domingo, 10 de dezembro de 2017

Impacto do ecoturismo à fauna silvestre deve ser mais bem investigado, diz cientista



Professora da UERJ aponta problemas como o aumento na mortalidade de animais relacionado à pesca, à caça, à colisão com veículos e embarcações e até vitimados por hélices de barcos (foto: Sapajus flavius/Acervo CPB/ICMBio)


Karina Toledo | Agência FAPESP – O ecoturismo costuma ser visto como uma forma sustentável de explorar o patrimônio natural de um país – preservando a integridade dos ecossistemas, gerando renda para as comunidades locais e, desse modo, contribuindo para a conservação da vida selvagem.

Mas na avaliação da ecóloga Helena de Godoy Bergallo, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), esse tipo de atividade pode causar impactos consideráveis à fauna, que precisam ser mais bem compreendidos pela ciência e minimizados por meio de uma gestão mais eficaz.

O tema foi debatido durante o Workshop sobre Pesquisa Aplicada à Gestão da Fauna Silvestre – promovido em São Paulo, no dia 23 de novembro, pela coordenação do Programa FAPESP de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade (BIOTA). Segundo os organizadores, o objetivo do evento foi estimular a aplicação de boa ciência para aprimorar a gestão da fauna silvestre – bem como envolver a academia e outros setores da sociedade nesse debate.

“Conhecemos bem os impactos diretos observáveis do ecoturismo, mas não sabemos qual é a dimensão do problema. Qual é o efeito que a mortalidade de alguns indivíduos pode ter sobre a população de uma espécie e sobre o ecossistema? A escala de aceitabilidade dos impactos costuma ser baseada em motivos estéticos e não científicos. Faltam estudos”, disse Bergallo.

Entre os problemas citados pela pesquisadora está o aumento na mortalidade de animais relacionado a atividades como pesca e caça ou à colisão com veículos e embarcações. Segundo Bergallo, não são raros os casos de peixes-boi vitimados por hélices de barcos, por exemplo.

Além disso, a pesquisadora menciona as alterações no habitat e na composição de plantas decorrentes da construção de pousadas, restaurantes e demais infraestrutura necessária para receber turistas. “O pisoteamento da vegetação nas trilhas causa a compactação do solo e a modificação das plantas. Pode haver perda de espécies nativas e entrada de invasoras, redução na floração e frutificação. Já a onda formada pelos barcos pode promover a intrusão de sal em comunidades que não toleram esse mineral”, contou.

Também é frequente ocorrer distorção do hábito alimentar dos animais, seja por causa da comida oferecida pelos turistas ou por iscas usadas pelos organizadores dos passeios para atrair espécies como o boto-rosa, por exemplo. Muitas vezes, alguns indivíduos são mantidos em cativeiro para que o visitante possa ter um contato mais próximo com a fauna.

Outras fontes de impacto podem passar despercebidas pelos humanos, disse a pesquisadora, como a luz artificial e os sons emitidos por barcos, aeronaves e veículos terrestres.

“As pessoas costumam achar lindo quando veem os cetáceos surfando ao lado de embarcações, mas na verdade eles estão estressados com todo aquele barulho. Há ainda o exemplo das ariranhas perturbadas por barcos durante o período de alimentação no Peru e o do anfíbio fossorial da espécie Spea hammondii, induzido a emergir de buracos onde se esconde pelo som dos veículos, provavelmente por ser semelhante ao de chuvas fortes”, disse.

Como consequências desses impactos, Bergallo mencionou a migração de espécies que não toleram a presença humana; a redução no tempo que o animal tem para se alimentar e a elevação no gasto energético (ambas relacionadas ao tempo perdido tentando fugir dos humanos); comportamento social aberrante (aumento na agressividade entre indivíduos de uma mesma espécie e disputa pela fonte de alimento introduzida pelo homem); maior vulnerabilidade de algumas espécies a competidores e predadores; abandono de filhotes e perturbação no padrão reprodutivo.

“Sabemos que populações pequenas, de reprodução lenta, e espécies raras são as mais afetadas. Mas ainda há poucos estudos ligando o impacto sobre determinados indivíduos aos efeitos sobre as populações. Também são necessários estudos que ajudem a avaliar a capacidade de suporte de diferentes ecossistemas para que seja possível estabelecer o número máximo de visitantes nesses locais”, disse Bergallo.

Para a cientista, o ecoturismo tem um potencial limitado de contribuir com a conservação da biodiversidade e apenas com boa gestão e melhor regulamentação será possível obter benefícios reais com a atividade.

“A legislação brasileira e o Plano Nacional de Turismo não trazem uma regulamentação específica para o ecoturismo. É preciso pensar na criação de normas éticas – a exemplo das existentes nas comunidades de observadores de aves”, defendeu Bergallo.

Lacunas no conhecimento

Como explicou Luciano Verdade, membro da coordenação do BIOTA e pesquisador do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (USP/Cena), o workshop realizado na sede da FAPESP visa promover a interação entre o que se produz de pesquisa científica que pode ser aplicada na gestão da fauna com as diversas demandas existentes na sociedade.

“O Brasil tem uma política pública excessivamente conservadora no que toca à governança da fauna. A filosofia é: proíba tudo e trate todas as espécies como ameaçadas. Mas, além da proteção em si, existe uma diversidade maior de demandas em relação à fauna. Há animais que vivem em conflito com a agropecuária, a silvicultura ou mesmo com a saúde pública. Por outro lado, há outros que podem gerar riqueza e inclusão social se explorados de forma biologicamente sustentável. O panorama é mais complexo”, disse Verdade.

