudo do Instituto Trata Brasil divulgado ontem (18/04/2018).

No total foram investidos R$ 22,20 bilhões nas 27 capitais brasileiras no mesmo período. O Rio de Janeiro, segundo colocado, recebeu investimento de R$ 1,92 bilhão. Apenas um quinto do que foi aplicado na capital paulista. Recife, em terceiro lugar, recebeu R$ 1,39 bilhão, o que representa apenas 15% do valor aplicado em São Paulo.

Entre os anos de 2012 e 2016, São Paulo investiu R$ 9,1 bilhões no saneamento, ou seja, uma média de R$ 1,8 bilhão por ano. O Rio de Janeiro, segundo colocado, recebeu investimento de R$ 1,92 bilhão, apenas um quinto do que foi aplicado na capital paulista. Recife, em terceiro lugar, recebeu R$ 1,39 bilhão, o que representa apenas 15% do valor aplicado em São Paulo.

Franca no pódio mais uma vez

O novo ranking do saneamento também destaca Franca como o melhor município brasileiro em saneamento pelo quinto ano consecutivo. Com 100% de abastecimento de água, 100% de coleta de esgoto e 100% de tratamento de esgoto. A cidade também é a que mais recebe investimento entre os 20 melhores colocados do ranking. O investimento médio anual por habitante em Franca é de R$ 189,14. Cerca de 39% a mais que o segundo município que mais investe.

Outro destaque do estudo é a entrada de Taubaté entre as 10 cidades com os melhores índices de saneamento. O município está na 8ª posição nesse ano. No ranking passado estava no 14º lugar. Com isso, duas cidades do Vale do Paraíba estão entre as 10 primeiras posições, Taubaté e São José dos Campos – ambas atendidas pela Sabesp.

O diagnóstico dos principais indicadores de saneamento básico dos 100 maiores municípios brasileiros (em população) tem como base o SNIS 2016 (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), do Ministério das Cidades.

Fonte original: sabesp
Fonte: Tratamento de Água



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Niterói ganha reconhecimento em mais um prêmio nacional de saneamento
NITERÓI É A SEGUNDA CIDADE NO RANKING DA LIMPEZA PÚBLICA NO BRASIL











Especialistas da USP contam como era o Brasil pré-histórico



Dinossauros estão entre os habitantes do Brasil pré-histórico – Foto: Reprodução/O Brasil dos dinossauros – Editora Marte 


No dia 24 de abril, às 18h30, no auditório do Masp, será realizado o primeiro evento deste ano do USP Talks

Por Redação - Editorias: Universidade
Imagine se você tivesse uma máquina do tempo e pudesse voltar ao passado. Como era o Brasil 100 milhões de anos atrás, na época dos dinossauros? Quais eram as paisagens desse Brasil pré-histórico e quais animais fantásticos caminhavam por elas? Para falar um pouco dessa história, o USP Talks convidou dois professores Max Langer, do Laboratório de Paleontologia da USP em Ribeirão Preto, e Mario de Vivo, do Museu de Zoologia da USP.

O evento será no dia 24 de abril, às 18h30, no auditório do Masp, em São Paulo. Ele tem duração de uma hora, com duas apresentações de 15 minutos, mais 30 minutos de debate com o público. Haverá transmissão ao vivo pelo Facebook. A entrada é gratuita e os ingressos serão distribuídos na bilheteria a partir das 16h30 (374 ingressos). Não é necessário fazer reserva.

Max Langer é um dos maiores especialistas em dinossauros do Brasil. Ele é professor associado do Departamento de Biologia da USP em Ribeirão Preto e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Paleontologia (2013-2017).

Mario de Vivo é biólogo, especialista na história evolutiva dos mamíferos na América do Sul. Foi curador de mamíferos (mastozoologia) do Museu de Zoologia da USP até 2017 e hoje é professor sênior do Instituto de Estudos Avançados da USP, campus de Ribeirão Preto.

