segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Saneamento melhora, mas metade dos brasileiros segue sem esgoto no país



Dados mais recentes disponibilizados mostram cobertura de 83,3% de água e 50,3% de esgoto no país (Foto: Editoria de Arte/G1)


Lei do Saneamento Básico completa 10 anos em 2017. Acesso à coleta de esgoto passou de 42% para 50,3%; já o de abastecimento de água passou de 80,9% para 83,3%.

Por Clara Velasco, G1, São Paulo

Dez anos após a Lei do Saneamento Básico entrar em vigor no Brasil, metade da população do país continua sem acesso a sistemas de esgotamento sanitário. Segundo os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), divulgados em janeiro deste ano e referentes a 2015, apenas 50,3% dos brasileiros têm acesso à coleta de esgoto, o que significa que mais de 100 milhões de pessoas utilizam medidas alternativas para lidar com os dejetos – seja através de uma fossa, seja jogando o esgoto diretamente em rios.

Em 2007, quando a lei 11.445 foi sancionada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 42% da população era atendida por redes de esgoto. Até 2015, o índice aumentou 8,3 pontos percentuais, o que corresponde a menos de um ponto percentual por ano. Quanto ao abastecimento de água, apesar de a abrangência ser bem superior à de esgoto, a evolução foi ainda mais lenta: passou de 80,9% em 2007 para 83,3% em 2015, um aumento de apenas 2,4 pontos percentuais. Já o índice de esgoto tratado passou de 32,5% para 42,7%.

Em algumas regiões do país, como a Norte, a situação é ainda mais grave: 49% da população é atendida por abastecimento de água, e apenas 7,4%, por esgoto. O pior estado – da região e do país – é o Amapá, com 34% e 3,8%, respectivamente. Já o melhor estado é São Paulo, com 95,6% de cobertura em água e 88,4% em esgoto. O Distrito Federal também tem taxas altas: 99% e 84,5%. Um mesmo estado, porém, pode ter cidades com índices muito elevados e muito baixos, algumas com serviços privatizados e outras, com públicos - por isso, é considerada a média de todos os municípios.

Os dados do SNIS utilizados pelo G1 são: "Índice de atendimento total de água" e "Índice de atendimento total de esgoto referido aos municípios atendidos com água". Os indicadores são os mesmos utilizados pelo Instituto Trata Brasil e são os recomendados pelo Ministério da Cidades para fazer as análises (Veja abaixo o ranking completo dos estados baseado nos dados)

Comparando a situação do saneamento básico no país entre 2007 e 2015:

- O total de brasileiros atendidos por abastecimento de água tratada passou de 80,9% para 83,3%
- A população atendida por coleta de esgoto passou de 42% para 50,3%
- O percentual de esgoto tratado foi de 32,5% para 42,7%
- A região Norte segue com os indicadores mais baixos do país (56,9% para cobertura de água, 8,7% para esgoto e 16,4% para esgoto tratado)
- A Sudeste continua como a região com a melhor situação: 91,2% (água), 77,2% (esgoto) e 47,4% (tratamento de esgoto)

“No geral, o avanço foi muito pequeno no país. Dez anos para conseguir passar da metade da população em esgoto é muito pouco. Não dá para continuar nesse ritmo. Estamos falando de uma agenda do século 19, de discussões de países desenvolvidos do século 19”, afirma Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil.

Segundo ele, a falta de saneamento adequado traz não apenas problemas sociais ao país, mas também ambientais, financeiros e de saúde, já que é um fator importante na disseminação de doenças. “O saneamento é a estrutura que mais benefícios traz para a população. O ‘básico’ do nome não está ali à toa, é a estrutura mais elementar e a mais relevante." Por isso, a questão da melhora dos índices e da própria universalização se torna tão urgente na pauta do país, afirma.

O Ministério das Cidades diz que os grandes déficits históricos vêm sendo combatidos, e a complexidade de grande parte das obras e o seu tempo médio de duração ainda não permitem que todos os benefícios esperados sejam sentidos de imediato pela população, nem refletidos ainda de modo mais significativo pelos índices como os informados no SNIS. "Deve-se ressaltar que o saneamento básico é uma área que ainda tem grandes desafios a vencer, mas está recebendo uma grande priorização por parte do governo federal. Há um grande esforço para a continuidade dos investimentos no setor, apesar do momento de restrições orçamentárias pelo qual ainda passa o país e um empenho especial aos aprimoramentos necessários ao emprego eficiente dos recursos", afirma, em nota.

Sobre a discrepância dos índices entre as regiões, o ministério diz que "um dos grandes desafios da política pública brasileira é exatamente vencer a barreira das desigualdades sociais, assegurando, no caso do setor saneamento, o direito humano fundamental à água e esgotos, preconizado em resolução da ONU, em que o Brasil é signatário".


São Paulo e Distrito Federal lideram a lista; Amapá é o estado com os piores índices (Foto: Editoria de Arte/G1)


Em busca da universalização


A Lei do Saneamento Básico prevê a universalização dos serviços de abastecimento de água e de tratamento da rede de esgoto no país, tendo como um dos principais pilares a elaboração de um plano municipal do setor para cada cidade. Além disso, a lei estabeleceu regras básicas para o setor ao definir as competências do governo federal, dos estados e dos municípios para os serviços, bem como a regulamentação e a participação de empresas privadas. Por conta disso, a expectativa era que o setor ia crescer exponencialmente após a lei.

O Ministério das Cidades diz que os planos municipais de saneamento básico são importantes porque constituem instrumentos que visam diagnosticar a situação local existente e estabelecer prioridades para investimentos e ações no curto, médio e longo prazos. "Trata-se de uma relevante ferramenta de gestão para a boa aplicação de recursos e para o controle social, o que beneficia diretamente a população local. Ter o plano será condição para o acesso a recursos federais na área de saneamento a partir de 2018."

Édisn Carlos afirma, no entanto, que "o problema começou com a baixa compreensão dos municípios pela obrigatoriedade da lei". "O nível de adesão tem sido muito baixo, e não só pela falta de vontade, mas pelo despreparo das cidades. Fazer um plano exige capacidade técnica, algo que muitas cidades do país, principalmente as pequenas, não têm.”

Segundo suas estimativas, nem metade das cidades do Brasil tem um plano. Por conta das dificuldades, os prazos estabelecidos para as prefeituras elaborarem o plano foram prorrogados diversas vezes, passando de 2013 para 2015 e, posteriormente, para 2017.

Édison Carlos destaca também a situação das agências reguladoras do país como um dos pontos de entrave da lei. “A questão é muito aberta, pois cada prefeitura pode trabalhar para ter uma agência reguladora no seu município. É uma possibilidade ampla, mas, do ponto de vista do Brasil, é uma loucura poder ter 5.570 agências [o número total de cidades no país]”, afirma.