O pesquisador ressaltou ainda a necessidade de desenvolver projetos de monitoramento que permitam detectar de forma precoce e eficiente eventuais mudanças no estado das populações silvestres.

“Esse processo [a boa gestão da fauna] pode ser limitado quando não sabemos ao certo o que fazer por falta de base conceitual. Há momentos que sabemos o que fazer, mas falta tecnologia para saber como fazer. A inovação, portanto, deve ser estimulada. Há ainda diversas situações em que sabemos o que fazer e como, mas não onde, quando e com quem. Nesse caso falta uma estrutura de governança. Nossa tentativa hoje é contribuir para uma percepção mais clara do que nos limita”, disse Verdade.

Segundo Carlos Alfredo Joly, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro da coordenação do BIOTA, o debate poderá auxiliar na definição de temas para futuras chamadas de propostas lançadas no âmbito do programa.

“O BIOTA geralmente faz duas chamadas por ano, sem contar aquelas lançadas com parceiros nacionais e internacionais. A definição da temática nasce dessas discussões com a comunidade científica”, contou Joly.

Além dos impactos do ecoturismo, também foi abordada no evento a gestão de espécies invasoras, como é o caso do javali. Segundo Virgínia Santiago, da Embrapa Suínos e Aves, a população de javalis tem se expandido expressivamente desde os anos 1990, competindo por recursos com espécies nativas. Os riscos sanitários associados a esse fenômeno, disse a pesquisadora, ainda são desconhecidos.

O pesquisador Walfrido Moraes Tomas, do Laboratório de Vida Selvagem da Embrapa Pantanal, lembrou que em 2017 completou 50 anos a lei que proibiu a caça no Brasil (exceto a de subsistência).

Segundo ele, a caça existe no território nacional desde a chegada da espécie humana e ainda hoje é onipresente, apesar de formalmente proibida.

“Não conseguimos evitar o uso descontrolado e nada sabemos sobre seus efeitos sobre populações. Não há números oficiais. Com a proibição da caça, não construímos na academia as carreiras específicas para a gestão de fauna, não foi estabelecida uma demanda por profissionais com este perfil. Não estabelecemos, portanto, nenhuma base científica que possa dar suporte às tomadas de decisão”, afirmou Tomas.

Mauro Galetti, professor do Departamento de Ecologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro, falou sobre como a defaunação pode contribuir para o agravamento das mudanças climáticas. Segundo ele, a redução das populações de grandes frugívoros nas florestas tropicais – os únicos animais capazes de dispersar sementes de maior porte – resulta na substituição de árvores de madeira dura por espécies com menor capacidade para armazenar carbono (leia mais em: http://revistapesquisa.fapesp.br/2015/12/18/extincao-de-animais-pode-agravar-efeito-das-mudancas-climaticas/).

A bióloga Cláudia Schalmann, da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), abordou questões relacionadas à fauna silvestre nos processos de licenciamento ambiental de projetos e empreendimentos paulistas. Destacou a importância de medidas mitigadoras do impacto, como evitar a entrada de animais domésticos nas áreas verdes, manter a conectividade do fragmento florestal do lote com o entorno e criar passagens de fauna (elevadas ou subterrâneas) em rodovias, entre outras.

A gestão de espécies ameaçadas foi tema da palestra de Marcio Martins, professor do Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da USP, que explicou como foi elaborado o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, organizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Todas as apresentações foram transmitidas ao vivo e as gravações estão disponíveis na íntegra pelo site: http://www.fapesp.br/eventos/fauna.







Fonte: Agência FAPESP









COMO SALVAR O CERRADO? A responsabilidade das corporações






Paul Jepson, Course Director, MSc Biodiversity, Conservation and Management, University of Oxford
Sergio Henrique Collaco de Carvalho, DPhil Student in Geography and the Environment, University of Oxford


To the south of the Amazon basin lies a huge savannah known as the Cerrado. Once a mix of grassland and forest, much of the Cerrado has now been transformed into the vast soy farms and cattle ranches that have made Brazil an agricultural superpower. There is also plenty of untouched land – but protecting it requires a new approach to deforestation.

Recently, 23 major food companies signed up to the “Cerrado Manifesto” which calls for urgent action to ensure “soy and beef supply chains do not contribute to deforestation”.

The logic is that by signing the declaration companies are sending a clear signal to the market: consumers want products that aren’t the result of deforestation – and demand for soy and beef can be met by existing crop and pasture land. In theory, this will weaken the case for converting further natural vegetation to agriculture – but if only it was that simple.





Some reports have suggested that deforestation in the region is on the rise due to the success of conservation policies that have “pushed” agricultural companies out of the Amazon. In reality the Cerrado was largely transformed to agricultural monocultures decades ago. When food companies signed the Amazon Soy Moratorium in 2006, they were already sourcing it from the Cerrado.

From savannah to soy

Ranchers first settled on the native grasslands in the early 20th century and grazed cattle at low densities. This may have spared the vegetation by mimicking the grazing habits of native animals, many of which were decimated by hunters.

In the 1950s the new national capital, Brasilia, was built in the the heart of the Cerrado and linked to the “powerhouse” states of Sao Paulo, Rio and Minas by new highways. At the same time Brazil’s mining and steel industries expanded and Cerrado forests provided a ready source of timber needed for fuel.

During the 1960s, heavy investment in agricultural research succeeded in developing soy and cotton cultivars that could grow on the acidic Cerrado soils. Over the following decades, land was consolidated into large-scale monocultures. By early 2002 farming had reached the limits of the savannah: at least 50% and perhaps as much of 70% of this vast area had been converted to agriculture.