O USP Talks é promovido pela Pró-Reitoria de Pesquisa em parceria com o Estadão. Para assistir aos eventos anteriores do USP Talks, clique aqui. O auditório do Masp fica na Av. Paulista, 1.578.

Com informações da PRP

Fonte: Jornal da USP









Volvo Ocean Race deixa Itajaí com destino a Newport





Mari Peccicacco


A oitava etapa da Volvo Ocean Race teve início na tarde deste domingo (22) em Itajaí (SC). Os sete barcos da regata de Volta ao Mundo sobem o Oceano Atlântico com destino a Newport (Estados Unidos) para um percurso de 5.700 milhas náuticas ou 10 mil quilômetros.

”Será muito complicada a etapa. A costa brasileira tem às vezes ventos muito fracos e ventos terral e gradiente passando pelos Doldrums – que é área de convergência tropical – com vento muito fraco. Promete bastante disputa e acho que vai ser bem difícil com noites mal dormidas. Então, depois disso vamos ver como vai estar a disputa”, explicou Martine Grael.

”Depois da última perna com várias quebras, dificuldades e uma carga emocional muito grande, agora vai voltar um pouco mais para o normal com o foco na disputa, pois a última perna era mais focada na sobrevivência”.

A prova terá mudanças de regime de vento e oferecerá opções às equipes. A disputa pela costa brasileira com vento contra, as correntes, a Linha do Equador, as calmarias dos Doldrums e as correntes do Golfo dos EUA estarão na telas dos navegadores. Será a última vez que os barcos apontam para o norte literalmente, já que as próximas pernas são para a Europa.

Antes de seguir rumo a Newport, os barcos fizeram um percurso entre bóias em Itajaí. Alguns nomes do esporte brasileiro fizeram a tradição do leg jumper e pularam do barco. Uma delas foi a parceira de Martine Grael no ouro olímpico da 49erFx, Kahena Kunze. ”Uma emoção muito grande ser a leg jumper. É muito legal ver o que a Martine faz a bordo de um barco de oceano, ela está indo muito bem. Queria ter continuado”, revelou Kahena Kunze.

No Dongfeng, quem fez o salto foi o paralímpico Flávio Reitz, representante brasileiro nos Jogos de Londres 2012 e Rio 2016. ”A vela é um esporte fascinante e pode ser disputada por pessoas com deficiência. Fiquei feliz por representar a cidade que moro a bordo do Dongfeng RaceTeam”.

Campeonato equilibrado

O disputa pelo título do campeonato está bastante equilibrada, com dois barcos praticamente empatados: Dongfeng Race Team com 46 pontos e MAPFRE com 45. A tabela segue com Team Brunel, com 36 pontos, e AkzoNobel, com 33.

”Tem muita regata pelo caminho, muitos pontos a disputar. Mas vamos em busca do sonho de ser campeão da Volvo Ocean Race”, explicou Charles Caudrelier, do Dongfeng Race Team.

Mas os espanhóis do MAPFRE tiveram a melhor largada e abriram vantagem pequena neste domingo. Depois de perder a liderança, o time vermelho quer voltar ao posto que sustentava desde a segunda etapa.

Com problemas na etapa anterior, o Vestas 11th Hour Racing conseguiu colocar o mastro a tempo de largar e está em modo regata. O SHK | Scallywag também largou mesmo com apenas 48 horas de preparação. A equipe homenageou seu tripulante John Fisher, que se perdeu no mar e não foi encontrado, em todas as ações em Itajaí.

Fonte: Notícias Náuticas












Largada da Volvo Ocean Race conta com 5 mil pessoas e torcida por Martine Grael



Barcos iniciam etapa da Volvo Ocean Race, que sai de Itajaí (SC) e vai até Newport, nos Estados Unidos. Foto: Maria Muina / Mapfre


João Prata, enviado especial a Itajaí, Estadão Conteúdo
22 Abril 2018 | 15h14


Brasileira campeã olímpica se diz feliz com recepção do público


Cerca de cinco mil pessoas compareceram ao porto de Itajaí neste domingo para acompanhar a largada da oitava etapa da Volvo Ocean Race. As embarcações deixaram o litoral de Santa Catarina rumo a Newport, nos Estados Unidos, em uma disputa que deve durar entre 17 e 18 dias - o percurso total dessa etapa é de 5.700 milhas náuticas (cerca de 10,5 mil quilômetros).