“Hoje, temos uma mistura muito grande de agências municipais, intermunicipais, estaduais e por consórcio. Imagina isso para uma empresa que presta o serviço de saneamento em várias cidades, como a Sabesp, que atende mais de 300 municípios em São Paulo. Como você é regulado por diversas agências com regras diferentes para a mesma coisa?”


Amapá é o estado com os indicadores de saneamento mais baixos do país (Foto: Abinoan Santiago/G1)


Plano Nacional de Saneamento


Em paralelo com a Lei do Saneamento Básico, um plano nacional foi elaborado e lançado em 2014 pelo governo federal para servir de base para o setor. O plano estabelece metas de curto, médio e longo prazo com base em indicadores de água, esgoto, manejo de resíduos sólidos, drenagem e manejo de águas pluviais e gestão dos serviços de saneamento. Há metas de universalização dos serviços, de diminuição dos índices de desperdício de água, de erradicação de lixões, entre outros.
Segundo o plano, o custo para universalizar os quatro serviços (água, esgoto, resíduos e drenagem) é de R$ 508 bilhões entre 2014 e 2033. Já para a universalização de água e esgoto, o custo será de R$ 303 bilhões. De acordo com Édison Carlos, porém, bastou um ano após a edição do plano para que os cenários estabelecidos nas metas ficassem obsoletos por causa dos diferentes índices previstos de inflação e de crescimento do PIB. Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que, com o ritmo atual de investimentos, o Brasil apenas conseguirá universalizar o atendimento de água em 2043, e de esgoto, em 2054.

“Os indicadores mostram que o avanço está muito abaixo do que o Brasil precisa. Você pega o avanço de menos de 1 ponto percentual ao ano com coleta de esgoto, por exemplo. Muito baixo”, diz Édison Carlos. Diante da situação, ele afirma que o que tem que ser discutido é: o que dá para fazer para ir além da Lei do Saneamento, já que ela não conseguiu alavancar o setor o suficiente sozinha?
A resposta é difícil, mas, segundo ele, o caminho das pedras começa com mais recursos para a área de saneamento. “O governo federal precisa garantir mais recursos e diminuir a burocracia. Os estados precisam zelar pelas empresas, mas zelando mesmo, não transformando esses locais em cabide de emprego de amigo. Zelar por transparência, pois não dá para pensar em universalizar os serviços sem pensar em melhorar as empresas e as agências reguladoras”, afirma. “Não dá para esperar até 2054 para melhorar a situação. É incabível.”


Com cobertura mínima, Macapá tem esgoto a céu aberto nas ruas (Foto: Abinoan Santiago/G1)


O Ministério das Cidades diz que a implementação do Plano Nacional de Saneamento Básico, resultante de uma mobilização dos principais atores do setor saneamento, "é o caminho seguro para se alcançar as metas estabelecidas". "Lembrando que o plano foi aprovado em 2013, com horizonte de 20 anos e previsão de revisão a cada quatro anos. A questão tanto da coleta quanto do tratamento de esgoto está sendo priorizada pelo governo federal, e nenhum projeto é considerado com funcionalidade se não houver previsão de tratamento do esgoto coletado. Deve-se ressaltar ainda o esforço de boa parte dos demais entes federados e dos prestadores de serviços de saneamento."

Fonte: G1 



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domingo, 19 de fevereiro de 2017

RANKING DO SANEAMENTO: Brasil perde quase 40% da água tratada com vazamentos e fraudes, aponta estudo



Por Clara Velasco, G1, São Paulo

Índice das grandes cidades, que deviam ser os melhores do país, segundo o Instituto Trata Brasil, é semelhante ao nacional. Ranking avalia desempenho dos 100 maiores municípios do país.

Comparação do Brasil com as 100 maiores cidades do país (Foto: Editoria de Arte/ G1)


Quase 40% da água tratada no país é perdida por causa de vazamentos nas tubulações, ligações clandestinas e erros de medição. É o que aponta um estudo do Instituto Trata Brasil obtido pelo G1. De acordo com os dados do Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento (SNIS) de 2015, que são os mais recentes e foram divulgados em janeiro deste ano, o índice nacional de perda de água na distribuição é de 36,7%. Em 2011, era de 38,8% – o que significa uma evolução muito lenta para diminuir o desperdício no país, de apenas 2,1 pontos percentuais em quatro anos.

O estudo do Trata Brasil destaca ainda o desempenho das 100 maiores cidades do país em comparação com a média nacional. Segundo Édison Carlos, presidente do instituto, estas cidades deviam puxar o crescimento do país, já que têm estruturas públicas e privadas mais bem desenvolvidas e porque abrangem cerca de 40% da população do Brasil. As diferenças entre os índices nacionais e os dessas cidades, porém, são poucas. O índice de perda de água é de 37,8%, contra os 36,7% nacionais, e a melhora entre 2011 e 2015 foi semelhante – 2 pontos percentuais.

“São grandes aglomerados com capacidade de investimento, de fazer projetos, com corpo de engenharia, estão esperávamos que estas 100 cidades fossem a locomotiva do país. Os números, porém, mostram que não, que nem as capitais estão conseguindo fazer o papel de melhorar mais rapidamente os indicadores de água e esgoto”, afirma Édison Carlos. “Se essas cidades não estão conseguindo, imagina os municípios menores, que têm piores estruturas.”

O único índice que avançou muito mais nas grandes cidades que no restante do país foi o de coleta de esgoto. A cobertura nacional é de apenas 50,3% da população – o que significa que mais de 100 milhões de pessoas utilizam medidas alternativas para lidar com os dejetos, seja através de uma fossa, seja jogando o esgoto diretamente em rios. Já nas 100 maiores cidades, a cobertura é de 71,1%.

Segundo Édison, isso acontece por conta da grande concentração da população nas grandes cidades, já que uma única rede de esgoto construída atende um número elevado de pessoas e, consequentemente, causa aumentos significativos nos indicadores. Isso é diferente do que acontece no resto do país, pois uma rede vai atender apenas uma pequena quantidade de pessoas em uma cidade pequena.

O presidente do Trata Brasil cita o caso de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, que passou de 5% em 2008 para 100% em 2015 no tratamento de esgoto principalmente por causa da construção e do funcionamento de uma estação. “Os esforços feitos nessas grandes cidades elevam os indicadores de uma forma mais rápida. É um ponto positivo, mas ainda é pequeno para o problema do saneamento do país”, afirma.