In contrast deforestation in the Amazon really took off much later, during the mid-1990s. By the time the world started to care about the Amazon, much of the Cerrado had already been lost.


Cattle ranching is the biggest cause of deforestation in Brazil. via www.shutterstock.com


Saving the last of the Cerrado

One remaining area of native vegetation is large enough to merit serious conservation action. This is a mosaic of grasslands, groves and veredas – a type of oasis found nowhere else – in the Matopiba region towards the northern end of the Cerrado.

The manifesto calls for the Brazilian government to create more protected areas and to strengthen the “Forest Code”. The code is legislation which says private land owners can only “convert” up to 80% of their natural vegetation – the rest must be left untouched. It therefore does protect some land, but can also be interpreted as legalising deforestation. In the Amazon, a 2002 change reduced the proportion of land available for deforestation down to just 20%, and the manifesto signatories are calling for similar action in the Cerrado.

But things in the Amazon are very different. In the 1960s most land there lacked legal title and Brazil’s military government brought them under federal ownership. Subsequent redistribution has been slow and limited, enabling the creation of large protected areas and making the forest code restriction less costly to implement.

In the Cerrado everything is in private ownership. The Brazilian economy is too weak for the government to buy up lands with agricultural value – especially when demand for soy remains high – which leaves it with fewer powers. Decreasing the forest code’s 80% allowance may not be political feasible. This is because when the code was changed in the Amazon, angry and worried landowners then organised themselves politically into the powerful “ruralista” movement. Government meddling in the Cerrado risks inflaming calls to roll back environmental protections.


Soy plantations are eating into the savannah. via www.shutterstock.com

What to do?

Perhaps a billionaire conservation angel will appear, one who is willing to buy high-value land and return it to nature. More realistically, the best hope is for state and local governments to make effective use of their powers to zone agriculture and implement the forest code.

Food companies need to switch from “opting out” of deforestation to “opting in” to landscape restoration. It’s hard to truly opt out of deforestation as agricultural commodities are repeatedly aggregated, processed and aggregated again which makes them harder to trace. Setting up “certified supply chains” is also complex and costly – it’s much simpler and cheaper for companies to instead opt to buy (or not buy) from a certain region. In the Amazon, where forests are vast and agriculture relatively recent, these sort of pledges not to farm a certain area made sense. In the Cerrado an opt-in restoration pledge is required.

Initiatives to restore degraded lands to a a mix of agriculture and natural vegetation are gaining momentum. For example Brazil now has a goal to restore 220,000 km² of degraded land, linked to its commitments under the Paris climate agreement. Companies could commit to only using food produced in regions of the Cerrado that are part of this restoration process.

Corporate commitments to avoid deforestation are hailed by the media, NGOs and the corporations themselves. The hard reality is that real conservation happens in the offices of local government and local businesses rather than in corporate boardrooms. If these companies want to play their part they need to engage in solving challenges rather than avoiding them.


 








Brasil tem ano com o maior número de queimadas da história



Incêndio florestal é combatido; país registra recorde de queimadas em 2017 (Foto: Fernando Tatagiba/ICMBio/AFP)


Thiago Reis

São 270.479 focos de incêndio registrados pelo Inpe, recorde da série histórica anual, iniciada em 1999. Estiagem prolongada e ausência de fiscalização são apontadas como causas.

Com 270.479 focos de incêndio, 2017 já é o recordista em número de queimadas de toda a série do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), iniciada em 1999. E o ano nem acabou.

O mês de setembro é um dos grandes responsáveis pelo dado histórico. Foram 110.988 pontos de calor registrados – número nunca antes atingido em apenas 30 dias no país e que representa mais de 40% do total do ano. Em dezembro, são 6.873 focos em apenas nove dias (a média mensal é 8.836).

Na comparação com todo o ano passado, já há um aumento de 44% no número de focos de calor.

Para o pesquisador Alberto Setzer, responsável no Inpe por coordenar o monitoramento de queimadas no país, a estiagem prolongada em boa parte dos estados e a ausência de fiscalização estão entre as principais causas da propagação do fogo.

Vários estados ficaram sem precipitação, propiciando que os incêndios se alastrassem e atingissem áreas maiores, diz. "Mas o principal foi o descontrole por parte da fiscalização, porque a gente está falando em crimes sendo cometidos."

Ele cita o caso de Mato Grosso, onde houve um decreto proibindo queimadas, cujo período foi, inclusive, estendido. "Mesmo assim, não foi observada nenhuma alteração no uso do fogo. Pelo contrário, aumentou tremendamente." O estado teve quase 44 mil focos neste ano.


O Pará também teve um ano atípico. O estado já teve, até agora, mais de 64 mil focos de incêndio – um aumento de 118% em relação ao ano passado. O número é bem maior que o registrado em 2004 (47.822), até então o ano com o maior número de queimadas.

As unidades de conservação também foram devastadas pelo fogo. A área atingida é maior que a do ano passado, de acordo com dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pelas unidades.

Parte considerável da destruição ocorreu no Parque Nacional da Chapada do Veadeiros, que passou pelo maior incêndio da sua história. O fogo só foi controlado após 68 mil hectares serem atingidos.

Setzer diz que é esperado que o número de focos diminua no ano que vem, mas alerta para o descontrole em novas fronteiras agrícolas, como pôde ser observado em Mato Grosso e no Pará. "Em geral, do ponto de vista do clima, é difícil ter anos consecutivos com o mesmo padrão. Então é esperado que 2018 seja mais úmido, mesmo sendo complicado prever. Mas mais que isso, quando há muitas queimadas, a vegetação seca é consumida. Então a matéria orgânica disponível para a queima diminui muito", afirma.