A brasileira e campeã olímpica Martine Grael, do barco holandês da Akzonobel, foi o centro das atenções no evento que marcou o retorno dos sete veleiros à disputa. Mas a equipe chinesa do Sun Hung Kai/Scallywag foi quem teve a saída mais comemorada pelos demais velejadores.

Isso porque eles precisaram correr contra o tempo para largar neste domingo. O veleiro chinês chegou somente na última quinta-feira, duas semanas depois das demais equipes, por conta da morte do tripulante John Fisher durante a sétima etapa.

Outra tripulação que também não finalizou a última perna da competição foi o Vestas 11th Hour Racing, de dupla nacionalidade - dinamarquesa/norte-americana. Eles tiveram o mastro quebrado, mas conseguiram consertar tudo e largaram rumos aos Estados Unidos.

O evento que marcou a saída das embarcações contou com a presença do prefeito de Newport, Henry Winthrop, e do prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni. Todos os velejadores desfilaram pela vila montada no porto e um representante de cada equipe falou rapidamente para o público antes de os barcos partirem. Martine Grael comentou sobre o período de descanso em seu País.

"Passei uns dias em casa após quase um ano fora. Foi bom dar uma 'resetada' para começar essa perna com energia. Tive bastantes compromissos aqui em Itajaí e estou muito feliz com a recepção do público", comentou.

Em Itajaí, ela contou com a presença e a torcida do pai Torben Grael, campeão da edição 2008/2009 da Volvo, da mãe Andrea e da companheira de ouro olímpico, Kahena Kunze. Kahena foi a convidada do barco Akzonobel para ser a "leg jumper". É tradição na saída de cada etapa um convidado ir junto com a embarcação e saltar no mar logo após a largada.

Ao deixar o porto, os veleiros foram até um ponto do mar e permaneceram por quase uma hora a fazer os últimos preparativos. Um barco de apoio então autorizou a saída. Os veleiros fizeram inicialmente um percurso de uma boia a outra em formato de "oito", como na In-Port Race, a regata interna que aconteceu na última sexta-feira. Depois de três voltas completadas, com vento entre 10 e 12 nós (cerca de 20 quilômetros por hora), os "leg jumpers" saltaram para o mar e nadaram até a lancha de apoio. E os veleiros partiram para Newport.

Assim como na In-Port Race, o barco espanhol da Mapfre venceu o percurso, que não conta pontos. Desta vez, o time do capitão e campeão olímpico Xabi Fernández não deu chance aos adversários e liderou o tempo todo com folga. Em segundo lugar ficaram os chineses do Dongfeng. A barco de Martine Grael saiu em quinto lugar rumo a Newport.

Na classificação geral, o Akzonobel ocupa a quarta colocação. O barco chinês Dongfeng assumiu a liderança após a última etapa e está um ponto à frente do barco espanhol da Mapfre. O terceiro lugar é do barco holandês Brunel, que venceu a mais recente perna da competição com pontuação dobrada. O quinto lugar pertence aos chineses do Sun Hung Kai/Scallywag, seguido pelo Vestas, com o barco da ONU, o Turn The Tide on Plastic, em último lugar.

Além de Newport, haverá mais três etapas até o término da temporada 2017/2018 da Volvo Ocean Race, competição que acontece a cada três anos. Dos Estados Unidos, os veleiros cruzam o Atlântico rumo a Cardiff, no País de Gales. Depois seguem para Estrasburgo, na França, e terminam em Hague, na Holanda, em 24 de junho.


