segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Prefeitura de Niterói contrata empresa paulista para elaborar plano cicloviário para a cidade


Objetivo é integrar rotas cicláveis já existentes e transformar veículo em opção de transporte diário
Márcio Menasce



Cláudio Santos, presidente da federação de ciclismo do Rio, e Argus Caruso, coordenador do programa Niterói de Bicicleta encaram o trânsito na Praia de Icaraí - Márcio Alves / Agência O Globo

NITERÓI - Elas são conhecidas como magrelas. São leves, ágeis e podem até ser rápidas. Mas até agora, nenhuma bicicleta é capaz de voar. Por isso, precisam de lugares adequados para circular. Esta é a principal reivindicação de quem tenta usá-las como meio de transporte, e do agente público que pretende transformar o seu uso, de recreativo, para substitutivo aos carros, ou complementar ao transporte coletivo. Segundo o vice-prefeito Axel Grael, foi para ajudar a vencer a briga que a prefeitura assinou este mês a contratação da TC Urbes, empresa paulista que venceu licitação, de R$ 120 mil, para elaborar um plano cicloviário para a cidade.

— Temos uma malha cicloviária per capita comparável com a do Rio, mas o plano é ambicioso, com ligações intermodais e ações educativas. A ideia é integrar as bicicletas aos projetos urbanísticos já existentes, como a Operação Urbana Consorciada (OUC) e o plano da Região Oceânica Sustentável — afirma Grael.

Atualmente, Niterói tem 30 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas (vias com pintura diferenciada, porém sem segregadores físicos). Segundo Argus Caruso, coordenador do programa Niterói de Bicicleta, mais dez quilômetros estão em implantação. O objetivo é, com a OUC, a construção do Túnel Charitas-Cafubá e o plano para a Região Oceânica, fazer a malha saltar para 113km. Amsterdam, referência mundial no uso diário de bicicletas, tem cerca de 400 quilômetros de vias cicláveis. Segundo Axel Grael, áreas como a Zona Norte, que atualmente não tem ciclovia, e Piratininga também serão contempladas.

Para ver, sobre duas rodas, os desafios que os ciclistas enfrentam, a equipe do GLOBO-Niterói percorreu, de bicicleta, parte da rede cicloviária da cidade, acompanhada de Caruso e do presidente da Federação de Ciclismo do Rio, Cláudio Santos. O percurso começou na Barão de Amazonas, no Centro, e seguiu até São Francisco, chegando ao bairro pela Estrada Fróes e retornando pelo túnel.

Logo na saída ficou evidente o que Caruso aponta como o maior desafio da TC Urbes: integrar as vias cicláveis da cidade. Recém-reformada, com instalação de segregadores de pista, a ciclovia da Avenida Amaral Peixoto oferece tranquilidade ao ciclista. No seu fim, no entanto, é preciso encarar os veículos motorizados e se espremer no canto da Visconde do Rio Branco, que tem trecho especial para bicicletas apenas sobre a Praça Juscelino Kubitschek. A ciclofaixa volta a aparecer na chegada ao Gragoatá e segue até o início da Praia de Icaraí, onde novamente é preciso se aventurar entre veículos até a Estrada Fróes. Na volta, pela Avenida Roberto Silveira, o desafio é desviar dos ônibus e dos usuários do transporte, já que os pontos de parada estão sobre a ciclofaixa. No caminho, Caruso explica que a área para bicicletas será marcada do outro lado da via, para evitar o conflito com os ônibus. O ponto mais crítico do trajeto é a Avenida Marquês de Paraná, que não conta com via especial.

— É a parte mais complicada. Ainda não fizemos nada porque o movimento de carros é grande e seria complicado tirar espaço dos motoristas, mas algo precisa ser feito — afirma Caruso.

CICLISTAS PEDEM MAIS EDUCAÇÃO E RESPEITO ÀS REGRAS DE TRÂNSITO

Quem já trocou o carro ou o transporte público pela bicicleta em Niterói garante que não se arrepende, mas afirma que ainda há muito o que melhorar. A consultora Ana Luiza Carboni, fundadora do Grupo Mobilidade Niterói, que organiza eventos de conscientização e incentivo ao uso da bicicleta na cidade, acredita que, mais do que ciclovias e ciclofaixas, Niterói precisa é de educação no trânsito.