Brigadistas combatem queimada; Brasil teve recorde histórico no número de focos em apenas um ano (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)


Pelo mundo

Não foi só o Brasil que viveu um ano complicado. Várias queimadas já atingiram a Califórnia, nos Estados Unidos, obrigando, inclusive, retiradas em massa. A primeira morte em decorrência do fogo foi confirmada nesta sexta (8).

Em Portugal e na Espanha, diversas regiões sofreram com os incêndios florestais, que deixaram ao menos 40 mortos.


Bombeiros trabalham para conter um incêndio florestal em Obidos, em Portugal (Foto: Armando Franca/ AP)


Monitoramento

O monitoramento por satélite do Inpe consegue diagnosticar todos os focos de incêndio que tenham pelo menos 30 metros de extensão por 1 metro de largura.

Quase todas as queimadas hoje são causadas pelo homem, seja de forma proposital ou acidental. As razões variam desde limpeza de pastos, preparo de plantios, desmatamentos e colheita manual de cana-de-açúcar até disputas por terras e protestos sociais.

Segundo o Inpe, as queimadas destroem a fauna e a flora nativas, causam empobrecimento do solo e reduzem a penetração de água no subsolo, além de gerar poluição atmosférica com prejuízos à saúde de milhões de pessoas e à aviação. Denúncias de incêndios criminosos podem ser feitas ao Corpo de Bombeiros, às prefeituras, às secretarias estaduais do Meio Ambiente e ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Fonte: G1









Entrevista de Martine Grael sobre a mais dura etapa da Volvo Ocean Race



Terceira etapa da Volvo Ocean Race promete ser a mais dura até agora

Ventos fortes são previstos para o início da regata entre a Cidade do Cabo até Melbourne.


Para assistir ao vídeo, acesse aqui Martine na VOR

A terceira etapa da Volvo Ocean Race começa neste domingo (10) prometendo ser uma das mais difíceis para as sete equipes que disputam a competição de Volta ao Mundo. O barcos partem da sul-africana Cidade do Cabo para Melbourne, na Austrália, para 6.500 milhas náuticas nos mares do sul.

E logo de cara, os velejadores terão pela frente ventos fortes de até 40 nós. O famoso “Cape Doctor”, vento que sopra do Sudeste durante os meses de verão, dará o tom de cara. Depois é a vez dos ventos da Latitude 40. As ondas gigantes e o frio intenso também fazem parte da perna.




''Na verdade estou bem nervosa para essa próxima perna, pois nunca fiz isso antes e fazer em competição é muito intenso. É uma etapa que passa pelos mares do sul com uma quantidade de risco muito grande envolvido. São ondas varrendo o barco e a pressão da água forte. As ondas mais a velocidade do barco tornam a travessia bastante difícil e perigosa! Até pequenas lesões podem se tornar um problema durante a regata! É uma perna muito fria, dura e longa. Uma dessas etapas que fazem as lendas'', disse a brasileira Martine Grael, integrante do AkzoNobel.

"Pode ter muito vento durante a primeira semana e altas velocidades", concordou Charles Caudrelier, comandante do Dongfeng Race Team. "Eu acho que vai ser uma perna fantástica".

O holandês Bouwe Bekking, do Team Brunel, também opinou sobre a terceira etapa. "Devemos lembrar que é o final da primavera, apenas no início do verão e o inverno acabou de passar no Hemisfério Sul, de modo que a água ainda está fria", disse o veterano. ''Essa era a perna que tinha mais quebra. Os barcos hoje são mais fortes do que antes, mas ainda assim as coisas podem acontecer".

Decidir quando imprimir mais velocidade e quando reduzir para proteger a tripulação e o equipamento é um equilíbrio que precisa ser adotado. A etapa é importante, pois esta é a primeira a valer dobrado. O vencedor irá somar 15 pontos (7 x 2 = 14 mais um bônus de 1 ponto).

"Eu acho que temos muita experiência em nosso barco e temos que confiar nessa experiência nos mares do sul", explicou Charlie Enright, do Vestas 11th Hour Racing. ''Para terminar primeiro, você deve primeiro terminar a prova em Melbourne".


Fonte: Volvo Ocean Race










COLÔNIA DE VELA NO PROJETO GRAEL: Diversão garantida para as crianças



Uma das opções é o Projeto Grael, que oferece, entre outras atividades, a oportunidade de velejar
Foto: Divulgação / Projeto Grael


Inscrições estão abertas para colônias de férias que prometem ocupar o tempo da garotada durante o recesso escolar

As férias escolares estão para começar e com elas o drama de muitas famílias que não sabem o que fazer para entreter a criançada. As colônias de férias são uma boa opção e na cidade de Niterói estarão disponíveis alternativas para ocupar o tempo livre das garotada durante o recesso escolar e, ao mesmo tempo, informar e divertir.

No bairro de Jurujuba, quem comanda a diversão, que acontece entre os dias 22 e 26 de janeiro é a equipe do Projeto Grael. Com turmas de 8 a 11 anos e 12 a 14 anos, as atividades simultâneas variam em: aulas de vela, recreação na piscina, passeios de barco, gincanas ecológicas e oficinas de marcenaria. Tudo isso com sorteio de brindes e lanche incluso no pacote. As vagas são limitadas e as inscrições podem ser feitas no local.

Segundo o coordenador do projeto, André Matos, a expectativa é que venham mais crianças que no último ano.

“O foco do projeto são as atividades náuticas, colocar as crianças para velejar. Ano passado foram cerca de 18 crianças e foi um sucesso. Este ano disponibilizamos 30 vagas”.