Apesar disso, segundo o estudo, o pior indicador de cobertura entre as maiores cidades é o de tratamento de esgoto. Apenas 21% dessas cidades tratam mais de 80% de seu esgoto. Outros 21% tratam menos de 20%. Além de São José do Rio Preto, apenas 5 das 100 cidades reportaram tratar todo o esgoto – Campina Grande (PB), Jundiaí (SP), Limeira (SP), Niterói (RJ) e Piracicaba (SP). Já quatro não tratam nada: São João do Meriti (RJ), Santarém (PA), Governador Valadares (MG) e Porto velho (RO).


Além de São José do Rio Preto, apenas 5 das 100 cidades reportaram tratar todo o esgoto – Campina Grande (PB), Jundiaí (SP), Limeira (SP), Niterói (RJ) e Piracicaba (SP).


Desperdício de água pode ser causado por vazamento nas tubulações, mas também por fraudes (Foto: Murilo Rincon/G1)

Investimentos e perda no faturamento


Édison Carlos afirma que, além do desperdício que o índice de perdas nas distribuições de água tratada representa, é importante destacar o que as cidades deixam de arrecadar com essas perdas.
O índice de perdas de faturamento total, que estima o quanto da água potável produzida não foi faturada, é de 41,3% para as grandes cidades. Em cidades como Santo André (SP) e Vitória da Conquista (BA), os percentuais ficam abaixo de 10%, mas os números podem se elevar de forma alarmante, como no caso de Manaus, em que 73,1% da água não é cobrada.

“É um absurdo, é impossível fazer investimentos no setor de saneamento com perda financeira na ordem de 70%. E são volumes gigantescos de água que se perdem”, afirma Édison Carlos. “O que se espera não é fácil, pois trocar redes com a capital inteira funcionando não é simples. Tem que paralisar rua. São quilômetros e quilômetros de tubulações para serem trocadas, mas tem que fazer, porque, se não fizer, não vai ter recurso para investir no sistema.”

O problema da perda de faturamento se junta ao da baixa arrecadação de saneamento que, de fato, volta como melhorias e investimentos. Das 100 grandes cidades analisadas no estudo, 70 investiram menos de 30% da arrecadação. “O dinheiro foi para a empresa, para a prefeitura, para pagar os funcionários, não para o sistema de saneamento. É muito sintomático, pois o que arrecada tem que ser também reinvestido no próprio sistema. Não está havendo uma preocupação com a ampliação das redes de saneamento.”

Ranking do saneamento


O estudo também faz um ranking das 100 maiores cidades do país baseado nos diversos indicadores de saneamento básico, como acesso ao abastecimento de água e à coleta de esgoto, o percentual do esgoto tratado e investimentos e arrecadação no setor. Veja a lista abaixo.

1º - Franca (SP)
2º - Uberlândia (MG)
3º - São José dos Campos (SP)
4º - Santos (SP)
5º - Maringá (PR)
6º - Limeira (SP)
7º - Ponta Grossa (PR)
8º - Cascavel (PR)
9º - Londrina (PR)
10º - Vitória da Conquista (BA)
11º - Curitiba (PR)
12º - Suzano (SP)
13º - Uberaba (MG)
14º - Taubaté (SP)
15º - Jundiaí (SP)
16º - Piracicaba (SP)
17º - Campinas (SP)
18º - Campina Grande (PB)
19º - Niterói (RJ)
20º - São Paulo (SP)
21º - Mauá (SP)
22º - Ribeirão Preto (SP)
23º - São José do Rio Preto (SP)
24º - Porto Alegre (RS)
25º - Goiânia (GO)
26º - Campo Grande (MS)
27º - Sorocaba (SP)
28º - Brasília (DF)
29º - Mogi das Cruzes (SP)
30º - Foz do Iguaçu (PR)
31º - Belo Horizonte (MG)
32º - Praia Grande (SP)
33º - Santo André (SP)
34º - Campos dos Goytacazes (RJ)
35º - Petrolina (PE)
36º - Petrópolis (RJ)
37º - Caxias do Sul (RJ)
38º - São Bernardo do Campo (SP)
39º - Vitória (ES)
40º - Montes Claros (MG)
41º - Volta Redonda (RJ)
42º - João pessoa (PB)
43º - Diadema (SP)
44º - Contagem (MG)
45º - Salvador (BA)
46º - São José dos Pinhais (PR)
47º -Carapicuíba (SP)
48º -Juiz de Fora (MG)
49º - Florianópolis (SC)
50º - Boa Vista (RR)
51º - Betim (MG)
52º - Osasco (SP)
53º - Guarulhos (SP)
54º - Ribeirão das Neves (MG)
55º - Feira de Santana (BA)
56º - Rio de Janeiro (RJ)
57º - Serra (ES)
58º - Governador Valadares (MG)
59º - São Vicente (SP)
60º - Guarujá (SP)
61º - Anápolis (GO)
62º - Santa Maria (RS)
63º - Caruaru (PE)
64º - Aracaju (SE)
65º - Blumenau (SC)
66º - Bauru (SP)
67º - Cuiabá (MT)
68º - Mossoró (RN)
69º - Itaquaquecetuba (SP)
70º - Fortaleza (CE)
71º - Pelotas (RS)
72º - Vila Velha (ES)
73º - Joinville (SC)
74º - Rio Branco (AC)
75º - Recife (PE)
76º - Natal (RN)
77º - Aparecida de Goiânia (GO)
78º - Paulista (PE)
79º - São Luís (MA)
80º - Caucaia (CE)
81º - Olinda (PE)
82º - São João de Meriti (RJ)
83º - Belford Roxo (RJ)
84º - Canoas (RS)
85º - Cariacica (ES)
86º - São Gonçalo (RJ)
87º -Maceió (AL)
88º - Teresina (PI)
89º - Juazeiro do Norte (CE)
90º - Belém (PA)
91º - Duque de Caxias (RJ)
92º - Nova Iguaçu (RJ)
93º - Várzea Grande (MT)
94º - Gravataí (RS)
94º - Manaus (AM)
96º - Macapá (AP)
97º - Porto velho (RO)
98º - Santarém (PA)
99º - Jaboatão dos Guararapes (PE)
100º - Ananindeua (PA


Fonte: G1



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DEFESA CIVIL - QUEIMADA É CRIME: Alerta de elevado risco de incêndios em vegetação



Mapa do Risco de Incêndio em Vegetação (CPTEC). Veja que uma boa parte da cidade de Niterói encontra-se em condição de alto risco ou em situação crítica para incêndio em vegetação. 


Provocar incêndios em vegetação ou lixo é crime ambiental.

O presente verão tem sido até aqui muito mais seco do que o esperado, principalmente em Niterói, que tem tido uma precipitação muito abaixo até mesmo dos municípios vizinhos.

Conforme a Defesa Civil de Niterói tem alertado, a cidade encontra-se a situação de vulnerabilidade crítica aos incêndios em vegetação e o risco vem aumentando a cada dia sem chuvas.