— Morei em Londres durante 14 anos. Lá não há tantas vias para bicicletas, mas há muito respeito com o ciclista. Quem está sobre duas rodas também deve respeitar as regras. É importante que o ciclista pare nos sinais de trânsito e, principalmente, nunca trafegue na contramão nem sobre as calçadas. Também é preciso educar os pedestres para não caminharem nas ciclovias, e os motoristas, para que respeitem a distância de 1,5 metros do ciclista, estabelecida no Código de Trânsito — afirma ela.

Os casos de falta de educação são comuns, principalmente na Região Oceânica. No local, O GLOBO-Niterói flagrou diversos carros estacionados sobre as vias para bicicletas. Mas a falta de respeito não é exclusiva dos motoristas. Na Avenida Conselheiro Paulo de Melo Kale, a própria prefeitura pintou parte da ciclofaixa exatamente onde há uma árvore no caminho.

Em outra região da cidade, a Zona Norte, o problema é a ausência de vias para ciclistas. Para o analista de TI e morador do Barreto, Anderson dos Santos, a Zona Norte até agora foi esquecida no plano cicloviário da cidade.

— As ciclovias de Niterói foram feitas apenas para quem mora na Zona Sul. Quem sai do Barreto, por exemplo, vai até a Rua São João, no Centro, sem passar por nenhuma ciclovia. Sequer há ciclofaixas na Zona Norte inteira. Também não vejo incentivo para integração da bicicleta com o transporte público. Ciclista que pega metrô ou barca poderia ganhar desconto — afirma.

Para o coordenador do Niterói de Bicicleta, Argus Caruso, além da implantação de vias cicláveis em todas as áreas da cidade, e da instalação de bicicletários, a mudança de cultura também precisa ser trabalhada.

— Estamos criando as vias para bicicletas e já compramos 350 bicicletários duplos, além de 260 que a prefeitura incluiu no contrato de mobiliário urbano recém-assinado. Mas a mudança de cultura é algo que se conquista aos poucos. Para isso, acredito muito na participação da sociedade civil. Temos dado apoio a diversos passeios ciclísticos organizados na cidade. Só assim, vendo cada vez mais bicicletas nas ruas, o motorista vai respeitar mais — acredita.


Fonte: O Globo


-------------------------------------------------

LEIA TAMBÉM:


CICLOVIAS: OS AVANÇOS DO PROGRAMA NITERÓI DE BICICLETA
NITERÓI DE BICICLETA - Prefeitura inicia na próxima semana a instalação de bicicletários em diversos bairros do município
Ciclistas de Niterói reconhecem resultados do programa Niterói de Bicicleta e cobram mais avanços
NITERÓI DE BICICLETA: monitorando o crescimento do uso de bicicletas na cidade
Lançado em Niterói o programa "Motorista Amigo do Ciclista"
Prefeitura de Niterói e SETRERJ lançam programa “Motorista Amigo do Ciclista”
Prefeitura de Niterói e SETRERJ lançam programa Motorista Amigo do Ciclista. Amanhã, 200 motoristas receberão treinamento no Caminho Niemeyer

Semana da Mobilidade: Circuito Universitário começa a ser implantado na cidade
Niterói ganhará, até julho, seis quilômetros de ciclovias
Teste do Circuito Universitário na Semana da Mobilidade
Prefeito em exercício tem encontro com ciclistas da cidade
Programa Niterói de Bicicleta reuniu cerca de 50 interessados em ciclovias

Programa Niterói de Bicicleta: resultados do encontro de ciclistas
NITERÓI DE BICICLETA: participe do II encontro do Plano Cicloviário Participativo
Programa Niterói de Bicicleta: resultados do encontro de ciclistas
Programa Niterói de Bicicleta reuniu cerca de 50 interessados em ciclovias
Programa Niterói de Bicicleta: urbanista, velejador e ciclista, que já deu a volta ao mundo pedalando, será o responsável

Prefeitura promove o I Workshop do Programa Niterói de Bicicleta
Axel Grael visita ciclovias no Rio e fala sobre o uso de bicicletas em Niterói
Prefeitura busca novas parcerias com o governo federal nas áreas de segurança e meio ambiente

-----------------------------------------

Acesse todas as mensagens sobre o NITERÓI DE BICICLETA no Blog do Axel Grael

Acesse o programa NITERÓI DE BICICLETA no Facebook: www.facebook.com/NiteroideBicicleta






Nenhum comentário:

Postar um comentário

Contribua. Deixe aqui a sua crítica, comentário ou complementação ao conteúdo da mensagem postada no Blog do Axel Grael.