Uma outra opção, desta vez, no centro da cidade é o Sesc Niterói. São 50 vagas para crianças de 6 a 12 anos e as incrições já estão abertas. Com o tema “As Crianças no Mundo”, a Colônia de Férias Sesc 2018 vai oferecer atividades lúdicas e educativas. Na programação estão inclusos: jogos populares, oficinas esportivas, jogos de mesa, jogos eletrônicos, aulões de atividades físicas diversas, esportes adaptados e jogos cooperativos.

A temática desta edição foi escolhida pensando na Copa do Mundo de 2018 e o foco são os países participantes e suas peculiaridades como cultura, esportes tradicionais, gastronomia e demais curiosidades. A colônia do Sesc acontece entre os dias 16 de janeiro e 2 de fevereiro.

A Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) também oferece uma programação especial para a garotada. A colônia de férias “Recreando” acontece durante o mês de janeiro, do dia 2 ao 26, com programação de segunda à sexta, das 13h30 às 17h30, para crianças de 4 a 13 anos, nas unidades de Piratininga e São Francisco.

Fonte: O Fluminense









sábado, 9 de dezembro de 2017

Ilha da Boa Viagem terá novas obras de revitalização



COMENTÁRIO DE AXEL GRAEL:

Em 2015, a Prefeitura de Niterói fez obras de recuperação da ponte de acesso à Ilha e, no início de 2016, abriu a Ilha da Boa Viagem, um valioso patrimônio histórico e cultural da cidade, para a visitação pública.

Infelizmente, em novembro de 2016, a Defesa Civil de Niterói recomendou o fechamento da ilha devido à identificação da instabilidade de uma parte da ilha. O problema não colocava os visitantes em risco, mas o patrimônio histórico. Por isso, a visitação foi interrompida.

Agora, com as novas obras planejadas pela Prefeitura, a Ilha será protegida e a visitação poderá voltar a acontecer.

Axel Grael
Secretário Executivo
Prefeitura de Niterói


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Ilha da Boa Viagem terá novas obras de revitalização

Tombada pelo Iphan, Ilha da Boa Viagem foi fechada para visitação em novembro de 2016, 8 meses após ter sido reaberta. Foto: Evelen Gouvêa.



Vinícius Rodrigues


Prefeitura deverá definir ainda este ano como será feita contenção de encosta e restauração de igreja

As obras de revitalização da Ilha da Boa Viagem estão mais próximas de sair do papel. Pelo menos é o que garante a Prefeitura de Niterói. Segundo o Executivo, o local, que completou em novembro um ano fechado, já foi vistoriado por representantes da Empresa Municipal de Moradia, Urbanismo e Saneamento (Emusa). Neste mês será realizada uma reunião da Secretaria Executiva para decidir os procedimentos a serem adotados, com o objetivo de agilizar as intervenções no local, que incluem a contenção da encosta e a restauração da igreja.

A Ilha da Boa Viagem, que é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi fechada para visitação em novembro de 2016, apenas oito meses após a sua reabertura. À época, a Prefeitura de Niterói alegou que precisava fazer reparos na rampa de acesso e escadas do ponto turístico.

“A prefeitura gastou cerca de R$ 700 mil na reforma da ponte, isso depois que a mesma estava há 15 anos com a estrutura condenada. Além disso, pequenas intervenções foram feitas ao longo dos anos, mas nada que possa garantir de fato a estabilidade do local. É preciso uma reforma completa, afinal, a Ilha da Boa Viagem é um dos pontos turísticos mais ricos de Niterói”, avalia o historiador Agamenon Flores, da Universidade Federal Fluminense (UFF).

O cuidado com a Ilha da Boa Viagem está há mais de 80 anos sob a responsabilidade do 4º Grupo de Escoteiros Gaviões do Mar, que realizam pequenos reparos conforme podem. A gestão do grupo acontece através de um convênio com a Prefeitura de Niterói. No entanto, o contrato com os guardiões se encerrou há um ano. Em nota, a prefeitura informou que o convênio entre a Prefeitura e os escoteiros só poderá ser firmado após a desinterdição da Ilha, o que ainda não tem prazo para acontecer.

Moradores que já visitaram a ilha lamentaram a demora na reabertura do ponto turístico. Para eles, o momento ideal seria o período de férias neste fim de ano.

“Eu lembro que quando era adolescente visitei umas três vezes a ilha. Eu e uns amigos costumávamos vir e visitar a igreja, curtir o pôr do sol. É uma paisagem linda demais”, contou o médico Arthus Gaspar, de 43 anos.

E quem nunca teve a chance de visitar o local espera ansiosamente pelo momento.

“Eu vim de Pernambuco no ano passado e sempre falei com o meu marido o quanto deve ser linda a ilha. Pena que está fechada, mas já ouvi dizer que estão trabalhando para reabrir. Tomara”, desejou a pedagoga Ângela Cristina, moradora de Santa Rosa, enquanto caminhava pela Praia de Icaraí.


Fonte: O Fluminense 







NITERÓI RESILIENTE: Defesa Civil realiza III Seminário para treinamento de voluntários





Na manhã de hoje, estive na mesa de abertura do 3º Seminário de Educação Continuada para Núcleos de Defesa Civil nas Comunidades (NUDECs), promovido pela Defesa Civil de Niterói. Desde 2013, a Defesa Civil de Niterói já capacitou 52 turmas de voluntários nas comunidades para atuar em apoio às equipes da Defesa Civil, seja em contingência, como em situação de normalidade.

Os NUDEC´s são componentes importantes do Sistema Municipal de Defesa Civil, que envolvem também os demais órgãos municipais e de outras esferas de governo, como Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e outros órgãos. Os NUDEC´s, pelo conhecimento que possuem de cada comunidade, são essenciais para o planejamento das ações específicas para cada área de risco e para a proporcionar a necessária capacidade de resposta em situação de emergência.