O mapa acima, publicado pelo CPTEC, registra o Risco de Fogo no estado do Rio de Janeiro e arredores. Vale notar que há uma faixa considerada crítica para incêndios que inicia-se em Niterói e se estende para a Região dos Lagos e Norte do estado.

Segundo o informe do Centro de Monitoramento e Operações da Defesa Civil de Niterói, nos próximos dias as temperaturas permanecerão elevadas e a umidade relativa do ar poderá apresentar valores ligeiramente baixos (...) Essas condições são fatores que influenciam para o 🔥ALTO RISCO DE PROPAGAÇÃO DE FOGO EM VEGETAÇÃO 🔥no município. Não faça fogo em lixo pois, além de ser crime ambiental, você estará expondo a risco a saúde da sua família e dos seus vizinhos, além de ameaçar as áreas verdes de nossa cidade.

O mapa abaixo, publicado pelo CPTEC, indica o número mensal de focos de incêndio em vegetação no estado do Rio de Janeiro de 1998 a 2017 e permite verificar o quanto tem aumentado a quantidade de queimadas.


Verifique no quadro acima (dados CPTEC), que registra o número de focos de queimadas no estado do Rio de Janeiro, como a quantidade de incêndios em vegetação tem aumentado dramaticamente ao longo dos últimos anos.


Preocupado com o problema, a Prefeitura de Niterói estruturou o Programa Niterói Contra as Queimadas, para prevenir e combater os incêndios em vegetação na cidade, principal causa de perda de ecossistemas naturais.

A Prefeitura de Niterói tem feito um grande esforço para implantar parques nas encostas e outras áreas vulneráveis de Niterói, de forma a proteger a população contra riscos geotécnicos (deslizamento de encostas) e inundações. Além disso, a Prefeitura tem implantado um sistema de proteção composto por redes de pluviômetros, sirenes e núcleos de voluntários para o apoio à Defesa Civil.

Todo esse trabalho pode ser inócuo, se a prática de queimadas continuar em Niterói.

AJUDE A PREVENIR INCÊNDIOS E DENUNCIE A SOLTURA DE BALÕES, QUEIMA DE LIXO e outros danos à vegetação através dos seguintes números:

199: DEFESA CIVIL DE NITERÓI
153: CISP (Centro Integrado de Segurança Pública - Prefeitura de Niterói).

Axel Grael
Secretário Executivo
Prefeitura de Niterói



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A Mata do Pai Ricardo, um tesouro em plena Floresta da Tijuca



Local fica no Parque Nacional da Tijuca: O grande jequitibá do Pai Ricardo. A árvore, uma das maiores do Rio, tem 3,2 metros de diâmetro de tronco. Cientistas dizem que ele tinha mais dois mil anos de idade, quando quebrou e começou a morrer em 2013. Hoje, seu tronco em decomposição permite o nascimento de mais árvoresFoto: Custódio Coimbra / Agência O Globo


Cientistas descobriram um berçário de plantas ameaçadas de extinção, conta Ana Lúcia Azevedo

por Ana Lúcia Azevedo
19/02/2017 4:30 / Atualizado 19/02/2017 8:08


Quando deixado em paz, o tachi (Tachigalia paratyensis) alcança 25 metros, mais alto do que alguns prédios que se erguem não muito longe dele. Mas o tachi em questão é ainda arbusto, e sua presença marca a entrada num dos caminhos que levam à Floresta Atlântica em toda a sua glória - onde o céu é verde e o solo, escuro. O tachi vive na Mata do Pai Ricardo, um quinhão do Parque Nacional da Tijuca voltado para a Zona Sul. De nome encantado e origem misteriosa, cientistas vêem nela quase magia, manifestada em regeneração natural da Mata Atlântica, que impressiona pela velocidade e a riqueza.



- A Mata do Pai Ricardo é um tesouro. A diversidade é maior, as árvores são muito grandes, a copa é fechada. Um patrimônio do Rio. Essa floresta é um pedaço de Mata Atlântica em seu desenvolvimento máximo. Não é reflorestamento. Nenhuma outra metrópole do mundo tem algo igual - afirma Rogério Ribeiro do Oliveira, professor do Departamento de Geografia e Meio Ambiente da PUC-Rio e um dos maiores especialistas na Floresta da Tijuca.

Pedaço de Mata Atlântica em seu desenvolvimento máximo, é uma expressão de rigor científico que se traduz em mata original, aquela que já existia antes da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro entrar no mapa e transformar a paisagem. O Pai Ricardo dissolve o mito de que a Floresta da Tijuca é somente obra e graça do trabalho do homem. Partes inteiras de mata são remanescentes de florestas antigas. Outras partes foram reflorestadas em 1860. Mas a Mata do Pai Ricardo é a joia da coroa delas, ela exala mistério.`

'O valor desta mata é incalculável. Sobreviveu ao carvão, ao café e à metrópole’. Ana Luiza Coelho Netto, professora titular do Laboratório de Geo-Hidroecologia (Geoheco) da UFRJ. Sobre a Mata do Pai Ricardo

Suas árvores estão entre as maiores e mais antigas da cidade - veneráveis gigantes acima de 20 metros de altura e centenas de anos de vida. Fica de frente para a Zona Sul, acima do Horto. Mas quase ninguém ouviu falar dela. Se estende por cerca de 200 hectares - ou 200 campos de futebol. E tem ainda o próprio Pai Ricardo, que deu nome à floresta, a um rio e a um morro e desapareceu na História sem deixar rastro.

- É um remanescente preciosíssimo. A meu ver, precisa de proteção especial. O valor desta mata é incalculável. Sobreviveu ao carvão, ao café e à metrópole. Não é muito extensa, mas representa o mais próximo que o carioca tem da Mata Atlântica em sua glória. Nos presta ainda serviços ambientais, protege as nascentes, ameniza o calor, ajuda a limpar o ar, faz História - destaca Ana Luiza Coelho Netto, professora titular do Laboratório de Geo-Hidroecologia (Geoheco) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A importância do Pai Ricardo não é novidade para pesquisadores e conhecedores da Floresta da Tijuca. Está no Plano de Manejo do Parque Nacional da Tijuca. É destacada por estudos que remontam à década de 1940 do século XX. Por algum motivo, nunca se tornou muito conhecida.

- É um mito que a floresta é toda replantada. O Pai Ricardo está bem preservado, e é um exemplo de que isso não é verdade. Por que a floresta sobreviveu já é outra história. Ainda não se compreende bem a dinâmica dos antigos usos da mata - observa o chefe do Parque Nacional da Tijuca, Ernesto Viveiros de Castro. Ana Luiza e Rogério há mais de três décadas desenvolvem estudos no Maciço da Tijuca. Muito do que se sabe sobre a região resulta de suas pesquisas. Porém, nem eles esperavam descobrir agora, a poucos metros de onde passa a Trilha Transcarioca, um berçário da Mata Atlântica em pleno desenvolvimento. Espécies raras brotam e se conectam para regenerar a complexidade da floresta.