Fonte: Estadão












LIXO OCEÂNICO: Barco da ONU analisa poluição dos oceanos enquanto disputa a Volvo Ocean Race



Equipe Clean Seas realiza trabalho à parte da disputa da Volvo Ocean Race. Foto: Reprodução/Twitter/TurnTidePlastic


Nomeada 'Clean Seas', equipe tenta não deixar competição em segundo plano enquanto recolhe água do mar

João Prata, enviado especial a Itajaí, O Estado de S.Paulo
21 Abril 2018 | 13h34



Entre os sete barcos da Volvo Ocean Race há um que deixa o seu desempenho na competição em segundo plano. Não que seus velejadores estejam na disputa a passeio, a vitória também é um objetivo a ser alcançado. No entanto, por trás da participação na regata de volta ao mundo, há uma causa maior: a de combater a poluição dos mares.

O veleiro é patrocinado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e chama-se Clean Seas - Turn The Tide On Plastic (na tradução livre, algo como Limpeza dos Mares - Vire a Maré contra o plástico). Pelas regras, a embarcação segue todos os padrões das demais no que se refere a tamanho, peso, velas... Porém, existe uma pequena diferença.

Há um dispositivo a bordo que recolhe amostras de água durante todo o percurso. Essa água é analisada com o objetivo de saber a quantidade de microplástico na água. O veleiro da ONU está preocupado em ver a poluição que já não conseguimos observar a olho nu.

"O que vemos é uma parte pequena da poluição que realmente existe. O plástico já está tão inserido na água que está dentro de nossa cadeia alimentar. Nesta competição encontramos uma forma de estudarmos isso e passarmos a mensagem de parar de utilizar plástico", informou o velejador português da embarcação Bernardo Freitas, em entrevista à reportagem do Estado.

De acordo com ele, os peixes confundem o microplástico com plâncton e acabam comendo o mesmo. "Ao recolher peixes no mar, cada vez mais se encontram essas amostras nas barrigas deles", prosseguiu.

As amostras retiradas das águas de Itajaí, no litoral de Santa Catarina, foram para análise e os resultados ainda não saíram. Mas Bernardo informou que, ao longo das sete etapas disputadas, os números são alarmantes.

Desde 1964, a produção de plástico aumentou 20 vezes, chegando a 322 milhões de toneladas em 2015, segundo números da ONU. Se essa crescente se mantiver, a expectativa é que em 2050 haja mais plástico do que peixe no mar. Uma das formas de acabar com isso é fazer alertas.

A estrutura da Volvo Ocean Race montada em Itajaí e nos portos por onde passa ao redor do mundo demonstra preocupação com esse problema. Não há produtos com embalagens plásticas e também não há copos plásticos disponíveis. Todos são aconselhados a usar o próprio copo para consumir água, por exemplo.

A cada parada, os organizadores também escolhem uma praia para recolher o lixo na areia. Em Itajaí, a ação aconteceu na Brava e contou com a participação de voluntários da cidade. Todo o lixo recolhido foi para análise e será reciclado. Os óculos escuros dos tripulantes, por exemplo, são feitos com restos de rede de pesca. Há também produção de meias e chaveiros com o que foi recolhido dos mares.

Outro veleiro que também carrega a bandeira da sustentabilidade é o Vestas 11th Hour Racing. A embarcação é dinamarquesa e norte-americana. A empresa que patrocina a equipe e dá nome ao barco é de soluções de energia sustentável. Em entrevista ao Estado, o capitão norte-americano Charlie Enright falou sobre a preocupação com a sustentabilidade.

"Tentamos consumir de maneira consciente. Evitamos ao máximo produzir lixo, utilizar plástico e materiais que agridam ao meio ambiente. Acredito que levantar essa bandeira é fundamental para alertar a população por onde passamos de que é necessário mudar nossos hábitos", ressaltou.

Neste domingo, às 14 horas, haverá a largada da oitava etapa da Volvo Ocean Race. Os sete veleiros que estão na disputa deixarão Itajaí rumo a Newport, nos Estados Unidos.

Fonte: Estadão