É essa estrutura alcançada pela Prefeitura de Niterói que fez com que Niterói tenha sido considerada uma das sete melhores defesas civis do país pelo Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR).

E, não basta planejar, é preciso treinar todos os agentes do sistema de Defesa Civil. É com este objetivo que foi realizada hoje o 3º Seminário de Educação Continuada para Núcleos de Defesa Civil nas Comunidades (NUDECs).

Veja nas imagens abaixo como foi o Seminário e as atividades de treinamento:


Mesa de Abertura do III Seminário.

Presença dos voluntários dos NUDEC´s

Unidos por uma Niterói Resiliente.

Apresentação do chefe da Defesa Civil de Niterói, coronel Walace Medeiros.

Apresentação da professora Catarina Ribeiro, da UFF.

Participação da Cruz Vermelha.

Órgãos da Prefeitura de Niterói presentes.

Participação do Parque Estadual da Serra da Tiririca.

Explanações técnicas.

Participação do Corpo de Bombeiros.


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LEIA TAMBÉM:













MUDANÇAS CLIMÁTICAS: As 5 conclusões mais relevantes para os governos locais na COP23



Café da Manhã da delegação sul-americana na COP23, em Bonn. À esquerda, a engenheira florestal Valéria Braga, representando a Prefeitura de Niterói.



05/12/2017*

A 23ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP23), em Bonn, na Alemanha, chegou ao fim em 18 de novembro de 2017. Reunimos neste documento nossas conclusões mais relevantes e a avaliação do que tudo isso significa para os governos locais e regionais e para a ação climática global.

1. A COP23 provou que o Acordo de Paris não pode ser contido e é irreversível - e do qual os governos locais são importantes guardiões.

Os governos locais e regionais tiveram um papel de liderança claro nesta última COP. Agora eles estão em destaque, com uma voz que está ganhando influência no decorrer do tempo.

Este é um momento político importante para a ação climática a nível global. Embora as expectativas iniciais eram de uma COP de encaminhamentos, a COP23 rapidamente se transformou em um evento muito maior e mais relevante.

Isso aconteceu, pelo menos em parte, devido ao fato de os EUA anunciarem sua retirada do Acordo de Paris em junho passado. Isso imediatamente provocou uma reação por milhares de cidades e regiões, bem como de grandes empresas e instituições acadêmicas nos EUA e em todo o mundo. Em particular, os grupos interessados norte-americanos declararam firmemente que ainda estão envolvidos na ação climática.

Desde que os governos locais e regionais foram reconhecidos oficialmente no Acordo de Paris, eles estão assumindo um papel mais central na conversa sobre mudanças climáticas. Na COP23, líderanças locais mostraram que estão desempenhando um papel importante e constante na ação climática global.

Esta edição foi um marco em termos do tamanho e da diversidade da delegação presentes ao evento da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). Participaram da delegação na COP23 1000 delegados, com mais de 300 líderes. Da América do Sul, participaram mais de 40 delegados de 19 cidades, dentre eles prefeitos das cidades de Rosário (Argentina), Campinas (Brasil), Manaus (Brasil) e Palmas (Brasil) e representantes das cidades associadas à Rede ICLEI de: Buenos Aires (Argentina), Rosario (Argentina), La Paz (Bolívia), Belo Horizonte (Brasil), Campinas (Brasil), Curitiba (Brasil), Londrina (Brasil), Manaus (Brasil), Estado de São Paulo (Brasil), Niterói (Brasil), Palmas (Brasil), Porto Alegre (Brasil), Recife (Brasil), Salvador (Brasil), Area Metropolitana do Valle de Aburrá (Colômbia) e Quito (Equador).

Também foi a primeira vez na história das COPs que um evento de líderes locais e regionais foi enquadrado como uma colaboração com a Parceria de Marrakesh para a Ação Global do Clima - processo através do qual os stakeholders não-Parte comprometem-se com as ações climáticas globais. Isso sinaliza a centralidade e a importância dos governos subnacionais no impulsionamento do progresso global.

2. Os objetivos nacionais não são suficientemente fortes e a lacuna das emissões globais é enorme - Este é o momento perfeito para envolver os governos locais e regionais no cumprimento dos compromissos nacionais e aumentar as ambições globalmente.

De acordo com uma análise recente da UN Environment, os compromissos nacionais atuais cobrem apenas um terço das reduções de emissões necessárias para manter a temperatura global bem abaixo de 2˚C. Além disso, há indícios de que o orçamento de carbono global disponível para o cenário de 1,5˚C esgotará até 2030.

A Cúpula Climática de Líderes Locais e Regionais em si foi uma demonstração real de que a governança multinível não é apenas um conceito que está levado pelos atores subnacionais. Na verdade, esse processo tem cada vez mais legitimidade e importância para os governos nacionais. A Cúpula - co-organizada por uma parceria multinível entre a Cidade de Bonn e o estado de Renânia do Norte-Vestefália - foi notável em termos de representação de todos os níveis de governo.

A temática de governança multinível e colaboração entre níveis de governo também pautou discussões no Pavilhão de Cidades e Regiões na Bonn Zone. Contando com a participação de representantes de governos municipal e federal da Argentina, Brasil e Colômbia, o ICLEI América do Sul trouxe o debate para o contexto da região e apresentou os desafios de implementação da NDC no contexto local. Dentre os principais desafios está acessar recursos financeiros internacionais e viabilizar linhas de financiamento para os municípios apoiarem na implantação da estratégia climática nacional.