- Se não estivesse aqui e visse, não acreditaria na velocidade com que a mata se renova. A força dessa floresta me emociona. O que assistimos é muito especial - frisa Ana Luiza.


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Jequitibá gigante fica na Mata do Pai Ricardo

Grandes árvores podem ser vistas ao longo das trilhas e caminhos na Mata do Pai Ricardo - Custódio Coimbra / Agência O Globo

RIO - O berçário que encanta os cientistas fica onde o maior gigante do Pai Ricardo está. O Jequitibá com nome tão maiúsculo quanto o tamanho chegava aos 40 metros de altura. Deu nome a uma trilha e a uma cachoeira, referências dos frequentadores da floresta. Mas em 2013, durante uma ventania, quebrou. A copa veio abaixo e levou com ela outras árvores e arbustos.

- Ele tem agora 22 metros. Seu tronco mede 3,2 metros de diâmetro. Esse camarada viveu mais de dois mil anos. O vento o quebrou porque seu tronco estava velho e frágil. Seu tempo já tinha acabado - diz Oliveira.

O Jequitibá morreu. Mas não foi embora. Morto, ele dá vida à floresta.

- Milhares de fungos cobrem o tronco e as raízes e os decompõem. Há literalmente milhões de micro-organismos que reciclam toda a colossal quantidade de matéria orgânica do Jequitibá e a devolvem à mata em forma de nutrientes - explica Ana Luiza.

Mais do que apenas isso, com a morte do gigante, fez-se a luz. As grandes árvores criam um mundo de sombra sob as copas. Nele há todo um banco de genético de outras plantas à espera de uma oportunidade, luz para emergir e iniciar um novo ciclo. Isso pode levar décadas, séculos ou milênios.

- Assistimos a essa parte adormecida da floresta despertar. Quando uma clareira se abre e a mata em volta é saudável, oferece nutrientes e umidade, uma revolução acontece. Esse povo da luz, arbustos e plantas menores, desperta, começa a emergir, ganha espaço. Crescem também os filhotes das árvores que um dia serão gigantes, fecharão o céu da mata e darão início a um novo ciclo. Um dia, há muitos séculos, esse jequitibá foi como essas plantinhas que vemos aqui. Cresceu, sobreviveu por eras e se tornou ele próprio o céu. Com a sua morte, um novo ciclo começou - destaca Rogério Oliveira.


Parte da Mata do Pai Ricardo cerca a Vista Chinesa, um dos mais famosos cartões-postais do Rio. A floresta ali guarda trechos da Mata Atlântica original, que sobreviveu às plantações do passado e à expansão da cidade. Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo

A trilha do Jequitibá atravessa a Mata do Pai Ricardo e faz parte da Transcarioca. Às margens da trilha estão árvores nativas da Mata Atlântica e espécies da flora ameaçadas de extinção. Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo

O chão da floresta abriga milhares de espécies de micro-organismos e é fundamental para manter a saúde da mata. A espessa cobertura de folhas protege o solo e mantém a umidade. Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo

O oco do tronco do velho jequitibá hoje abriga espécies de fungos. No solo há muitas espécies de micro-organismos que nutrem a floresta. Animais como aranhas e cobras o usam como abrigo. Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo

O geógrafo Gabriel Paes analisa o tronco de um pau d'alho com centenas de anos de idade e mais de 30 metros de altura. Os paus d'alho estão entre as árvores gigantes da floresta e seu cheiro característico pode ser sentido a muitos metros de distância. Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo


Perto do gigante morto, um arbusto já conquistou seu lugar. É uma guapeba (Chrysophyllum imperiale) ou marmeleiro-do-mato. Mas é o nome de árvore-do-imperador que talvez explique melhor sua sina. Levada quase à extinção devido à exploração de sua madeira, essa espécie que chega aos 25 metros era considerada ótima para a construção naval. Caiu nas graças dos Pedros I e II. Este último a enviava para jardins botânicos, queria preservá-la. Mas ficou cada vez mais rara depois do Império. Relatos não comprovados dizem que na jovem República teria deixado de ser protegida por sua associação com o imperador.

- Essa espécie é só pequeno exemplo do que temos aqui - explica Oliveira.

Não se sabe por que o café não entrou ali. A Mata do Pai Ricardo não é intocada, mas é preservada. Rogério Oliveira acredita que os muitos matacões - imensos blocos de rocha - e a declividade acentuada do terreno possam ter dificultado o estabelecimento de plantações.

- É mágico o que observamos acontecer. O processo está muito mais rápido do que imaginamos - acrescenta a doutoranda em geografia da PUC-Rio Joana Stingel Fraga.

Embora a fauna não seja tão rica quanto a flora, pois a Mata do Pai Ricardo é como uma ilha cercada de cidade e estrada, alguns animais encontram ali refúgio. Esquilos e macacos são comuns. Nem tanto quanto as cobras. O oco do velho Jequitibá é um paraíso para elas, que encontram lá abrigo e alimento, na forma de ratinhos silvestres e aranhas, por exemplo.

Em outro ponto do Pai Ricardo, um pau d'alho centenário de cerca de 30 metros de altura é alcançado 20 metros fora da trilha. O pé afunda no tapete de folhas, cipós fecham o caminho. Cobras também se abrigam nos tocos. Ali, a floresta é escura, confunde com facilidade e tira referências. Não é território para passeios. E os especialistas esperam que assim permaneça.

- O que não pode é a agressão à mata. Há guimbas de cigarro, restos de comida, de oferendas nas trilhas. As pessoas querem aproveitar a natureza e a destroem, violam, desrespeitam. Espero que haja mais consciência e carinho por um tesouro que é de todos - lamenta Ana Luiza.

Para sobreviver a floresta, como a cidade à volta dela, precisa de paz.


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O misterioso Pai Ricardo


O chão da floresta abriga milhares de espécies de micro-organismos - Custódio Coimbra / Agência O Globo


Tão envolvida em sombras quanto as curvas da floresta à qual dá nome é a figura do Pai Ricardo. Teria sido um dos escravos que trabalharam com o major Manoel Gomes Archer no histórico reflorestamento do Maciço da Tijuca, iniciado em 1862. Outra possibilidade é que foi um líder espiritual das religiões afro-brasileiras. A primeira é considerada pouco provável uma vez que não há registro confiável de um escravo com esse nome.

