quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Total de alunos que trocaram rede particular pela municipal sobe 32% em quatro anos no Rio


Minha primeira escola.

A matéria de O Globo refere-se à Escola Municipal Minas Gerais (veja foto abaixo), na Urca, na cidade do Rio de Janeiro. Esta foi a minha primeira escola, onde estudei na década de 1960! Na época, minha família morava na Praia Vermelha.

Axel Grael


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Total de alunos que trocaram rede particular pela municipal sobe 32% em quatro anos no Rio

A Escola Municipal Minas Gerais, na Urca: segundo a direção, bons resultados no Ideb têm levado pais a procurarem unidade na hora de tirar filho da rede particular - Hudson Pontes / Agência O Globo

Já na rede estadual, migração aumentou 44% entre 2012 e 2014. Motivo apontado pelas famílias é, principalmente, o financeiro

por Bruno Amorim

RIO — Clara Olinisky, de 12 anos, sempre estudou em colégio particular. No entanto, por razões financeiras, trocou as antigas salas de aula pelas da Escola Municipal Minas Gerais, na Urca. Ela faz parte de um grupo crescente de estudantes que migram da rede privada para a pública. Só este ano, dos 79.921 novos alunos matriculados em escolas municipais da capital, 17.420 (21,7%) vieram de unidades particulares, um aumento de 32% em relação a 2010. Já na rede estadual, essa fatia passou de 7,12% em 2012 para 10,32% este ano (um crescimento de 44%).

Cursando o 8º ano do ensino fundamental, Clara já se adaptou à nova realidade. Com o dinheiro que economiza em mensalidades, a mãe da adolescente, Gizele Santos, investe no futuro da filha.

— Por questões de ordem financeira, buscamos a escola pública. O dinheiro que eu colocaria numa escola particular, invisto num curso preparatório para as provas do ensino médio. Queremos tentar as melhores escolas, como o Colégio Pedro II, o Colégio de Aplicação e o Cefet. Também quero que a Clara faça intercâmbio e conheça a Europa. Estou fazendo um fundo para isso — conta Gizele.

"O dinheiro que eu colocaria numa escola particular, invisto num curso preparatório para provas do ensino médio". Gizele Santos, mãe de aluna que foi para escola pública.


O motivo apontado por ela — o financeiro — é, segundo especialistas, a principal razão para a troca. Todos os anos, as mensalidades das escolas particulares sofrem reajuste. Com dificuldades para bancarem a despesa, os pais acabam levando os filhos para a rede pública. De acordo com o Sindicato dos Estabelecimentos de Educação Básica do Município do Rio (Sinepe-Rio), em 2015 o aumento pode chegar a 15%. O presidente da entidade, Edgar Flexa Ribeiro, também aponta razões econômicas por que passam as famílias como um fator para a mudança, mas diz que essa migração para as escolas públicas sempre existiu.

Foram também as dificuldades financeiras que fizeram o filho do corretor de seguros Guilherme Pinto, Patrick, de 14 anos, depois de passar por diversos colégios particulares, se matricular na mesma escola que Clara. Pai e filho gostaram da mudança e contam que não estão sentindo muita diferença entre o ensino público e particular. Para reforçar a educação de Patrick, Guilherme dedica cinco horas por semana a estudar com ele.


Clara e a mãe Gizele Santos: questões financeiras - Hudson Pontes / Agência O Globo

A diretora da Escola Municipal Minas Gerais, Regina Paschoa, confirma que o número de alunos oriundos de colégios particulares tem aumentado nos últimos anos. Para ela, no entanto, o principal fator de atração não é o financeiro, mas o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) da unidade: em 2013, foi 7 no 5º ano e 6,2 no 9º ano, acima da média das escolas municipais da capital (4,4 no 5º ano e 5,3 no 9º ano). O Ideb vai de 0 a 10.

QUALIDADE DO ENSINO TAMBÉM CONTA

Para o diretor do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe), Danilo Serafim, na hora de escolher o colégio, além do preço, os pais avaliam também a qualidade do ensino:

— Apesar de a classe média mandar seus filhos para a escola particular pensando que o ensino é melhor, o mesmo professor que dá aula na rede privada também atua na rede pública.


Patrick e Guilherme: sem diferença no ensino - Hudson Pontes / Agência O Globo

Essa realidade foi constatada por Adriana Rodrigues e sua filha, Luísa Rodrigues, de 13 anos. Quando a adolescente repetiu de ano e perdeu a bolsa de estudos no Colégio São Vicente de Paulo, no Cosme Velho, Adriana começou a procurar boas escolas públicas. Acabou chegando ao mesmo colégio de Clara e Patrick. Ali, Luísa teve uma grande surpresa ao encontrar o mesmo professor de matemática que dava aula no São Vicente de Paulo.

Para a secretária municipal de Educação, Helena Bomeny, o investimento em toda a rede é o responsável por atrair alunos da rede particular. Ela destacou a criação da Escola de Formação do Professor Carioca Paulo Freire, em 2012. A unidade funciona como porta de entrada para novos profissionais, que fazem um curso de 80 horas para serem apresentados ao trabalho no município. Além disso, oferece um programa de formação continuada.

PEDRO II ESTÁ ENTRE OS MAIS PROCURADOS

Entre as escolas públicas mais procuradas pela classe média, estão aquelas consideradas unidades de referência. A rede federal de ensino no Rio — composta basicamente pelos colégios Pedro II, Militar e de Aplicação da UFRJ — tem tradição de qualidade e coleciona boas notas no Ideb. Em 2013, a média dos alunos do 5º ano dessas escolas foi 7,3 e do 9º ano, 6,4.

Já as 11 escolas estaduais integrantes do programa Dupla Escola — que oferece ensino em tempo integral, além de formação profissional ou proficiência numa língua estrangeira — receberam 15.840 inscrições, sendo 4.797 (30%) de estudantes da rede privada. O Colégio Estadual José Leite Lopes, por exemplo, na Tijuca, oferece cursos de multimídia, roteiro para mídias digitais e programação de jogos digitais.

 
Fonte: O Globo
 

 



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