O Compromisso de Líderes Locais e Regionais de Bonn-Fiji para Entregar o Acordo de Paris em Todos os Níveis, aprovado por centenas de lideranças na COP23, destaca que os governos locais e regionais em todo o mundo se comprometeram a fazer sua parte para reduzir as emissões globais: 1.019 governos locais e regionais que reportam ao ICLEI na Plataforma carbonn comprometeram-se coletivamente a reduzir suas emissões em 26,8 gigatoneladas até 2050. Ao mesmo tempo, o impacto agregado das 7.494 cidades e governos locais comprometidos com o Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e a Energia poderia reduzir coletivamente as emissões em 15,64 gigatoneladas entre 2010 e 2030. Além disso, mais de 100 estados e regiões informando seus dados à plataforma do CDP em 2017 poderiam reduzir as emissões em 21,9 gigatoneladas cumulativamente até 2050.

Esses compromissos sinalizam um forte nível de dedicação - porém é preciso ir além para garantir que os governos locais e regionais possam implementar políticas e planos de ação para apoiar diretamente os objetivos climáticos do Acordo de Paris. Na COP23, através da Cúpula Climática de Líderes Locais e Regionais e do Compromisso de Bonn-Fiji ficou claro que os governos nacionais podem cumprir seus compromissos e elevar ambições em todo o mundo, se e quando tornarem desenvolvimento urbano sustentável uma parte fundamental dos planos de ação climática nacional, conhecidos como Contribuições Nacionalmente Determinadas, e envolver plenamente todos os níveis de governos.

Neste momento em que as Nações estão definindo o conjunto de regras que regem o Acordo de Paris é extremamente importante considerar a componente local em seus planos de investimento, promovendo a governança multinível. Durante o Habitat + 1, em Quito, foram estabelecidas conversas com uma variedade de atores e a partir disso, cidades latino americanas, lideradas pelo prefeito de Quito, Mauricio Rodas, estão propondo um Chamado à Ação aos Líderes da América Latina para pressionar pela integração vertical das estratégias de implementação do NDC. Este convite será levado ao Summit One Planet, convocado pelo presidente da França, Emmanuel Macron, em dezembro.

3. O Diálogo Talanoa abre a porta aberta para parcerias multiníveis e multipartidárias - os governos locais agora têm a oportunidade e o dever de estender isso a todas as cidades e regiões do mundo.

O Diálogo Talanoa - também referido como o Diálogo Facilitador de 2018 - iniciará o processo no qual as nações revisarão seus planos climáticos atuais antes da próxima leva de NDCs a serem enviadas em 2020. Seu objetivo será melhorar a ambição, especialmente em direção à meta de 1,5˚C. Os governos locais e regionais, bem como outros públicos interessados não-Parte, foram encorajados a contribuir com o processo.

Foi particularmente importante que o resultado da COP23 convida os países e outros públicos interessados não-Parte a participar do diálogo para aumentar a ambição do processo da UNFCCC e para cada país. As cidades e as regiões serão, em consequência, muito mais bem posicionadas para influenciar o processo e aconselharem ou exercerão pressão sobre os seus governos nacionais para que façam mais sobre o clima e façam isso de forma mais rápida.

A COP23 trouxe uma série de iniciativas que visam unir diferentes níveis de governos para agir pelo clima. O ICLEI foi anunciado como o primeiro membro associado da Parceria NDC (NDC Partnership), e o Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e a Energia que agora conecta a Comissão Europeia às redes globais do governo local.

4. O avanço do Programa de Trabalho do Acordo de Paris possibilitou o progresso na construção de uma forte arquitetura climática global.

O Programa de Trabalho do Acordo de Paris foi indiscutivelmente o principal item da agenda da COP23. A evolução do título deste documento, que passou de “conjunto de regras” para Guia de Implementação para o Programa de Trabalho, já reflete que os resultados dos processos globais fornecerão apenas orientação básica, enquanto as decisões definidoras serão tomadas por cada país. Uma vez concluído, este documento será um conjunto detalhado de instruções acordadas sobre como reportar o progresso, alinhar a metodologia para contabilizar emissões e, de forma geral, implementar o Acordo de Paris em cada país - entre outras coisas.

Um rascunho antecipado foi liberado no final da COP: um documento com mais de 250 páginas reunindo várias posições. O documento final de resultados da COP23 reconheceu a necessidade de mais tempo para suavizar alguns pontos e pediu novas sessões em 2018 para continuar trabalhando no texto, a fim de ter o documento para aprovação na COP24 em Katowice, Polônia, em novembro.

5. O caminho adiante - temos 3 anos críticos a nossa frente para proteger o Acordo de Paris e o clima global.

Todos os níveis de governo e todas as partes interessadas na agenda podem ser encorajados pela crescente solidariedade em todo o movimento climático, mesmo que a realidade das mudanças climáticas nos confronte. Fiji, a nação que presidiu esta COP, espalhou uma inspiradora mensagem de unidade. Eles reuniram as nações e as partes interessadas para formar uma grande coalizão de atores do clima que impulsionam a ação global adiante.

Vários eventos importantes no final deste ano e até 2020 marcarão momentos cruciais de ação climática e advocacia.

2017
Cúpula do Macron: em julho, durante a Cúpula do G20, o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou planos para realizar uma cúpula em Paris, em 12 de dezembro de 2017, dois anos após o acordo de Paris. A One Plane Summit deverá sediar uma série de anúncios e iniciativas direcionadas aos Chefes de Estado, inclusive o documento "Call to Action", iniciativa liderada pelo prefeito de Quito e líder do RexCom do ICLEI para América do Sul, no qual lideranças latino-americanos reivindicam maior verticalização dos planos de investimento das NDCs.