O fato é que a Floresta da Tijuca está carregada de espiritualidade em nomes como o da Cachoeira das Almas, um antigo lugar de culto. E estudos de Rogério Oliveira já revelaram existir relação entre as religões afro-brasileiras e a preservação de árvores consideradas sagradas, como as figueiras. Sobre o Pai Ricardo, porém, há somente mistério.

- Na verdade, a história da Floresta da Tijuca é muito menos conhecida e documentada do que se imagina. A própria ideia de que tudo foi replantado é um mito. O Archer e seus sucessores foram importantes. Mas reflorestaram apenas uma parte - observa o historiador ambiental José Augusto Pádua, um dos coordenadores do Laboratório de História e Natureza do Instituto de História da UFRJ.

Segundo Padua, foi a própria natureza que fez a maior parte do trabalho:

- A montanha é a maior amiga da floresta. A inclinação, as pedras dificultam o acesso e a destruição. Não é fácil derrubar e arrastar uma árvore grande numa encosta muito inclinada. Quem regenerou mesmo a maior parte da floresta foi a natureza - afirma Pádua.


Detalhe da vegetação da Floresta da Tijuca - Custódio Coimbra / Agência O Globo


Mesmo lugares preservados como a Mata do Pai Ricardo guardam cicatrizes de antigos usos. Lá há vestígios de carvoarias dos séculos XVIII e XIX. Essas carvoarias nada mais eram do que fornos dentro da própria mata onde era produzido o carvão vendido na cidade. Os fornos desapareceram, mas o lugar onde existiam são identificados pelos platôs claramente artificiais, planos em meio à encosta íngreme. O solo sob as folhas secas é escuro, puro carvão.

- Os carvoeiros são parte importante e esquecida da história do Rio. Mas carvoarias não contam só as histórias dos homens. Contam também as da floresta - explica o doutorando da PUC-Rio Gabriel Paes.

Estudando o carvão é possível saber que árvore foi queimada, o que dá uma ideia da composição da floresta.

- Ele mantém a anatomia das espécies - acrescenta.

Só não é possível descobrir quem foi o Pai Ricardo.


Fonte: O Globo







Seminário de meio ambiente tem segunda edição em Niterói



A lagoa de Piratininga, que integra o sistema lagunar de Niterói, vem enfrentando há décadas um processo de degradação, com despejo irregular de esgoto e processo de assoreamento que já mataram milhares de peixes. Foto: Evelen Gouvêa



Evento discutirá áreas de conservação, acidentes ambientais e o sistema lagunar da Região Oceânica

O Grupo Fluminense Multimídia promove, nos dias 14 e 15 de março, o 2º Seminário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, em mais uma parceria com a Universidade Candido Mendes. O evento irá reunir especialistas, autoridades municipais e estaduais e representantes da sociedade civil, em mesas de debates e palestras para discutir e buscar soluções para questões consideradas fundamentais para a área.

No final de 2015, o Grupo Fluminense Multimídia promoveu, com a UCAM Niterói, o primeiro seminário de meio ambiente, que lotou o auditório da universidade nos dois dias de evento, depois que as inscrições se esgotaram rapidamente. Na ocasião, foram debatidos problemas relacionados à Baía de Guanabara, a crise hídrica no Estado do Rio de Janeiro, a gestão e a reciclagem de toneladas de lixo, as iniciativas de organizações não governamentais em todo o Estado do Rio, a atuação da Polícia Ambiental e as bem-sucedidas práticas governamentais ligadas ao meio ambiente e à sustentabilidade, tanto no município de Niterói quanto nas demais áreas de proteção ambiental sob responsabilidade do Estado.

Esta segunda edição do seminário foi ampliada, oferecendo aos participantes três módulos com mesas de debates e palestras, com atividades no dia 14 nos períodos da manhã e noite, e no dia 15 pela manhã. O evento é aberto ao público, mediante inscrições prévias, exclusivamente por e-mail, a partir de 5 de março, e também há reserva de vagas para os alunos da Universidade Candido Mendes, que irão se inscrever através do sistema acadêmico da instituição.

O seminário é uma parceria do Grupo Fluminense Multimídia com a Universidade Candido Mendes e tem o patrocínio da concessionária Águas de Niterói. Todo o evento terá cobertura multimídia, com reportagens em O FLUMINENSE, flashes e entrevistas na Rádio Fluminense 540 AM e na TV O FLU, espaço exclusivo no site www.ofluminense.com.br, além de ser transmitido ao vivo por rede social.

Programação - Entre os destaques deste 2º Seminário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, estão as ações em andamento e a serem implementadas nas áreas protegidas de Niterói, a revisão do Plano Diretor do município, a apresentação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, a gestão do sistema lagunar. Uma das mesas irá discutir os acidentes ambientais e as ferramentas jurídicas para sua reparação, tendo como cases as tragédias de Mariana, em Minas Gerais, em 2015; o Morro do Bumba, em Niterói, em 2010, e o derramamento de milhões de litros de óleo, pela Petrobras, na Baía de Guanabara em 2000.

Também serão apresentados painéis sobre a proteção legal dos animais, com a professora universitária Ana Lúcia Camphora, e as iniciativas em saneamento ambiental que colocaram Niterói em destaque nacional, por causa da universalização da distribuição da água e 95% de esgoto tratado e coletado, o maior índice do Estado e um dos maiores do País. Para traçar tal panorama, foi convidado representante da concessionária Águas de Niterói.

Áreas protegidas - A mesa de debates “Sistema Nacional de Conservação e as Áreas Protegidas de Niterói” irá reunir Andréia Mello, gerente de Projetos do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade - FUNBio; Amanda Jevaux, subsecretária municipal de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade da Prefeitura de Niterói; o ex-secretário de Meio Ambiente e ex-vereador Daniel Marques, com mediação de Tainá Mocaiber, membro da Comissão de Direito Ambiental da OAB Niterói.

Para debater a gestão do sistema lagunar de Niterói e os problemas das lagoas de Itaipu e Piratininga, foram convidados o superintendente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Paulo Cunha; o biólogo Paulo Bidegain, especialista em sistema lagunar; Dionê Marinho, coordenadora do Projeto Região Oceânica Sustentável, uma das principais apostas da Prefeitura para a recuperação de toda a área; e Leila Heizer, do Comitê das Lagoas de Itaipu e Piratininga - Clip.


O desastre ambiental no Morro do Bumba, em Niterói, em 2010, será debatido com o secretário executivo Axel Grael. Foto: Alcyr Ramos/Arquivo



Tragédias: Mariana, Bumba e Baía são destaques

Três dos maiores desastres ambientais ocorridos no país neste século e as ferramentas jurídicas para a sua reparação serão discutidos no 2º Seminário de Meio Ambiente e Sustentabilidade promovido pelo Grupo Fluminense Multimídia, na Universidade Candido Mendes.