2018
A partir de janeiro, o Diálogo Talanoa dará aos governos locais e regionais uma oportunidade sem precedentes para discutir planos climáticos com suas contrapartes nacionais em 2018.

Em março, a Conferência de Cidades e Mudanças Climáticas do IPCC, que terá lugar em Edmonton, no Canadá, avaliará o estado dos conhecimentos acadêmicos e práticos relacionados às cidades e as mudanças climáticas e estabelecerá uma agenda de pesquisa global baseada na identificação de lacunas importantes nas comunidades acadêmicas, profissionais e de políticas urbanas.

No Congresso Mundial do ICLEI, em junho de 2018, milhares de representantes de governos locais e regionais se reunirão em Montreal, Canadá, para mostrar seus compromissos e ação projetados para promover a sustentabilidade urbana.
2018 conclui com a COP24, na qual as Nações devem adotar o programa de trabalho final para a ação climática global.

2019
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, convocará a Cúpula do Clima das Nações Unidas de 2019 em Nova York, na sede da ONU. Assim como a anterior, realizada em 2014 e que impulsionou o acordo de Paris, esta Cúpula terá um papel importante para garantir que as ações e as ambições se acelerem antes de 2020. A Cúpula também pode alavancar o envolvimento dos interessados ​​no processo de reforma da ONU A 25a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas deverá acontecer na América Latina entre novembro e dezembro, mas o país e a cidade ainda não foram definidos.

2020
Todas as nações e partes interessadas no clima precisam se surpreender e ao resto do mundo nos próximos anos e enviar uma forte mensagem através dessas plataformas globais. Precisamos atingir o alvo de 1,5 graus.

* Versão adaptada da publicação original. Acesse o texto na íntegra em inglês.


Fonte: Sams - ICLEI











Rugby de Niterói no topo do esporte nacional



As meninas do time do Niterói Rugby mostraram técnica e raça para buscar a conquista do título brasileiro da modalidade no último final de semana. Foto: Divulgação



Matheus Oliveira

Meninas do Niterói Rugby conquistaram o título brasileiro

Um triunfo conquistado na raça, superando o grande favorito e mostrando a força do esporte niteroiense, que novamente chegou ao topo do esporte nacional. Com a força das guerreiras rubro-negras, o time feminino do Niterói Rugby conquistou na última semana o Circuito Brasileiro de Rugby Sevens, o Campeonato Brasileiro da modalidade.

Sempre entre os primeiros colocados no Brasileiro, mas batendo na trave para conquistar o título, o planejamento deste ano priorizou a conquista nacional. Assim, as jogadoras mais novas ganharam experiência no Estadual, como conta uma das atletas da equipe, Letícia Olivares.

“O Campeonato Estadual com certeza ajuda a nos manter ativas durante o ano todo. Usamos ele para desenvolver nossas atletas mais novas que precisam de mais experiência de campo para começar a introduzi-las no Brasileiro. Todo atleta precisa de ritmo de jogo e o Campeonato Estadual nos proporciona isso para chegar bem preparadas para o Brasileiro”, disse.

Para chegar ao título, time venceu etapas e teve que torcer para o São José Rugby ficar apenas em quinto na última etapa. Assim aconteceu e o título veio por apenas dois pontos.

“O que nos levou ao título foi a soma dos resultados de todas as seis etapas jogadas durante o ano. Porém, um resultado que realmente nos manteve vivas na disputa do primeiro lugar foi a vitória das Leoas de Paraisópolis contra nosso maior oponente, São José Rugby, nas quartas de finais da última etapa; e também nossa vitória nessa última etapa, que sem ela não ganharíamos.

A sensação é incrível. Ainda não caiu muito a ficha que agora realmente podemos dizer com a boca cheia que somos as melhores do Brasil”, detalhou Letícia, completando em seguida.

“Nossa estratégia é única, não tem mistério. Ganhar qualquer jogo, independente do adversário que enfrentarmos. Manter nosso padrão de ataque e defesa e implantar o nosso ritmo de jogo em cima do adversário, o resultado vem como consequência”, destacou.

Ela ainda elencou as maiores dificuldades encontradas pelo time neste ano.

“Tivemos algumas etapas sem nossas meninas da seleção, o que fez ficarmos em quinto lugar em duas etapas, enquanto nosso maior oponente se manteve com bons resultados. Com isso, chegamos na última etapa com o dever de ficar em primeiro lugar e nosso maior adversário, São José Rugby, deveria ficar no máximo em quinto lugar, o que costuma ser muito difícil deles ficarem, pois são uma excelente equipe. Mas acho que dessa vez a maré estava para o Niterói, ganhamos a etapa e o São José Rugby ficou em sexto lugar na etapa”, revelou a atleta, que classificou como indescritível o fato de levar a Cidade Sorriso ao topo do rugby nacional. Ela ainda projetou a temporada de 2018.

“Espero um trabalho mais forte ainda para mantermos nosso ritmo. Chegar não foi fácil e temos a consciência que manter também não será”, encerrou.

As campeãs foram: Andressa Contreras (capitã), Bárbara Santiago, Beatriz Futuro, Isadora Cerullo, Amanda Araújo, Leticia Olivares, Claudia Jaqueline, Amanda Monteiro, Bárbara Moura, Bibiana Abreu, Cynthia Ramos, Dayana Dakar, Jessica Abreu, Júlia Rodrigues, Rafaela de Mello, Nyvia Trezzi, Shaina Ribeiro, Suzana Rodrigues e Karolynne Pires.

Fonte: O Fluminense