O secretário executivo da Prefeitura de Niterói, engenheiro florestal Axel Grael; o ex-secretário de Meio Ambiente de Niterói e professor da UCAM, Rogério Rocco; e a doutora e mestre em Direito Ambiental, advogada e professora da Escola de Magistratura do Rio de Janeiro, Cristiane Jaccoud, falarão, respectivamente, sobre a tragédia no Morro do Bumba, em Niterói, em 2010; o vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara, em 2000; e o rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais, em 2015. O jornalista Emanuel Alencar irá mediar.

Óleo na Baía - Em janeiro de 2000, o rompimento de um duto da Petrobras que ligava a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) ao terminal Ilha d’Água, na Ilha do Governador, provocou o vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara, formando uma mancha que se espalhou por 40 quilômetros quadrados.

O acidente contaminou grande parte do ecossistema de mangues da região, afetando também milhares de famílias que viviam da pesca em Magé, São Gonçalo, Guapimirim, Niterói, Rio de Janeiro e Duque de Caxias. No seminário, o professor Rogério Rocco fará um relato sobre as providências nas esferas civil, penal e administrativa envolvendo o incidente.

Morro do Bumba - Na noite do dia 7 de abril de 2010, um deslizamento de terra numa área considerada instável soterrou dezenas de casas e matou 48 pessoas no Morro do Bumba, no bairro do Viçoso Jardim, em Niterói. As casas haviam sido construídas em uma área de risco que abrigava um lixão e, com a chuva forte, muitas foram destruídas ou soterradas pelo deslizamento.

O secretário executivo da Prefeitura de Niterói, Axel Grael, que acompanhou de perto e conhece os detalhes de toda a tragédia, vai falar sobre questões técnicas e todas as medidas que foram tomadas pela atual gestão para garantir moradia para as famílias e as ações ambientais no local do desmoronamento.

Mariana - Em 5 de novembro de 2015, o rompimento da barragem do Fundão, da mineradora Samarco, em Mariana, Minas Gerais, espalhou lama e rejeitos de mineração e deixou 19 pessoas mortas, destruindo a vegetação nativa e poluindo a bacia do Rio Doce. A tragédia foi provocada por obras na barragem, num acidente que gerou consequências ao Estado vizinho do Espírito Santo. A professora Cristiane Jaccoud, que também acompanhou de perto todo o processo, vai apresentar detalhes do desastre ambiental sob o ponto de vista jurídico.

Fonte: O Fluminense


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sábado, 18 de fevereiro de 2017

Secretário de Cultura de Niterói anuncia regulamentação da lei de incentivo ao setor



Novos desafios. O secretário de Cultura, Marcos Gomes, busca consolidar os espaços da cidade - Analice Paron


Por Renan Almeida

Em entrevista, Marcos Gomes explica os planos da secretaria para a Cultura

NITERÓI - Vinte anos depois da primeira passagem pelo governo municipal como secretário, Marcos Gomes reassumiu este ano a pasta da Cultura, que comandou também entre 1997 e 2001, durante o segundo mandato de Jorge Roberto Silveira, e na gestão de Godofredo Pinto, em 2003. O secretário começou no setor cultural como produtor, na década de 1970. Depois, foi vereador durante dois mandatos, entre 1988 e 1996 — sempre à frente da Comissão de Cultura da Câmara. No Legislativo, criou a Lei do Patrimônio Cultural, e, como secretário, realizou o projeto Grandes Encontros, que promovia intercâmbio cultural com outros países. Aos 65 anos, novamente à frente da pasta, que em 2017 tem orçamento de R$ 26 milhões, declarou, em entrevista exclusiva ao GLOBO-Niterói, que não busca reeditar ou trazer projetos próprios, mas revigorar os espaços culturais da cidade e, principalmente, viabilizar este ano a aplicação da lei de incentivo à cultura. Criada em janeiro de 2016 pelo prefeito Rodrigo Neves, mas até hoje sem uso por falta de regulamentação, a lei permite que produtores captem recursos junto a empresas da cidade, que podem deduzir até 20% do ISS no caso de investimentos em financiamentos de projetos culturais. Os contribuintes poderão deduzir até 20% do IPTU.

LEI DE INCENTIVO À CULTURA

Vamos fazer o dever de casa porque, no ano que vem, ela precisa estar pronta para quem participar da lei poder captar. Até meados deste ano, conseguiremos fechar a regulamentação e amarrar a questão orçamentária com a Fazenda, para que, em janeiro de 2018, o produtor já possa receber o dinheiro. Se não fizermos isso hoje, a lei não funcionará no ano que vem. Durante este ano já vai ter gente em condições de buscar (apoiadores) para receber o dinheiro em 2018.

MUSEU DO CINEMA

O Reserva Cultural, todos sabemos, é o novo ponto de encontro da cidade. E hoje temos outro desafio, que é dar vida ao prédio em formato de rolo. E nós vamos dar. Primeiro faremos o auditório multiuso (primeiro andar). Acredito que consigamos ainda este ano (concluir). Depois vamos para o museu (segundo andar) e em seguida para o terceiro andar. Ao fim desses quatro anos, o rolo estará funcionando. Não é fácil, fica ao lado de um cinema que está sendo respeitado, elogiado por todo mundo. Então, não podemos fazer algo de qualquer maneira.

MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA

O MAC tem um potencial fabuloso, virou nosso cartão-postal. Temos um desafio ali: para cada mil pessoas que vão ao museu, só 500 entram. Temos que tornar o MAC cada vez mais atrativo, não só pela paisagem. O museu este ano já está com novo diretor (Marcelo Velloso), que trouxe também um curador (o mexicano Pablo León de la Barra), de projeção internacional. Acho que isso vai fazer o MAC dar um passo à frente.


Antigo e moderno. O Museu Janete Costa de Cultura Popular é a aposta do novo secretário - Zeca Gonçalves / Zeca Gonçalves/10-11-2016



MUSEU JANETE COSTA DE CULTURA POPULAR

Avançamos muito nos últimos quatro anos com o Solar do Jambeiro, que passou a ter ocupação. Uma parcela grande da cidade não o conhecia, e passou a conhecer (foi o museu com maior número de visitantes em 2016 — ano em que o MAC ficou fechado por seis meses para reformas —, passando de uma média de quatro mil pessoas para 40 mil). Em frente ao Solar, temos o Janete Costa, um lugar lindo. Vamos dar outra estruturação a ele. Já escolhemos uma nova diretora (Daniela Magalhães), e trabalhamos com muito carinho a curadoria, para ele passar a entrar no circuito dos museus da cidade. Conversamos com uma pessoa para a curadoria, e estou esperando fechar direitinho para, então, anunciar. Assim como o MAC, acredito muito que vamos dar um avanço na relação do niteroiense com o Janete Costa.

REGIÃO OCEÂNICA

Se tem uma coisa pela qual vou lutar é que, até o final desta gestão, tenhamos um equipamento de ponta na Região Oceânica. Tanto ela quanto a Zona Norte são carentes de equipamentos. É um problema de todos os grandes centros. Os equipamentos se desenvolvem onde está a classe média, a classe média alta. E a população pobre, que necessita mais, precisa fazer o deslocamento. Se tem um desafio que está colocado para esta gestão, para todos nós, para a cidade, é deixar para a Zona Norte e para a Região Oceânica um equipamento cultural de ponta. Um espaço multiuso para oficinas, dança e peças de teatro. E com auditório. Esse é um desejo, um sonho, não é uma promessa. Mas a gente consegue.

CAMINHO NIEMEYER GRADEADO

Não foi fechado durante a minha gestão (como diretor do Caminho). Mas entendo até o porquê. E ele nunca ficou fechado, vamos ser justos: passou a funcionar com visitas guiadas. O que houve é que um grupo muito grande de jovens começou a ir para lá, o que era uma coisa legal, descobrindo que aquele é um dos melhores lugares para se sentar, ver o pôr do sol. Mas tem um problema de segurança, que é algo daquela região. E, depois que saímos, o gestor achou melhor deixar só para visitas guiadas. Não quero muito falar disso, mas o melhor caminho é que ele seja aberto. Para isso, é preciso ter condições objetivas de segurança, gente trabalhando. Enquanto mantivemos aberto, não dava para dormir bem de noite. Estava sempre preocupado, porque a guarda tem limites, não dá para ter uma quantidade grande de policiais, como o lugar exige. Mas estou muito esperançoso com a nova gestão que está no Caminho. Esperançoso de que ela consiga reabrir o espaço para que todos possam ir lá o tempo todo, não apenas os turistas.

TEATRO POPULAR

O Teatro Popular tem um novo diretor, Alexandre Santini, uma pessoa da área. Não tenho dúvidas de que teremos uma retomada ali. Estamos conversando com a direção do Caminho Niemeyer, mas o Santini está tomando pé, e vamos criar uma programação de qualidade. Vai participar dos nossos editais, o que não acontecia, e vamos ter mais um espaço em condições, principalmente, para o teatro e para a dança. Como o MAC tem o desafio de capturar os visitantes, acho que o Teatro Popular precisa de uma mediação com o terminal (João Goulart). São centenas de milhares de pessoas, que potencialmente não vão ao teatro, porque, sabemos, estão cansadas do trabalho e falta dinheiro. Temos que considerar isso tudo. Nossa vitória enquanto gestores é conseguir canalizar as pessoas e vê-las, mais à frente, às quintas e sextas, passarem pelo terminal e irem ao Teatro Popular. O Caminho Niemeyer conseguiu diálogo com uma parcela de jovens que passaram a frequentar o local à tarde. Mas não conseguimos isso ainda com o público do terminal. Temos um teatro para 450 pessoas, sendo que 250 mil passam ali diariamente, sem entrar. Temos que ver isso: o horário, o preço. Ainda não pensamos em tudo, estamos trabalhando. Mas é pensar em fazer o Teatro Popular ficar popular mesmo.

ORÇAMENTO

Estamos lutando para ter pelo menos o mesmo orçamento do ano passado (R$ 26 milhões). Teremos, ainda, em torno de R$ 4 milhões em emendas parlamentares a nível de governo federal. Tem todo um trabalho jurídico para esse dinheiro chegar aqui. Acreditamos que, mais para o fim do ano, teremos em torno de R$ 4 milhões em emendas chegando para a Cultura.

MONUMENTOS

É algo com que nos comprometemos, talvez provocados por vocês (GLOBO-Niterói), que mostraram que, na cidade, atualmente, não tem estátuas ou bustos de mulher. Achei essa observação superlegal. E essa é uma questão que o André Diniz já havia dito: nós vamos ter uma obra de arte que homenageie uma mulher. Já estamos fazendo hoje um levantamento preciso de todos os bens tombados, todas as estátuas, recuperando esse histórico.

Fonte: O Globo Niterói









Avança PPP da iluminação pública de Niterói





Iniciativa quer reduzir o consumo elétrico mensal em até 40%

A Prefeitura de Niterói dá mais um passo para modernizar toda a iluminação pública da cidade. O conselho gestor do Programa Municipal de Parcerias Público-Privadas (Propar) já escolheu o modelo do estudo técnico para a troca dos 45 mil pontos de luz do município por lâmpadas de LED. A iniciativa quer reduzir o consumo elétrico mensal em até 40% – o valor, atualmente, gira em torno de R$ 1,2 milhão.

Atualmente a Avenida Rui Barbosa, em São Francisco, e as ruas Marechal Raul de Albuquerque e Madre Maria Victoria, em Charitas, possuem iluminação de LED, que economizam energia, requerem menos manutenção e têm vida útil maior em comparação com as soluções de iluminação tradicionais.

A expectativa da Prefeitura é que o serviço de substituição das lâmpadas se inicie no próximo semestre – o prazo para a modernização de toda a rede de iluminação pública é de três anos. Serão realizadas audiências públicas para que a população possa tirar dúvidas e dar sugestões. A previsão é de que a licitação seja aberta até o final de maio e será escolhida a empresa ou consórcio que executar o serviço pelo menor preço.

O Conselho Gestor do Programa de Parcerias Público-Privadas é composto pelas secretarias de Governo, Planejamento, Fazenda, Obras e Procuradoria-Geral do Município e conta com a ajuda técnica da Unidade de PPP, que auxilia a Secretaria que tem interesse em desenvolver projeto, dá suporte técnico, orientações de como elaborar edital de chamamento, entre outras ações.

Fonte: O Fluminense




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A prefeitura acaba de escolher a empresa que fará o projeto de modernização de toda a iluminação pública da cidade, que será trocada por lâmpadas LED, numa parceria público-privada. A York Engenharia apresentou proposta de economia de 60% no consumo, com um prazo de remodelação de três anos. Por mês, o município gasta R$ 1,2 milhão com conta de luz.

A proposta passará pela Câmara e será debitada em audiência pública antes de ser lançada a licitação para a concessão do sistema, que conta com cerca de 45 mil luminárias. Quem ganhar a concorrência executará toda a troca, calculada em R$ 90 milhões. A secretária municipal de Conservação e Serviços Públicos, Dayse Monassa, é quem está pilotando o processo.

Fonte: Coluna "Fome de Quê?", de Ana Cláudia Guimarães, O Globo Niterói (17 de fevereiro de 2017)



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